Os militares brasileiros não poderiam ter escolhido um cenário pior para voltar a participar diretamente da política brasileira, desde o Golpe de 64. E digo isso independentemente da pandemia cuja participação direta das Forças Armadas foi simplesmente desastrosa. 

A imagem dos militares nunca foi de muito prestígio desde o fatídico Golpe, e muito disso é devido ao próprio comportamento da corporação. Suas atuações desde a redemocratização passaram de uma constrangida tutela à distância a uma participação cada vez mais hostil e militante desde que o PT chegou ao poder. 

Como funcionários públicos que são, acredito que nos devam algumas explicações sobre alguns fatos que caracterizam essa atuação militar nos últimos anos, respostas que infelizmente jamais obtivemos de forma clara. Se eu pudesse, então faria as seguintes perguntas a algum oficial militar, na esperança de que ele pudesse me esclarecer algumas das dúvidas mais perturbadoras que eu tenho: 

Em que se baseia tanta agressividade aos políticos da esquerda? 


Extraoficialmente podemos deduzir que as Forças Armadas atuam como mero braço armado de uma determinada classe dominante, que se sente ameaçada com qualquer tipo de mínima reforma que os governos de esquerda necessitam propor. Mas tal argumento jamais seria confessado abertamente fora da caserna. Assim sendo, o que justificaria o medo de qualquer reforma que não seja na área militar, que, aí sim, afetar-lhes-iam diretamente se fosse o caso? Ainda mais quando constatamos que foi durante o governo do PT que as Forças Armadas mais foram prestigiadas com investimentos e modernização. 

Como puderam apoiar um governo cujo mandatário sempre foi um notório desequilibrado, que já sofrera um processo de expulsão do próprio exército por planejar um atentado terrorista ao gasômetro do Rio? 

É uma das coisas mais difíceis de compreender. Os militares chancelaram Bolsonaro e participam ativamente do governo mais desastroso da história brasileira. Terá sido um mero erro de avaliação amadorística, ou uma estratégia cujas reais intenções nos escapam? 

Em 2017 Sérgio Moro recebeu a condecoração da Ordem do Mérito Militar das Forças Armadas. Tendo em vista as diversas provas de que o ex-juiz atuou de forma criminosa na condução da operação Lava-jato, por que a condecoração ainda não foi revogada? 

O jornal francês Le Monde apresentou, dias atrás, uma reportagem sobre as ligações de Sérgio Moro com os interesses dos Estados Unidos em sabotar algumas de nossas maiores indústrias a partir da Lava Jato. Por que este conluio internacional não é considerado um perigo contra a segurança nacional? 

As Forças Armadas zelam basicamente por nossa soberania. Se assim realmente for, por que nossos militares se submetem tão passivamente aos interesses de um país imperialista cujo objetivo é sabotar a nossa independência? 


Rússia e China são parceiros do desenvolvimento brasileiro. No entanto, são vistos com ressalvas, para dizer o mínimo, por grande parte da oficialidade militar. Por que parceiros que querem investir no Brasil e no nosso desenvolvimento são vistos com desconfiança enquanto os Estados Unidos, cujas provas de que nos espionam e nos sabotam abundam, são bajulados e obedecidos? 

O governo Bolsonaro tem sido campeão no quesito crime de responsabilidade e compromisso com o caos e a morte. Por que uma pandemia totalmente fora de controle que mata uma média de 3 mil pessoas por dia, associada à intenção de flexibilizar o porte de armas para um maior número de pessoas, além da destruição da Amazônia e o fomento de milícias armadas não são enquadradas na lei de segurança nacional como riscos graves à ordem?  

São perguntas que eu gostaria muito de obter uma resposta, embora possam muito bem ser apenas perguntas retóricas de quem tem uma boa noção das respostas... 

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