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28 de julho de 2020

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Alexandre de Moraes
Ministro Alexandre de Moraes determina retirada de perfis bolsonaristas


Recentemente o site Disparada — ao que tudo indica, ligado ao cirismo pedetista — lançou um artigo em que o jornalista Renato Zaccaro questiona a decisão do ministro do Supremo (STF), Alexandre de Moraes, de mandar tirar do ar perfis de redes sociais ligados ao bolsonarismo

Em sua postagem, ele pergunta "e quando formos nós?", antecipando que o mesmo STF poderá tomar a mesma atitude "autoritária" contra sites e perfis de esquerda se algum momento a esquerda "radical" chegar ao poder. 

Ora, a esquerda definitivamente precisa parar com esta atitude de apoiar incondicionalmente, mesmo que indiretamente neste caso, o lado inimigo em nome da defesa das quimeras burguesas, da fantasia democrática e das instituições do status quo. Essa postura, além de não contar jamais com a reciprocidade do lado de lá da trincheira ideológica, coloca as esquerdas numa redoma de atuação comportada e  inócua que só favorece o campo da direita liberal/conservadora, beneficiária que é destas ilusões. 


Lembro que vários petistas chegaram a criticar a Lava Jato quando ela, mesmo que timidamente, chegou a ameaçar políticos da vertente adversária. Claro que a Operação Lava Jato é um execrável instrumento político nas mãos da burguesia, aplicando seu lawfare sem nenhum constrangimento. 

Mas a questão central é que a direita jamais criticou a Lava Jato quando ela estava destruindo a reputação do Partido dos Trabalhadores (com a inusitada exceção do jornalista Reinaldo Azevedo), em defesa do direito justo. Mas alguns dos principais líderes deste mesmo PT defenderam publicamente Aécio Neves, Moreira Franco, Michel Temer, etc. na menor indicação de que seriam investigados, em nome da "justiça (burguesa)". 


O mesmo agora. Indiretamente, Zaccaro defende sites, portais e perfis de extrema-direita — muitos deles fake, incitadores de violência e crimes, financiados por dinheiro duvidoso — supostamente perseguidos por um  Supremo despótico; estes belos sites que por diversas vezes ultrapassaram os limites do jogo político institucional. 

Pois é disto mesmo que se trata. A política burguesa é um jogo com várias regras. E o STF é o árbitro deste jogo. Devemos criticar o STF, e não se tem faltado vozes neste quesito,  quando ele notoriamente burla as leis e códigos legais para incriminar falsamente políticos de esquerda, como Dilma Rousseff e aquela pantomima que foi o seu julgamento presidido pelo ministro Levandowski. 

Julgamento criminoso que, embora reconheçam as diversas irregularidades, tanto Ciro quanto o PDT amenizam no discurso, surfam no pisoteio a um adversário no campo da esquerda, sem a mesma indignação apresentada a favor dos sites de direita. 


O Supremo sempre vai atuar quando um poder ameaçar perigosamente seu prestígio, como é o caso dos sites, blogs e perfis bolsonaristas que foram deletados. Claro que fariam o mesmo se um governo "radical" de esquerda e seus militantes digitais propusessem ou insinuassem seu fechamento. 

Quando os partidos de esquerda aceitam participar do jogo político-eleitoral burguês, aceitam também as suas regras, dentre as quais, a prerrogativa decisória do Supremo, que neste caso em foco, é perfeitamente cabível. É isso, ou partir de vez para a clandestinidade revolucionária, onde seriam, aliás, muito bem vindos. 

A única coisa certa nessa história é que, se sites, blogs e perfis de esquerda fossem deliberadamente retirados do ar por uma decisão do STF num suposto governo de esquerda, a direita jamais iria solidarizar-se conosco, estivéssemos ou não com a razão. 
 


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