Devemos ou não "desejar" a morte de Bolsonaro

"Aqui se faz, aqui se paga"?


Esse tema tem sido levantado devido à repercussão, nas redes sociais, da notícia de que o presidente Jair Bolsonaro testou positivo para covid-19. 

A partir de então, milhares de pessoas comentaram de forma talvez irônica, talvez séria, que estão torcendo para a morte do presidente. Por outro lado, surge uma campanha dentro da própria esquerda de viés liberal condenando tal atitude.

Afinal, devemos ou não devemos "torcer" pela morte de Bolsonaro? 

Acredito que o problema esteja na formulação da questão. Os termos "desejar" ou "torcer" pela morte de alguém carregam uma conotação de reprovação bastante moralista cristã, como se isso definisse o nosso mal-caratismo. Segundo essa vertente, "não se deve torcer pela morte nem do nosso pior inimigo".


Recentemente, a nova estrela do liberalismo politicamente correto, Gabriela Priori, lançou um tweet afirmando que quem deseja a morte de um desafeto se equipara ao outro lado — o que, por si só, já ilustra o que estamos tentando demonstrar — sendo essa atitude alguma coisa relacionada ao "autoritarismo" [sic] que ninguém conseguiu compreender muito bem. 

O fato é que desejar a morte, literalmente, ou desdenhar dela, é uma praxe do nosso presidente atual. Bolsonaro disse no passado recente que gostaria que Dilma Rousseff morresse de infarto ou câncer em 2015. Esse ano, ele já fez diversos comentários repugnantes sobre as milhares de mortes de brasileiros com a mesma covid-19 que ora o ataca. 

Mas os puritanos acham que não se deve "desejar " a morte nem mesmo de alguém desse nível. 


Tudo bem, OK, talvez eles estejam certos, talvez não. Mas, voltando ao cerne da questão, o problema é o termo "desejar". Nunca desejei que Bolsonaro morresse de covid-19, mas não dá pra esconder uma certa satisfação pela justiça da situação. É como um alcoólatra inveterado que faz pilhéria de quem é abstêmio, que torce para o abstêmio morrer atropelado, mas que, ele mesmo, adoece e morre de cirrose hepática. Ninguém vai dizer que torceu para sua morte, mas como se sentiria o abstêmio neste caso? Vingado, certamente. Uma vingança do próprio destino, da própria natureza, da qual não devemos ser ou nos sentir culpados por concordar de bom grado. 

Se o covid-19 levar o Bolsonaro deste mundo (coisa que não acredito), devemos apenas sentir a satisfação da seleção natural darwiniana sendo executada plenamente a alguém que desafiou tanto as recomendações médicas. O desejo ou a torcida pela sua morte é algo que não afeta em nada a sua saúde. Mas... se ele morrer... 


Comentários