Quem são eles?



Eles roubaram a nossa bandeira. Chafurdaram com ela no egoísmo, desnudaram a farsa do símbolo nacional como abrigo a todos os brasis, transformaram-na numa arma de luta classista particular. Seus empunhadores a levantam em nome dos seus privilégios, sempre em hostilidade contra "os outros", cujo quinhão de riqueza do país lhes é negado, não obstante serem eles, os outros, os verdadeiros produtores da riqueza.

Usurparam também o sentido de moralidade, dando a ele um viés de etiqueta superior, elitista, conservador, onde os costumes "certos" — os deles, óbvio — são tidos e havidos como universais. Assim combatem tudo o que seja diferente da sua pequena visão de mundo. São pessoas cujos passaportes revelam dezenas de viagens pelo mundo, não obstante a cabeça continuar estreitamente provinciana.

A religião segue fazendo o seu velho papel para eles. Jogar uma cortina de fumaça na verdadeira condição social das pessoas mais pobres, para que elas não possam identificar a origem de seus sofrimentos. Enquanto a maioria esmagadora sofre, eles exploram a inocência e o medo alheios. Alguns líderes religiosos na bancada evangélica da Câmara, que pertencem à classe deles, chegam a afirmar que suas atitudes e posturas fascistas refletem o sentimento do crente em sua maioria, cinicamente invertendo a lógica para ocultar o papel doutrinador do líder religioso, dando a entender que em termos de política, é o rebanho de ovelhas que controla o pastor, nessa metáfora deprimente que eles adoram.

As Forças Armadas do Brasil, pelo menos as altas instâncias do oficialato, não fazem a menor questão de resguardar uma boa imagem da instituição perante o cidadão comum. Já são mais de cem anos de vergonhas que vão desde a degradante função de Capitão do Mato pra fazendeiro, até o atual roubo de benefícios da Caixa, passando por vários golpes e sangrentas ditaduras. Tudo isso tendo protagonizado uma única guerra na sua história para mostrar à nação: a Guerra do Paraguai no século XIX, que foi outra vergonha de tanta desumanidade covarde — tudo isso para manter uma aliança de classe com eles, servindo-lhes de braço armado ao dispor dos seus interesses.

Afinal, quem são eles?

São aquilo que o capitalismo produziu de mais sórdido. A classe-média. Uma classe que não é classe; não é dona dos grandes meios de produção, tampouco formam a massa de trabalhadores assalariados. São uma classe-colchão, interposta entre a grande burguesia e o proletariado, para abafar a ascensão da classe inferior enquanto sonha o sonho impossível de ascender à classe superior.

São o público-alvo a quem a propaganda da ideologia dominante é dirigida, especialmente com relação a farsas, mentiras e boatos. São os que tem pavor de descender na escala social, e por isso mais suscetíveis a promessas de campanha política que fomentam salvadores da pátria, mitos, heróis  e coisas do gênero.

A classe-média é o mais nocivo subproduto do capitalismo.



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