Flávio Dino quer alianças com a centro-direita. O PT, quem diria, critica

Flávio Dino, governador do Maranhão, quer alianças com a direita para 2020

Flávio Dino tem despontado no cenário nacional, primeiro, pelo feito nada desprezível de ter alcançado o governo do Estado no Maranhão ao derrotar o coronelismo da família Sarney; e segundo, por suas políticas públicas dignas de admiração na área da Educação.

No entanto, demonstrando as mesmas falhas filosóficas e conceituais dos velhos e novos líderes políticos de esquerda no Brasil, recusa as bandeiras decididamente de esquerda no país, preferindo defender práticas daquilo que se convencionou chamar de "velha política", a de alianças com o centro (que não passa, na verdade, de uma direita dissimulada) e com a centro-direita.

Esse processo ficou bastante claro a partir de 2003, quando Lula decidiu acabar com os sonhos de milhões de esquerdistas ao estender a mão a uma centro-direita derrotada peremptoriamente nas urnas, desmoralizada e jogada na lona do ringue, para com ela compor o governo. Tudo em nome da nefanda "governabilidade", segundo a qual, refletindo o pensamento de Margareth Thatcher com relação ao neoliberalismo, não haveria alternativa.

Em entrevista no final do ano passado à Carta Capital, o governador do Maranhão teceu certos comentários decepcionantes para quem esperava uma atitude mais agressiva, marcadora de posição do campo da esquerda no cenário político.

Flávio Dino afirmou, entre outras coisas, que dentre os "acertos" [sic] da extrema-direita, está a capacidade de "formar uma aliança mais ampla que a nossa", e que precisaríamos reverter isso em 2020.

Para Flávio Dino, a lição da extrema-direita é aprendida de maneira deformada. Segundo ele, devemos fazer aliança com os mesmos aliados da extrema-direita, ou seja, o centro e a centro-direita, e não com os partidos do nosso campo político!

Depois, mais para o final da entrevista, tenta esclarecer que no entanto, "não devemos abrir mão do nosso programa". Numa postura que marcou pejorativamente Marina Silva, diz que em tais alianças, não podemos perder a identidade, mas sem "sectarizar" [sic].

Flávio Dino demonstrou que é de um partido nominalmente de esquerda, no entanto, sem nenhum compromisso ideológico com as batalhas históricas desse campo político, sem trazer consigo o conceito caro ao socialismo de luta de classes, por exemplo. É um politico meramente liberal, que propõe reformas suaves sem mexer nas velhas estruturas políticas do Brasil.

A grande ironia dessa entrevista é que Dino foi criticado, vejam vocês, por Olavo Brandão Carneiro, secretário de formação política do PT do Rio de Janeiro.

Num artigo no site ligado ao partido, Brandão critica a postura do governador de buscar alianças e consensos para 2020 dentro, inclusive, da centro-direita.

Ora, mas não foi essa a grande jogada do PT no poder, fazendo alianças espúrias com gente da estirpe de um Collor de Mello, de um Michel Temer e de um Eduardo Cunha apenas para ficar nas figuras mais notórias?

É por essas e outras que uma esquerda partidária se apresenta cada vez mais enfraquecida, sem identidade e sem rumo perante os olhos do eleitor. E também que, com seus ataques explícitos a banqueiros, seu programa de taxação de grandes fortunas e movimentações financeiras e outras medidas mais progressistas, além da recusa de fazer alianças com essa camada podre da velha política nacional, Ciro Gomes pareça estar mais à esquerda desses próprios potenciais candidatos da esquerda "raiz", como o próprio Dino do PCdoB. Sinal dos tempos...



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