24 de novembro de 2019

Google ajudou blogueiros de direita a lucrarem com fake news

Gigante da internet ajudou blogueiros a melhorarem suas estatísticas. E ele espalharam fake news...


Cada vez mais, está claro para as pessoas que a direita só se sustenta com mentiras, hoje chamadas de fake news. Mas, para que essas mentiras se tornem de fato "news" (notícias) é preciso que haja poderosos veículos de comunicação que possam disseminar para um maior número possível tais mentiras ao grande público.

Durante décadas a televisão foi o maior veículo de comunicação do Brasil, e a maior empresa dentro do maior veículo de comunicação era (e ainda é) a Rede Globo de Televisão. Não por acaso, a Globo também era a maior divulgadora de fake news em tempos passados, antes do termo ser cunhado.

Por isso, políticos da esquerda eram difamados e sofriam ataques contra a sua reputação, no intuito de prejudicar suas popularidades perante as massas, e consequentemente atrapalhar suas carreiras políticas.

Nos tempos da TV, podemos dizer que Lula e Brizola foram dois dos principais alvos de mentiras por parte desta emissora. Quem não se lembra do hoje clássico direito de resposta de Brizola no Jornal Nacional, para se defender de alguns dos ataques mentirosos que o próprio dono da emissora, Roberto Marinho, fazia pessoalmente? Fora as imagens tendenciosas e desgastantes de arrastões pelas praias do Rio, ou a ideia de que Brizola era amigo de traficantes por não permitir que a Polícia Militar usasse de truculência nas incursões em comunidades carentes.

Lula, por seu turno, foi vítima de uma das maiores manipulações na edição de um debate eleitoral que esse país já assistiu. Em 89, quando a Globo bombava com audiências estratosféricas, foi ao ar um resumo do debate presidencial onde Fernando Collor de Mello se sobressaía com seus melhores momentos, enquanto Lula era apresentado em seus momentos mais frios e claudicantes. Um crime jornalístico da mais alta estirpe.

Hoje a TV já não tem a mesma força de outrora, transferida para a rede mundial de computadores. E dentro dessa rede, a gigante incontestável é o sistema de buscas conhecido como Google. E de acordo com o site Intercept, nada mudou com relação a gigantes da comunicação continuarem incentivando, até diretamente, a propagação de fake news com intenções econômicas ou políticas.

Temos a clara sensação de que há um verdadeiro descompasso entre a vontade das populações do mundo e o que as mídias pretendem que nós pensemos.

Enquanto nos últimos anos, as pessoas mais pobres e trabalhadoras têm se mobilizado para defender nas ruas os seus direitos, que muitas vezes são destruídos com golpes de Estado fomentados por fake news e manipulações, as mídias têm trabalhado constantemente de forma bastante reacionária para defender o status quo. O mundo quer se libertar, mas os aparatos ideológicos das classes dominantes não permitem. E pra isso jogam sujo, mentem, rasgam constituições, destroem democracias e interferem diretamente no senso comum, nas eleições e nas informações disseminadas.

Só surpreende que o Google no Brasil, uma empresa que cultiva uma imagem de modernidade e progressismo, tenha se prestado a esse papel ridículo, cooperando com blogueiros de direita, espalhando mentiras que ajudaram a derrubar o governo Dilma do poder e a criar essa onda reacionária de pós-verdade que vivemos atualmente.


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Professor de História, Mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), carioca, usa este espaço para comentar sobre os assuntos da política e da sociedade de forma simples e clara, sem, no entanto, abrir mão do rigor da checagem dos fatos.

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