1 de janeiro de 2019

Discurso honesto de Bolsonaro na posse é uma lição para as esquerdas



Bolsonaro tomou posse. E foi sincero, coerente. Não fez uso de discursos conciliatórios, foi direto ao ponto. Disse aquilo que seus eleitores gostariam de ouvir.

As demagogias estavam presentes. Acabar com o socialismo no Brasil [sic], uma aberração conceitual, mas que ajudou a elegê-lo. Prometeu acabar com a ideologia marxista na sala de aula, mais uma falácia que ele confirmou no discurso da posse. Também prometeu que o Brasil não fará comércio mundial com viés ideológico, outra aberração que só vai prejudicar a já raquítica participação do nosso país no comércio internacional. Também citou as velhas e já desgastadas defesas da família e pediu a proteção de deus. Nada de novo.

No entanto, seu mérito foi a coerência. Não lançou mão da falácia de que a partir de agora será o presidente de todos, que vai unir o Brasil e outras besteiras que o PT infelizmente insistiu em dizer, equivocadamente.

Se tem uma coisa que o Bolsonaro sabe é que não existe essa coisa de "todos". É nós e eles. Não no Brasil, no mundo. No capitalismo. É a velha divisão de classes. Divisão de interesses irreconciliáveis.

No jogo político eleitoral, não obstante as mentiras, as fake news, as propagandas de lesa-reputação alheia, foram eles que ganharam. E vão governar de acordo com o que eles acham ser o certo.



O PT, desde Lula até o último mandato não terminado da Dilma, ganhou com os nossos votos, mas quis governar para todos. Não conseguiu agradar nem o lado de cá, nem o lado de lá, terminando melancolicamente sozinho na beira da estrada.

Não há como governar para todos. Os recursos são limitados, uns têm muito e muitos têm pouco. Para governar para nós, é preciso enfrentar o lado de lá e tirar do deles.

Bolsonaro não fez uso de meias palavras, não fez demagogia nesse sentido. Nossa bandeira jamais será vermelha, ele disse. No seu governo, não há um, um elemento sequer das trincheiras progressistas, enquanto nos governos do PT haviam vários dos setores conservadores e capitalistas. Deu no que deu.

Agora devemos aguentar os quatro anos desastrosos de governo deles, e usar esse tempo para ganhar novamente o espaço. Mas que o próximo candidato da esquerda aprenda essa lição que Bolsonaro deixou claro para o Brasil. Não existe conciliação. Não existe todos. Existe luta de classes.


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Professor de História, Mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), carioca, usa este espaço para comentar sobre os assuntos da política e da sociedade de forma simples e clara, sem, no entanto, abrir mão do rigor da checagem dos fatos.

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