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Mostrando postagens de Janeiro, 2019

Mundo conhece Bolsonaro e reações vão de surpresa a decepção

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A participação de Bolsonaro em Davos provocou diversas reações negativas entre jornalistas e especialistas em diplomacia no mundo. 
Desde ontem, com sua participação esdrúxula no Fórum de Davos, o mundo passou a conhecer melhor o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. E ele não decepcionou. Quer dizer, decepcionou muito, mas foi exatamente aquilo que as pessoas estavam esperando: um fiasco. E isso ficou bastante claro nas manchetes dos principais jornais do mundo hoje, resumido na descrição "big fail" (ou "grande fracasso" em tradução livre).

Nunca um político discursou por menos do que 10 minutos. Bolsonaro resumiu o seu em apenas 6. Não que não tivesse muitas dúvidas a esclarecer aos participantes, mas, no entanto, escolheu falar pouco para errar o mínimo. E ainda assim errou bastante. O mercado financeiro, o grande anfitrião de Davos, reagiu de forma negativa, e os reflexos do discurso pífio refletiram na bolsa e no dólar.

Mesmo tendo uma postura de total rendiçã…

Sobre os fundamentalismos religiosos de hoje no mundo

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O extremismo, que hoje choca, foi praticado durante séculos. Foi o advento da Razão que obrigou religiosos a suavizar suas práticas
Em julho de 2011, Anders Behring Breivik (imagem acima fazendo a saudação nazista no seu julgamento), um ativista norueguês da extrema-direita, considerado “fundamentalista” cristão, provocou a morte de 76 pessoas, e feriu quase 100 em dois atentados naquele país. Muito se enfatizou o aspecto extremista de seu manifesto religioso e de sua conduta, como se fosse um lunático ou alguém que tivesse praticado um ato contrário ao que pregam as religiões.

Quero chamar a atenção para um detalhe importante: quando acontece um caso como esse, é comum a mídia em geral tratar os religiosos que o praticam como fundamentalistas, seja um solitário católico como Breivik ou um grupo islâmico, por serem uma parcela menor com métodos questionáveis dentro de determinada religião, que seria, no seu âmago, boa, pura e inocente. Mas eu vejo de modo um pouco diferente. Na verdade…

Sérgio Moro, o Cavalo de Troia do PSDB dentro do governo?

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Político com ligações tucanas é alvo de suposições de que teria vazado investigações do Coaf para a Rede Globo atacar o governo Bolsonaro
Nesta semana, o mundo político brasileiro ficou surpreendido com o grande destaque que a Rede Globo deu sobre as investigações do Conselho de Controle de Movimentações Financeiras (Coaf), a respeito das movimentações financeiras suspeitas envolvendo o motorista do filho do presidente Jair Bolsonaro. Na sexta, por exemplo, o Jornal Nacional dedicou quase cinco minutos sobre o tema, escancarando em rede nacional uma saia justa que colocou membros do governo de cabelo em pé.

O Coaf foi criado e se manteve vinculado, como seria a lógica, ao Ministério da Fazenda. Numa manobra controversa que desagradou diversos especialistas, o presidente baixou um decreto e transferiu o órgão para o chamado Superministério da Justiça a cargo de Sérgio Moro. Com essa medida, podemos muito bem especular, Jair Bolsonaro pretendia blindar as artimanhas de Flávio Bolsonaro e…

Generais saem das sombras para passar vergonha no governo

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Em 1961 o Brasil passava por uma grave crise política com a renúncia do presidente Jânio Quadros. Naquela ocasião, os avós dos golpistas de hoje, batedores de panelas, patos e coxinhas de então, estavam alarmados com a possibilidade do vice-presidente João Goulart assumir o poder.

Tomando a frente da indignação desses grupos, os três oficiais militares no Ministério da Defesa lançaram um manifesto contra a posse legítima e constitucional de Jango, que estava em viagem oficial na China. Queriam que uma junta militar assumisse o poder até que fossem realizadas novas eleições. Foi a primeira vez em muitos anos, talvez desde a Revolução de 30, (em 1946 o general Eurico Gaspar Dutra foi presidente, mas pelas vias eleitorais) que os militares tomavam a frente nos rumos políticos do país. E passaram vergonha.

Aos poucos, o governador do Rio Grande do Sul na ocasião, Leonel Brizola, numa campanha nacional pela legalidade, conseguiu mobilizar grande parte da opinião pública em favor da posse d…

Referendo de 2005 não fala em posse de armas. Entenda as consequências

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Em 2005 houve o referendo sobre a comercialização e circulação de armas no Brasil. Na ocasião, a vitória foi do "não", com quase 64 por cento dos votos, o que queria dizer permissão para este comércio. O sim ficou com pouco mais de 36 por cento.

Em 2003 o Congresso votava o Estatuto do Desarmamento, que previa o referendo de 2005. A discussão então girava em torno da proibição ou não da fabricação de armas no Brasil, com a empresa Taurus despejando milhões na campanha do "não". Mas existe um grande desentendimento na questão.
Ele se encontra na pergunta elaborada para o referendo de 2005. Naquela ocasião, as pessoas foram às urnas eletrônicas para decidir sobre a seguinte questão: "Você é a favor da proibição do comércio de armas e munição no Brasil?". 
Ora, a partir de então, como fica claro, seria legal a fabricação e comércio de armas e munições no Brasil. Mas os defensores do porte de armas concluíram que, a partir disso, os brasileiros poderiam ter o…

A briga Ciro Gomes vs. PT que inviabiliza uma candidatura de esquerda em 2022

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Por uma questão circunstancial, Ciro Gomes não envergou a faixa de presidente da República em 2019. Era o único candidato cujas pesquisas indicavam uma vitória no segundo turno contra Jair Bolsonaro. Mas para isso, precisava chegar no segundo turno, e o PT foi decisivo para que isso não acontecesse.

Com a menor taxa de rejeição entre todos os candidatos, ainda assim Ciro amargava a terceira colocação no pleito. O PT teve como estratégia não a derrota das forças reacionárias e conservadoras que hoje assaltam o governo com nepotismo, entreguismo e obscurantismo, mas sim mostrar ao Brasil que Lula, preso e condenado, deveria ser o candidato, deixando uma aliança de esquerdas pelo caminho. Estratégia inócua, e na última hora, Fernando Haddad foi confirmado como o candidato petista, ele que, apesar de herdar grande parte dos votos lulistas, herdou também a enorme rejeição ao PT, que lhe proporcionou não a vitória, mas o segundo lugar.

Tudo isso, e mais algumas puxadas de tapete que o PT lh…

Por que já há tantos arrependidos em votar no Bolsonaro? O marxismo explica

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Karl Marx está mais vivo do que nunca, e continua sendo cada vez mais importante para entendermos o mundo capitalista em que vivemos.

Um dos fatores mais surpreendentes nesse período de pós-eleição e começo de governo Bolsonaro, é o número surpreendentemente grande de pessoas arrependidas de votarem no "mito". São pessoas que, logo após apertarem o 17 na urna, começaram a tomar conhecimento de medidas e ações totalmente incompatíveis com o discurso moralista e "patriótico". Casos como o do laranja Fabrício Queiroz, que joga por terra a ilusão de incorruptibilidade dos Bolsonaro, além de medidas que prometem afetar direta e, principalmente, negativamente quem votou neste governo. 
O site Dever de Classe traz duas reportagens que ilustram bem como, em pouco tempo, as pessoas já se encontram totalmente desapontadas. 
O primeiro é o caso de uma ex-servidora (pública, o que é mais sintomático) do Ministério do Trabalho, que abriu os olhos depois que a pasta foi extinta e s…

Discurso honesto de Bolsonaro na posse é uma lição para as esquerdas

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Bolsonaro tomou posse. E foi sincero, coerente. Não fez uso de discursos conciliatórios, foi direto ao ponto. Disse aquilo que seus eleitores gostariam de ouvir.

As demagogias estavam presentes. Acabar com o socialismo no Brasil [sic], uma aberração conceitual, mas que ajudou a elegê-lo. Prometeu acabar com a ideologia marxista na sala de aula, mais uma falácia que ele confirmou no discurso da posse. Também prometeu que o Brasil não fará comércio mundial com viés ideológico, outra aberração que só vai prejudicar a já raquítica participação do nosso país no comércio internacional. Também citou as velhas e já desgastadas defesas da família e pediu a proteção de deus. Nada de novo.

No entanto, seu mérito foi a coerência. Não lançou mão da falácia de que a partir de agora será o presidente de todos, que vai unir o Brasil e outras besteiras que o PT infelizmente insistiu em dizer, equivocadamente.

Se tem uma coisa que o Bolsonaro sabe é que não existe essa coisa de "todos". É nós…

Brasil de Bolsonaro inaugurará inédito fascio-capitalismo

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Hoje começa uma nova era para o Brasil. Pela segunda vez, e não pela primeira, como se tem dito por aí — se levarmos em conta a ditadura varguista do Estado Novo — o país experimentará um governo de extrema-direita.

E o que isso significa? Vamos ter alguma ideia logo mais, no discurso de posse do presidente Jair Bolsonaro. Mas em linhas gerais, haverá uma reação governamental a conquistas dos chamados grupos minoritários nos últimos 15 anos, que incomodaram bastante as classes médias. Além disso, soluções violentas para combater a violência, bem do feitio desses grupos demagógicos. No entanto, pelo menos em um aspecto, o governo que beira o fascismo que está por vir tem uma característica especial. Vamos aos detalhes históricos primeiro.
Nazistas e fascistas anticapitalistas Quando Mussolini e Hitler chegaram ao poder, respectivamente na Itália e na Alemanha, tanto estes ditadores quando grande parte da população de seus países tinham uma clara rejeição ao liberalismo, que durante o p…