Bolsonaro e o oportunismo palmeirense

Não é de hoje que o presidente eleito Jair Bolsonaro descobriu a popularidade que o futebol pode proporcionar. Nestes últimos anos, foi visto com camisas de diversos times de futebol nos estádios, sempre buscando angariar simpatias entre os torcedores.

Mais ou menos como fazem os grandes artistas internacionais. No Brasil, durante a apresentação no palco, levam o público ao delírio quando empunham a bandeira nacional e dizem "vocês são o melhor público para quem tocamos em todos esses anos!". Três dias depois, fazem a mesma coisa na Argentina, para depois fazer no México, e assim por diante.

Até pouco tempo atrás sabia-se que Bolsonaro era botafoguense. Mas isso não o impediu de aparecer no Maracanã para torcer para o Vasco com direito a camisa do clube e tudo. Também já foi flagrado no Mané Garrincha, em Brasília, com a camisa do Flamengo durante um jogo do time carioca naquela cidade. E o tricolor carioca também foi "homenageado" pelo presidente eleito:


Tem algum problema um político que aparece fazendo média com os torcedores da cidade em que angaria seus votos? Aparentemente não, apesar de ser uma estratégia apelativa. A questão é que, coincidentemente com o título do Palmeiras, Jair Bolsonaro agora se diz "torcedor declarado" do alviverde.


Quer holofote melhor no país do futebol do que entregar a taça de campeão nacional ao clube vencedor, num estádio para 45 mil pessoas e transmissão ao vivo pra todo o país?

Lula também tinha time, mas uma paixão genuína pelo Corinthians, com todos os bônus e ônus que essa condição pode lhe dar. Dizia-se simpatizante do Vasco também no Rio, como todo brasileiro que tem o seu segundo time do coração, mas de fato, todos sabem que é pelo Corinthians que o ex-presidente torce. Mas quando você percebe que pode tirar proveito de surfar na onda do momento, fazer média com determinado segmento em troca de popularidade (e voto, principalmente), a coisa começa a ficar perigosa.



O oportunismo barato do presidente eleito já ficou bastante evidente quando ele, estrategicamente, radicalizou seu discurso mirando com precisão cirúrgica determinados segmentos importantes e descontentes do eleitorado. Uma lista extensa do que há de pior em qualquer sociedade: homens que batem em mulher, que sentem atração física homossexual mas reprimem esse sentimento com violência, brancos que se sentiram prejudicados com a concorrência de negros diplomados por um emprego bem colocado...

Bolsonaro encantou essas pessoas com um discurso totalmente construído para elas. Mas não teria sido eleito se não tivesse dado uma das suas jogadas mais  oportunistas, exatamente como no futebol, mas dessa vez, em direção aos evangélicos.

Jair Bolsonaro é católico "assumido", mas fez a sua campanha toda baseada em agradar aos ouvidos evangélicos, prometendo cumprir toda a cartilha desse segmento xiita no seu governo. Um típico oportunismo barato que demonstra o caráter maleável de quem quer tirar proveito de onde puder.

Agora o futuro governo promete ser um governo de combate à corrupção. Nem foi eleito e Bolsonaro já teve que dar declarações constrangedoras sobre os ministros que escolheu para atuar a seu lado. Dentre entres um já condenado e o outro, o cérebro do governo, sendo acusado de corrupção, além de ter tido que voltar atrás em outras nomeações.

Se já é preciso tomar cuidado com pessoas oportunistas no dia-a-dia nas nossas vidas, para não sermos usados, enganados a troco de interesses alheios, o que dirá com um mandatário da presidência da República que muda de opinião de acordo com as conveniências, como quem muda de time de futebol.

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