18 de dezembro de 2018

Embraer: classes dominantes brasileiras querem o Brasil como eterna colônia

KC-360, um orgulho nacional que será sabotado com a fusão da Embraer com a Boeing


Para alguns países, não existe muita alternativa. Por conta do seu tamanho diminuto, sua população inexpressiva ou território com falta de recursos importantes, o protagonismo mundial não está na agenda. Para estas nações, a dependência é uma realidade difícil de superar.

Mas existem outras nações com uma segunda alternativa. Justamente por conta da dinâmica de suas economias, de um mercado interno formado por uma grande população, vasto território repleto de recursos naturais, os governos desses países poderiam finalmente se livrar do opressivo assédio provocado por outros países. Poderiam, elas próprias, investir em si mesmas, confiando na sua força e no seu orgulho.

Por que muitos desses países, ao contrário, preferem a eterna submissão aos interesses estrangeiros como se pequenos fossem?

É o caso, infelizmente, do nosso país.

Certamente por conta do nosso passado colonial, quando a dependência econômica de uma ou várias potências estrangeiras moldou a psicológica vassalagem das nossas elites, o seu complexo de vira-latas, seu ódio por este povo mestiço com o qual ela não se identificava, o Brasil até hoje paga por esta herança maldita.

Não cabe aqui fazer um balanço histórico de como essa psicologia degradante atravessou gerações até chegar a nossos políticos, empresários, latifundiários, e principalmente nossas Forças Armadas (FF.AA.). Mas o fato é que ela sobreviveu e está mais viva do que nunca.

A submissão das Forças Armadas brasileiras

Em muitas nações por este mundo afora, a sobrevivência de um povo, sua liberdade e sua soberania, além da defesa incondicional de suas riquezas naturais dependem exclusivamente do grau de nacionalismo das suas Forças Armadas. Podemos citar o caso da Síria, cujo exército é amado pelo povo, há anos em guerra contra forças apoiadas por países estrangeiros de olho no petróleo do país. Esse é o papel das Forças Armadas.

No Brasil, a história é muito diferente. Décadas atrás, nossos oficiais resolveram se ajoelhar incondicionalmente a todo interesse do império estadunidense. Primeiro, importando conceitos da autoritária, fascista e antidemocrática Doutrina de Segurança Nacional, que virou as FF.AA contra sua própria população nacional a pretexto de combater comunistas imaginários, e segundo, na forma de apoio incondicional a qualquer decisão econômica do imperialismo na economia brasileira, mesmo que atente contra os interesses nacionais.

Essa é uma característica lamentável de nossas Forças Armadas, uma total prostração aos interesses de uma nação estrangeira.

Um caso que exemplifica essa postura é a entrega da empresa brasileira de aviação, a Embraer, para ser absorvida e dissipada no seio da gigante norte-americana Boeing. Nada explica essa passividade, essa covardia e falta de nacionalismo dos homens que deviam honrar a farda e as armas que os cidadãos brasileiros colocam em suas mãos para a defesa do país, mas que apoiam tal medida. Uma violação dos interesses nacionais não se dá apenas quando um país avança sobre o território geográfico de outro; ocorre muitas vezes no campo da ideologia. Os militares, que, de forma controversa, se colocaram como tutores da democracia, deveriam fazer valer seu dever constitucional para com esta pátria para fazer os políticos vetarem mais esse atentado contra os interesses nacionais, e não ficarem satisfeitos como parecem estar.


Sabotando a indústria nacional

Em 2013, o Brasil firmou a compra de 36 caças suecos Gripen com uma novidade não muito comum no mercado capitalista: a transferência total de tecnologia. Mais do que mero negócio, foi uma verdadeira parceria estratégica entre Brasil e Noruega, mas que afetou os interesses puramente comerciais das concorrentes, incluindo a Boeing.

A Embraer começava a crescer no mercado internacional de aviação civil, seus jatos de médio porte dominavam o setor, e seu KC-390, o cargueiro de médio porte mais promissor da aviação internacional, deslumbrava os especialistas, sendo um verdadeiro orgulho nacional, com poderosos interessados na compra, como a China. Além desses nichos de mercado que ela dominava, poderia entrar também no lucrativo e fechado negócio da fabricação de caças, o que certamente fez a Boeing se mexer para cuidar de seus interesses, portanto, para prejudicar a evolução da empresa brasileira no mercado mundial.

Tudo isso foi sabotado, jogado por água abaixo, com a colaboração de brasileiros subservientes, capachos dos interesses alienígenas.

A elite civil e sua estratégia estúpida

Outro caso inaceitável de submissão e covardia da direita brasileira é no boicote ao BRICS. O acrônimo representa países justamente daquele tipo citado acima, grandes e fortes o suficiente para propor um caminho alternativo ao seu desenvolvimento, longe da influência castradora do imperialismo estadunidense. O novo governo brasileiro, sem esconder de ninguém seu alinhamento incondicional, servil e covarde aos interesses dos Estados Unidos, resolveu defender um BRICS sem China, uma aberração ideológica quase inacreditável. A China é o maior mercado de exportação do Brasil, um parceiro estratégico para nossas commodities, além de ser a próxima primeira economia mundial daqui a pouco tempo. Como o Brasil prefere abrir mão de uma parceria estratégica num fórum onde seria tratado como um dos protagonistas, como no BRICS, para se colocar de forma vil e mesquinha na retaguarda de uma potência decadente?

O Brasil é um país de enorme potencial, com uma população trabalhadora e que não merece as classes dominantes que têm. Uma classe vassala, com baixa auto-estima, que prefere eternamente ser parceira da rapinagem nacional que os estrangeiros fazem aqui do que assumir a responsabilidade de colocar este país gigante aonde ele merece estar, ao lado de China, Rússia, Índia e outros países do G-20 como protagonistas do cenário internacional. Exatamente como Lula fez em apenas oito anos de governo, com uma linha de interesse nacional orientando a política internacional, e que as classes dominantes, junto com seus aparatos no judiciário, na política e nas FF.AA, conseguiram destruir em apenas dois, e cuja vassalagem prometem aprofundar nos próximos quatro.

O Brasil é o país do futuro. Do futuro sabotado por ele próprio.


7 de dezembro de 2018

Um pequeno resumo dos últimos dois anos de política brasileira



Pra quem ainda não entendeu como e por que Bolsonaro chegou a ser eleito:
  1. houve um trabalho muito bem arquitetado pelas classes dominantes neste país desde 2016. Começou lá quando o Aécio Neves negou-se a aceitar a derrota numa eleição limpa e incontestável;
  2. continuou com deputados desmoralizando o novo governo com pautas-bomba;
  3. a chantagem de um corrupto do mais alto gangsterismo que então presidia a Câmara colocou o Impeachment em pauta;
  4. dois juristas pagos pelo PSDB criam a ridícula tese das pedaladas fiscais;
  5. um Congresso apodrecido e de baixíssimo nível tira Dilma do mandato;
  6. com a aproximação das eleições, Lula ainda representava o perigo de pôr tudo a perder. Era preciso tirá-lo do jogo e um juizeco de primeira-instância o condena com base em provas totalmente contestáveis;
  7. a eleição se aproxima e o tucanato está morto, o partido Novo ainda é um nanico e a alta burguesia, sem nomes convincentes dentro dos seus quadros tradicionais, lança um balão de ensaio chamado Luciano Huck que não decola;
  8. sem opções, as classes dominantes lançam sua última tacada: se associam com um dos maiores boçais que a política desse país já foi capaz de produzir, desde que ele, eleito, feche os olhos para a orgia que serão estes 4 anos de mercado descontrolado.
Fim da história.

3 de dezembro de 2018

Bolsonaro e o oportunismo palmeirense

Não é de hoje que o presidente eleito Jair Bolsonaro descobriu a popularidade que o futebol pode proporcionar. Nestes últimos anos, foi visto com camisas de diversos times de futebol nos estádios, sempre buscando angariar simpatias entre os torcedores.

Mais ou menos como fazem os grandes artistas internacionais. No Brasil, durante a apresentação no palco, levam o público ao delírio quando empunham a bandeira nacional e dizem "vocês são o melhor público para quem tocamos em todos esses anos!". Três dias depois, fazem a mesma coisa na Argentina, para depois fazer no México, e assim por diante.

Até pouco tempo atrás sabia-se que Bolsonaro era botafoguense. Mas isso não o impediu de aparecer no Maracanã para torcer para o Vasco com direito a camisa do clube e tudo. Também já foi flagrado no Mané Garrincha, em Brasília, com a camisa do Flamengo durante um jogo do time carioca naquela cidade. E o tricolor carioca também foi "homenageado" pelo presidente eleito:


Tem algum problema um político que aparece fazendo média com os torcedores da cidade em que angaria seus votos? Aparentemente não, apesar de ser uma estratégia apelativa. A questão é que, coincidentemente com o título do Palmeiras, Jair Bolsonaro agora se diz "torcedor declarado" do alviverde.


Quer holofote melhor no país do futebol do que entregar a taça de campeão nacional ao clube vencedor, num estádio para 45 mil pessoas e transmissão ao vivo pra todo o país?

Lula também tinha time, mas uma paixão genuína pelo Corinthians, com todos os bônus e ônus que essa condição pode lhe dar. Dizia-se simpatizante do Vasco também no Rio, como todo brasileiro que tem o seu segundo time do coração, mas de fato, todos sabem que é pelo Corinthians que o ex-presidente torce. Mas quando você percebe que pode tirar proveito de surfar na onda do momento, fazer média com determinado segmento em troca de popularidade (e voto, principalmente), a coisa começa a ficar perigosa.



O oportunismo barato do presidente eleito já ficou bastante evidente quando ele, estrategicamente, radicalizou seu discurso mirando com precisão cirúrgica determinados segmentos importantes e descontentes do eleitorado. Uma lista extensa do que há de pior em qualquer sociedade: homens que batem em mulher, que sentem atração física homossexual mas reprimem esse sentimento com violência, brancos que se sentiram prejudicados com a concorrência de negros diplomados por um emprego bem colocado...

Bolsonaro encantou essas pessoas com um discurso totalmente construído para elas. Mas não teria sido eleito se não tivesse dado uma das suas jogadas mais  oportunistas, exatamente como no futebol, mas dessa vez, em direção aos evangélicos.

Jair Bolsonaro é católico "assumido", mas fez a sua campanha toda baseada em agradar aos ouvidos evangélicos, prometendo cumprir toda a cartilha desse segmento xiita no seu governo. Um típico oportunismo barato que demonstra o caráter maleável de quem quer tirar proveito de onde puder.

Agora o futuro governo promete ser um governo de combate à corrupção. Nem foi eleito e Bolsonaro já teve que dar declarações constrangedoras sobre os ministros que escolheu para atuar a seu lado. Dentre entres um já condenado e o outro, o cérebro do governo, sendo acusado de corrupção, além de ter tido que voltar atrás em outras nomeações.

Se já é preciso tomar cuidado com pessoas oportunistas no dia-a-dia nas nossas vidas, para não sermos usados, enganados a troco de interesses alheios, o que dirá com um mandatário da presidência da República que muda de opinião de acordo com as conveniências, como quem muda de time de futebol.