7 de setembro de 2018

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Intolerância e violência. Quem as semeia, não pode colher outra coisa. De tanto pregar o ódio, de tanto aparecer com fuzil, de tanto incentivar gestos de tiros com as mãos, inclusive em crianças, de tanto defender que a população resolva suas divergências com armas de fogo, Jair Bolsonaro caiu vítima de seu próprio veneno. Não um ataque à bala, por sorte, mas com uma faca.

Era quase como uma bomba-relógio ambulante. Bolsonaro provocou a todos: os de esquerda, os de direita, provocou as mulheres, provocou os negros, os gays, quase todas as minorias e os vulneráveis. Só poupou a entidade sacrossanta do mercado, a mesma cujo templo representado pela bolsa de valores deu picos de alegria lá no alto com o seu risco de morte.


Já havia confessado estar com receios de um ataque — não era para menos —, o que, de fato, aconteceu. Ontem, tal como uma vítima de bullying que aguenta provocações e insultos durante anos mas que um dia perde o controle e desconta sua raiva no seu agressor, Adelio Bispo de Oliveira encontrou a oportunidade de desferir uma facada no alvo de suas frustrações. Depois do ataque, as mídias foram atrás do perfil do agressor através das redes sociais, e encontraram um ser perturbado, mais uma vítima de sites que fomentam teorias da conspiração Illuminati e nova ordem mundial, esses lixos virtuais que entulham a internet, mas que fazem a cabeça de muita gente, especialmente no Brasil.

Talvez quisessem encontrar um grande militante de uma vertente político-revolucionária, um discurso teoricamente embasado e uma causa determinada. Mas se deram mal. Cada um tem o algoz que merece. O de Bolsonaro é um lunático como ele.




Agora, obviamente, o líder das pesquisas esfaqueado se tornará um mártir, um herói para seus seguidores, e é provável que o encanto de uma vítima de atentado que sobreviveu seduza ainda mais eleitores. Provavelmente reduzirá um pouco a altíssima taxa de rejeição do candidato. Será suficiente para lhe garantir a vitória do pleito eleitoral?

Esse é mais um elemento complicador nesta já complexa e imprevisível campanha eleitoral.
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