"Lula do México" vence a eleição



Em muitos aspectos, o México é um país parecido com o Brasil. Um país extremamente católico, com um povo supersticioso, com governantes que nos últimos 30 anos prometeram colocar o país no caminho do desenvolvimento se ele seguisse a cartilha do mercado, e que, obviamente, foi enganado, e que afunda em calamidades sociais provocadas pela extrema violência social e corrupção generalizada.

Povo mexicano elege candidato de esquerda pela primeira vez

Neste cenário, não admira que o povo, cansado das promessas neoliberais que nunca se realizam, tenha escolhido por ampla maioria um candidato com ares de Salvador da Pátria, um herói que promete tirar o México do buraco que a especulação e o mercado financeiro o enfiaram. Andrés Manoel Lopes Obrador, do partido Morena, de esquerda, venceu a eleição com a maior votação da história mexicana.

Lopes Obrador, o "Lula mexicano"

Alguns analistas brasileiros o tem chamado de "Lula mexicano". Talvez porque o Lula de 2002 tenha sido eleito num cenário muito parecido no Brasil, de descrença com a economia, rejeição total ao governo neoliberal tucano, crise, desemprego, e etc. Ou talvez porque estes analistas tenham esperança de ver em Obrador o Lula de 2018, também vencendo a recente onda reacionária de direita que andou varrendo a América Latina para emplacar um governo de esquerda.

A justiça mexicana também é igual a nossa?

Lopes Obrador promete mexer em assuntos polêmicos para qualquer sociedade onde exista uma classe privilegiada e conservadora, especialmente católica: reduzir a desigualdade social e ampliar direitos de minorias, como da comunidade LGBT, além de apoiar o aborto.

Se cumprir sua promessa, vai causar o alarde daquelas classes dominantes mexicanas, e a população mais pobre daquele país, beneficiária de um governo de esquerda, deve torcer para que apenas Lopes Obrador se pareça com Lula, e não os nossos sistemas judiciários. Pois quem garante que não surja na justiça mexicana juízes e ministros abjetos dispostos a fazer o trabalho sujo em nome do capital, tudo com as aparências de legalidade, como temos aqui no Brasil?

Melhor não ser tão Lula

Pensando bem, os mexicanos devem torcer para que Obrador não traga para o seu próprio governo, por exemplo, elementos dos partidos de centro e direita derrotados PRI e PAN; que não ceda à bancada católica como Lula e Dilma cederam à bancada evangélica na hora de mexer em temas sensíveis à comunidade cristã; que não coloque na pasta de economia representantes do setor financeiro educados na famigerada doutrina da Escola de Chicago e com ligações com Wall Street para agradar o mercado; que não seja covarde na hora de enfrentar os oligopólios da mídia mexicana e que não recue na implementação da lei de médios; enfim, que não seja tão Lula assim.




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