23 de julho de 2018

É o fim do Lulinha Paz e Amor?



Fernando Haddad é o coordenador da campanha de governo da candidatura Lula em 2018. Em entrevista ao site do jornal Valor, falou um pouco sobre as propostas para o país e os caminhos jurídicos que o PT deve tomar para garantir que o ex-presidente possa sair candidato.

Controle das mídias

Algumas dessas medidas, reveladas pelo ex- ministro da Educação, seriam facilmente identificadas como propostas de esquerda, embora Haddad, com todo o cuidado, tenha preferido classificá-las como "radicalmente liberais". Uma pequena concessão certamente calculada no intuito de não alarmar ainda mais as reacionárias classes-médias para um programa que elas classificariam facilmente, no seu entendimento torpe de política, como "bolivarianas".

Haddad prometeu focar em 4 pautas principais: econômica, social, política e ecológica. Dentro da discussão econômica e social está a prioridade de Lula, se eleito, atacar o oligopólio dos grandes meios de comunicação, principalmente a Globo.

De fato, as maiores democracias do mundo contam com algum tipo de controle social e regulamentação das mídias, para evitar monopólios e propriedades cruzadas, que no fim das contas levam a um pensamento único, corporativo, que é repassado à população como única verdade dos fatos, especialmente no jornalismo.




Lula chegou a propor de maneira séria no seu segundo mandato, sob o comando do então secretário de Comunicação Social (Secom), Franklin Martins, uma maior pluralização das mídias, através de discussões e propostas ouvidas em debates com setores civis. A forte reação da Rede Globo, que acusou a medida de autoritária e repressiva da livre expressão em diversos editoriais do Jornal Nacional (quando, na verdade, é o contrário, é dar mais vozes aos excluídos de representação) fez o governo recuar lamentavelmente.

Ainda assim, o governo Lula poderia ter combatido os monopólios de outra forma: redistribuindo a divisão de verbas de publicidade governamental, quando as pesquisas da área mostravam que a maioria esmagadora da bilionária verba de propaganda do governo ia exatamente para a empresa de televisão que mais atacava duramente o próprio governo, o que não foi feito.

Lula, provavelmente, ao trazer de volta essa proposta agora, deve estar arrependido de não ter levado a cabo o controle das mídias quando podia. Provavelmente seu atual destino poderia ser bem diferente do que preso e impedido de concorrer a uma eleição com base em boatos e acusações não comprovadas, difundidas dioturnamente pelas mesmas empresas majoritariamente beneficiárias da verba do governo.

O setor bancário

Outro setor importante que o improvável futuro governo Lula promete atacar é o bancário. Haddad afirma na entrevista que o crédito bancário vai receber "um choque liberal contra o patrimonialismo oligopólico". Segundo ele, os spreads* altos espoliam os mais pobres. A solução então seria um sistema de premiações e punições com vantagens tributárias para os bancos que aderirem às novas regras.





Este é outro setor que concentra um dos lobbies mais poderosos do país. Seu poder político vem justamente do seu poder econômico. É tão difícil de ser contrariado, que Lula, no seu primeiro mandato, lançou a famosa "Carta aos brasileiros", na verdade um comunicado ao mercado prometendo que seu governo não iria atacar o tripé macroeconômico (taxa de inflação baixa, câmbio flutuante e taxa de juros elevada) que favorece o setor financeiro do país. Tanto que os bancos jamais lucraram tanto quanto nos governos petistas. É caso de se perguntar, mais uma vez, por que agora, e não antes. 

Em sua entrevista, Haddad também afirma que o governo vai propor uma medida especialmente estimada pelos partidos de esquerda, mas que desde a Constituição de 88, que previa tais medidas, jamais fora regulamentada: taxação de heranças e fortunas. 

Como Lula pretende sair candidato

Não se sabe, no entanto, se o golpismo que se infiltrou no judiciário irá permitir, de forma surpreendente, a candidatura de Lula. A estratégia do PT, segundo Haddad, é registrar a candidatura de Lula normalmente no TSE. Em caso de recusa, entrar com uma liminar no STF e só depois, em caso de fracasso, discutir com Lula um plano C. 

Fica claro que o governo Lula, se eleito, promete, com 16 anos de atraso, ou seja, desde que teve o primeiro mandato em 2002, cumprir as pautas progressistas para o qual fora eleito com 50 milhões de votos. De lá pra cá, muitos dos seus colegas presidentes sulamericanos conseguiram avançar nessas medidas, não sem enfrentar setores ferozes detentores de seculares privilégios indevidos, como aqui. 




Talvez com um atraso demasiado grande, numa conjuntura atual absolutamente desfavorável, pode ser um grito de esperança do povo brasileiro contra a inacreditável desenvoltura da direita golpista no poder em atacar direitos dos mais pobres e o patrimônio nacional. Ou pode ser mais um capítulo triste na história petista, aquilo que o filósofo Vladimir Safatle classificou precisamente como "estação das cerejas vermelhas": a tendência dos candidatos petistas prometerem uma agenda progressista em época de eleição para, uma vez eleito, desfazer todas as promessas para embarcar naquilo que eu chamaria de neoliberalismo suave que caracterizou os governos do PT. 

Sem dúvida, a indefinição da candidatura de Lula é mais um capítulo nesta campanha eleitoral das mais indefinidas da história. 

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* Segundo o site Significados, Spread bancário é a diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que eles cobram ao conceder um empréstimo para uma pessoa física ou jurídica. Nesse contexto, o termo inglês "spread" significa "margem". Para os bancos, quanto maior o spread, maior é o lucro nas suas operações. O spread bancário brasileiro é um dos mais altos do mundo, o que gera muitas críticas, uma vez que é um dinheiro que poderia estar fazendo girar a economia e não ser totalmente utilizado pelos bancos.

17 de julho de 2018

A diferença de ensino e educação no Brasil



Poucas pessoas atentam para a diferença crucial que existe entre ensino e educação. Essa confusão interfere diretamente, no espectro geral, na qualidade da formação de cidadãos e na capacidade das pessoas saberem conviver num ambiente adequado de civilidade e cidadania.

Ensino é o que o Estado brasileiro e também algumas instituições particulares oferecem de maneira formal, através de saberes selecionados e organizados num currículo escolar que determina o mínimo que uma pessoa deve dominar em termos de conhecimento para poder fazer parte de uma sociedade.



Já a educação é todo o conhecimento circulante disponível que as pessoas podem e devem absorver para complementar a sua formação continuada. E quais são as fontes dessa educação? Vamos ver as mais importantes.

A primeira, e talvez a principal, é a família. Os pais — e também avós, tios, etc. — desde o nascimento dos seus filhos são encarregados de educá-los (muitas pessoas pensam que esse é o papel da escola), mostrar a eles o funcionamento das coisas, o comportamento adequado, e principalmente despertar na criança o espírito da curiosidade, a base do interesse em qualquer conhecimento.

Além da família, os mais velhos de qualquer sociedade eram aqueles responsáveis no passado a transmitir o conhecimento para os mais jovens e eram admirados e respeitados por isso. Mas ainda hoje existe muito o que se aprender com os idosos, que viveram experiências que podem orientar os mais jovens no melhor caminho de suas vidas.

Além deles, os livros, é claro, são fonte crucial de educação. Um leitor vive muitas vidas em uma só, através do conhecimento que adquire ao incorporar toda a sabedoria acumulada e guardada nestes receptáculos de saber.

E por fim, as mídias, especialmente a internet e a TV hoje em dia, que colocam o mundo inteiro numa tela diante do espectador/internauta.

O segredo do sucesso de muitos países pode ser investigado se observarmos rapidamente a base de sua educação. Para isso vamos deixar de lado o ensino formal, hoje muito voltado para o mercado de trabalho no mundo inteiro, para focar na educação que forma o cidadão em valores humanos e cidadania.



Os países orientais hoje em dia são conhecidos por sua alta indústria tecnológica, mas poucos se dão conta de que essa tradição é muito recente. E só aconteceu porque os orientais tem uma outra tradição mais antiga, que é a vontade de aprender. Nessas sociedades, os mais velhos são valorizados e respeitados, seus saberes são absorvidos pelos jovens, e assim, por exemplo, o Japão pôde aprender com o Ocidente a ser um país de primeiro mundo, sem, no entanto, perder suas origens.

Em outras sociedades, como a europeia, por exemplo, embora haja — em menor grau — o respeito pelos idosos, foi a massificação precoce da leitura o que tornou, em grande medida, os países desenvolvidos. A erradicação do analfabetismo antes do advento da televisão foi o grande trunfo desses países, pois a educação foi fomentada principalmente pela literatura.

A família é a base de toda a sociedade, mas em algumas delas, exerce um papel determinante. Especialmente nas sociedades latinas (e também, dizem, nas judias). A família latina (e latino-americana) é muito presente na vida de um jovem, e muitas vezes continua sendo na vida adulta, influenciando diversas decisões ao longo da vida. São famosos os arquétipos da sogra ciumenta que se mete em tudo na vida do filho adulto, do pai ciumento que intimida todos os namorados da filha, ou que esses filhos morem juntos na mesma casa dos pais depois de casados... Isso em contraste com as sociedades anglo-saxãs como nos Estados Unidos, onde os filhos basicamente ficam em casa até os 18 anos e depois invariavelmente ganham o mundo e sua independência.

Mas e o Brasil?

O Brasil, como não poderia deixar de ser, é um país complexo com diversas dessas vertentes. Mas as que predominam infelizmente não são as melhores.

Por mais que tenhamos algumas regiões onde o respeito ao conhecimento dos mais velhos, da família (como nas classes médias) e dos livros (muito pouco disseminado no país) estejam presentes, é a internet e a televisão que educam os mais jovens de maneira geral. E esse é o nosso grande problema.



A TV é mais antiga e ao contrário dos países europeus, se disseminou quando o país ainda padecia com uma grande maioria de analfabetos. O modal imagético foi perfeito nessas condições — muita imagem, muita fala, pouco texto, como nas novelas. Já sendo um modelo de transmissão de conhecimento onde predomina a passividade do público, foi ainda mais nocivo na medida em que a população brasileira não tinha a educação formal adequada para filtrar criticamente todo o conteúdo recebido. A TV serviu assim para moldar hábitos, costumes e ideias do brasileiro.

O mesmo com relação à internet. O Brasil diminuiu — um pouco — o número de analfabetos, mas a ditadura militar que precedeu o advento da internet no Brasil serviu para reforçar a assimilação acrítica do povo brasileiro, na medida em que um ensino e uma sociedade autoritários inibiam qualquer tipo de contestação.

Hoje a internet divide com a televisão — mas em vias de superá-la — como a principal fonte de conhecimento do cidadão brasileiro. Sem um aparato crítico adequado, o brasileiro absorve as mentiras, os boatos e as fake news que contaminam as redes e influenciam a sua forma de pensar e ver o mundo.

Um aparato crítico é a capacidade de uma pessoa entender, pensar, selecionar e analisar todas as informações que lhes chegam aos sentidos. Se a educação falha em promover esse tipo de ambiente, é a escola, ou seja, o ensino formal que deve resgatar essa capacidade para que a sociedade brasileira possa melhorar o seu baixo nível atual de conflitos e ideias distorcidas, conviver com as cada vez mais constantes e complexas informações disseminadas.

Além do ensino, a disseminação da leitura é fundamental para que a opinião dada ganhe profundidade e argumentação, e não isso o que vemos hoje, um mar de superficialidade e senso-comum que é repetido como verdade absoluta.

Os mais velhos também sempre têm o que nos ensinar, assim como a nossa família. Mas até essas fontes de conhecimento transmitidos de geração para geração podem e devem ser problematizadas. Se não fosse assim, ainda estaríamos vivendo uma época em que a escravidão era tolerada, os barões do café eram a classe dominante, e os casamentos eram arranjos de famílias. 


16 de julho de 2018

Christopher Hitchens e o infame trotskismo



Christopher Hitchens (1949-2011) era um escritor de colunas sobre variedades na esnobe revista Vanity Fair, quando começou a angariar fama na internet por conta de seus debates sobre religião em palestras e conferências gravadas em vídeo.

Concentrado na defesa do ateísmo, com um vasto cabedal cultural e uma inteligência mordaz, geralmente conseguia colocar todos os adversários na lona, e assim foi ganhando sua fama.

Eu, no entanto, só passei a conhecê-lo quando me deparei com seu maior best-seller numa feira de livros, em 2010: "Deus não é grande", uma obra que mistura religião, cultura e política de uma forma cativante, com uma especial crítica ao fundamentalismo islâmico.



Foi nesta ocasião que eu passei a acompanhar seu trabalho, muito mais pelo viés do ateísmo que compartilhamos do que pelas suas visões políticas, que já eram um tanto contraditórias há quase 10 anos.

Já então, Hitchens deixava claro que era um ex-militante de esquerda na juventude, mas que naquele momento, defendia os ataques (massacres) ao Iraque perpetrados pelo governo de George W. Bush, entre outras coisas lamentáveis.

Na época, sem conhecer suficientemente bem a trajetória do autor inglês naturalizado estadunidense, creditei essa falha de avaliação a uma distorção de entendimento da realidade, causada pela militância humanista/ateísta, confusão que o neurocientista e filósofo Sam Harris também cometera ingenuamente. Harris atribuiu a guerra do Iraque a uma cruzada positiva do Iluminismo ocidental contra as forças obscurantistas do islamismo, crendo que os Estados Unidos pudessem levar ciência àquelas regiões atrasadas do planeta. Erro grande, mas perdoável. Mas não no caso de Hitchens, como veremos.

Acabei de ler sua autobiografia de 2010, um ano antes dele falecer vítima de câncer. Ali eu pude compreender não só a sua trajetória política, mas reforçar meu entendimento sobre a indigência do trotskismo.

Na juventude, o inglês fizera parte de um grupo trotskista intitulado Socialistas Internacionais. Era uma espécie de grupo de universitários de classe média alta que se diziam de esquerda, nos anos 60, quando ser de esquerda era tão natural quanto ser jovem e roqueiro nos anos 80. O trotskismo era e ainda é uma espécie de rebeldia conservadora tolerada, uma fase da juventude onde os adolescentes buscam afirmação inofensiva criticando as crenças políticas dos pais. Mas nem tanto — e, por isso, é tolerada, e até incentivada, pelo sistema.



Grande parte da energia dos trotskistas é voltada para criticar a própria esquerda, especialmente o stalinismo. Hitchens era desses. Apesar de inglês (e talvez até mesmo por isso) fazia vistas grossas ao histórico imperialismo da Inglaterra, ao colonialismo assassino e à herança dessas práticas em regiões periféricas do mundo. Para ele, todo o mal do planeta se resumia à herança do stalinismo.

Em reuniões com seus amigos na juventude numa espécie de tertúlia intelectual sempre às sextas-feiras, eram debatidos temas ao gosto burguês como estilo literário, moda, e até política. Não surpreende que um desses personagens fosse o historiador Robert Conquest, uma espécie de Marco Antonio Villa inglês, intelectual a serviço da ordem, e também orgulhoso autor de obras antistalinistas, e que, também, não surpreendentemente foi aceito nos círculos conservadores ingleses. Robert Conquest é o mesmo historiador cuja obra é desmoralizada por autores que refutaram todos os seus erros históricos tendenciosos, como Ludo Martens e o respeitado filósofo italiano Domenico Losurdo. Mesmo assim, o mainstream literário internacional usa o refutado trabalho de Conquest até hoje como fonte de ataques contra Josef Stalin.

Mais tarde, nos anos 80, Christopher Hitchens se orgulha de ser um dos poucos autores "de esquerda" a elogiar o nojento governo da primeira-ministra inglesa Margareth Thatcher, evocando inclusive um suposto "sex-appeal" da ultrajante "Dama de Ferro".

Seu livro inteiro é permeado de pequenas menções críticas ao stalinismo, a uma simpatia pelos Estados Unidos, acrítica, idealizada, sem levar em conta, por exemplo, que ao se criticar Saddam Hussein é preciso retroceder até o momento em que os EUA fomentaram seu regime quando era conveniente (coisa que passa em branco durante o livro).



Mas o mais importante fato a se destacar da autobiografia é a clareza com que as relações entre trotskismo e imperialismo se dão de forma natural. Não há como negar, quando por exemplo, uma universidade inglesa tão tradicional e conservadora quanto Oxford se dispõe a publicar uma obra que, de outra forma, seria parte do Index burguês de livros proibidos. Mas ao contrário, a Oxford University Press muito alegremente, como relata Hitchens, publicou o livro de um "comunista" trotskista chamado Victor Serge, cujo título era "Memórias de um revolucionário". Por quê?

Apensas pensem... Porque, é óbvio, um "comunista" que faz o trabalho sujo para a direita, ao difamar o próprio comunismo, para o deleite das classes ricas e proprietárias, papel infame a que se prestou o próprio Leon Trotsky, sempre pode contar com espaço e prestígio nos jornais e editoras burgueses. E assim tem sido, desde que Stalin venceu a Segunda Guerra Mundial, e sua influência no mundo ocidental passou a ter que ser difamada para evitar sua popularização entre a classe trabalhadora mundial. Com a luxuosa ajuda dos trotskistas, é claro.

3 de julho de 2018

"Lula do México" vence a eleição



Em muitos aspectos, o México é um país parecido com o Brasil. Um país extremamente católico, com um povo supersticioso, com governantes que nos últimos 30 anos prometeram colocar o país no caminho do desenvolvimento se ele seguisse a cartilha do mercado, e que, obviamente, foi enganado, e que afunda em calamidades sociais provocadas pela extrema violência social e corrupção generalizada.

Povo mexicano elege candidato de esquerda pela primeira vez

Neste cenário, não admira que o povo, cansado das promessas neoliberais que nunca se realizam, tenha escolhido por ampla maioria um candidato com ares de Salvador da Pátria, um herói que promete tirar o México do buraco que a especulação e o mercado financeiro o enfiaram. Andrés Manoel Lopes Obrador, do partido Morena, de esquerda, venceu a eleição com a maior votação da história mexicana.

Lopes Obrador, o "Lula mexicano"

Alguns analistas brasileiros o tem chamado de "Lula mexicano". Talvez porque o Lula de 2002 tenha sido eleito num cenário muito parecido no Brasil, de descrença com a economia, rejeição total ao governo neoliberal tucano, crise, desemprego, e etc. Ou talvez porque estes analistas tenham esperança de ver em Obrador o Lula de 2018, também vencendo a recente onda reacionária de direita que andou varrendo a América Latina para emplacar um governo de esquerda.

A justiça mexicana também é igual a nossa?

Lopes Obrador promete mexer em assuntos polêmicos para qualquer sociedade onde exista uma classe privilegiada e conservadora, especialmente católica: reduzir a desigualdade social e ampliar direitos de minorias, como da comunidade LGBT, além de apoiar o aborto.

Se cumprir sua promessa, vai causar o alarde daquelas classes dominantes mexicanas, e a população mais pobre daquele país, beneficiária de um governo de esquerda, deve torcer para que apenas Lopes Obrador se pareça com Lula, e não os nossos sistemas judiciários. Pois quem garante que não surja na justiça mexicana juízes e ministros abjetos dispostos a fazer o trabalho sujo em nome do capital, tudo com as aparências de legalidade, como temos aqui no Brasil?

Melhor não ser tão Lula

Pensando bem, os mexicanos devem torcer para que Obrador não traga para o seu próprio governo, por exemplo, elementos dos partidos de centro e direita derrotados PRI e PAN; que não ceda à bancada católica como Lula e Dilma cederam à bancada evangélica na hora de mexer em temas sensíveis à comunidade cristã; que não coloque na pasta de economia representantes do setor financeiro educados na famigerada doutrina da Escola de Chicago e com ligações com Wall Street para agradar o mercado; que não seja covarde na hora de enfrentar os oligopólios da mídia mexicana e que não recue na implementação da lei de médios; enfim, que não seja tão Lula assim.