Brasil e Argentina experimentam mais uma vez as agonias do neoliberalismo


Brasil e Argentina vêm demonstrando muito claramente nos últimos meses aonde a crença cega no capitalismo de mercado desregulado pode levar. Aqui, depois de dois anos de governo pró-capital, tenta-se destruir quaisquer barreiras à rapina internacional de nossas riquezas. Isso sem falar na tentativa de acabar com a proteção das leis que dão conta dos direitos do trabalhador, entre outras medidas lesivas.

Na Argentina, a população experimenta a sensação de déjà vu, de regresso àquela época de neoliberalismo extremo com Menem e Cavallo, de meados dos anos 90.

A hipocrisia do atual governo Macri de bradar recuperar a economia do "kirchnerismo", acusado de corrupto e populista, entregando a Argentina nas mãos do mercado, deu justamente na crise cambial que vive agora o país mais uma vez, tendo que se ajoelhar humilhado perante o FMI em pedido de socorro financeiro.

Pedido esse que, como sabemos, só será atendido se o governo cumprir não um alívio e sim um aprofundamento nos pacotes neoliberais de austeridade como arrocho salarial, controle tirânico da inflação às custas do poder de compra, abertura de mercado e queda de barreira tarifária, e outros tiros no pé que sabemos bem como são.

No Brasil não é muito diferente. Deputados e senadores encenaram um dos papéis mais dantescos dos últimos tempos, um circo em pleno Congresso que chocou o país, para "livrar o país do PT". Com a posse do vice, Michel Temer, o país também deu uma sinalização de que as antigas restrições petistas à satisfação plena de todas as vontades do mercado seriam derrubadas.

Mais do que isso, o governo, sem nenhuma responsabilidade e sem ter que prestar contas dos seus atos, pois não foi eleito com nenhum voto, iria atacar todas as áreas possíveis nesses dois anos de mandato para satisfazer os desejos sádicos dos grandes caciques do sistema financeiro internacional. Leilão das reservas do pré-sal, venda da Caixa e da Petrobras na pauta, fim da proteção trabalhista, são apenas alguns dos mimos que este governo ilegítimo e golpista ofereceu os poderosos capitalistas.

Mas uma medida em especial causou todo o colapso e ameaça de desabastecimento que vive o país hoje em dia: a desregulação dos preços dos combustíveis.

Durante os governos petistas, o preço desses insumos eram controlados por políticas públicas. Para os setores mais ligados ao sistema financeiro internacional, portanto ao mercado, essa política causava "prejuízos".

Desde o final do governo Dilma, porém, os preços foram equiparados com as variações internacionais do dólar e da cotação do petróleo na bolsa de Nova Iorque. Resultado: na última semana, fora os anteriores reajustes do butijão de gás e da gasolina, o diesel teve que ser reajustado cinco vezes (sempre pra cima) no Brasil.

Qual o benefício disso para a maioria dos brasileiros? Nenhum. Mas para os acionistas, muitos estrangeiros, esse é o cenáro ideal. Maior valorização dos papéis e da participação nos dividendos.

É a serviço destes investidores capitalistas que o governo coloca a Petrobras. Uma estatal que deveria ter uma finalidade muito mais nobre, como produzir óleo para financiar a defasada e retardatária educação no país.

O resultado é sempre previsível, como todas as catástrofes do neoliberalismo. Tanto no Brasil quanto na Argentina, risco de colapso, revoltas, povo insatisfeito, sem esperança e privado dos mínimos direitos para que uma meia-dúzia possa se beneficiar.

Pena que, tal como as próprias crises do capitalismo mundial, o retorno de governos neoliberais lesivos pareça ser um fenômeno cíclico em nossas vidas na América Latina. 

Um comentário:

  1. Uma notícia importante que a imprensa mundial se recusou a publicar foi que o relator oficial independente das Nações Unidas, o Professor Alfred M. Zayas, disse há algumas semanas: que não havia qualquer "crise humanitária" na Venezuela apesar de relatórios e generalizações. "A população não sofre de fome, como em muitos países da África e Ásia – ou mesmo nas favelas de São Paulo e outras áreas urbanas do Brasil e outros países da América Latina.(…) A 'crise humanitária' pode ser facilmente explorada para justificar uma "mudança de regime", sob o pretexto de que o governo deixa as pessoas morrerem de fome. Alguns Estados dizem que o governo venezuelano já não é capaz de garantir os direitos do povo. Em consequência, surgiu uma crise humanitária, e agora eles querem intervir militarmente para "salvar" o povo venezuelano de uma experiência socialista fracassada" (venezuelanalysis.com/analysis/13614)

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