31 de janeiro de 2018

Como Lula pode virar o jogo contra seus algozes



 

O que está acontecendo no Brasil nos últimos anos não é mais segredo pra ninguém. Setores mais reacionários das classes dominantes, através de seus aparatos políticos-jurídicos, com o apoio de uma classe média histérica e politicamente estupidificada, além da propaganda ideológica veiculada em telejornais de empresas midiáticas com relações promíscuas com o poder, resolveram varrer do cenário o PT e seu legado.

Regir ou morrer

E os caras não estão para brincadeiras. Desde a reeleição de Dilma em 2014, parece que esses setores perceberam que era a gota dágua. Se Dilma cumprisse o mandato e por ventura o entregasse a Lula numa volta do ex-presidente ao governo federal agora em 2018, o PT poderia completar, no mínimo, 24 anos ininterruptos no poder, mais do que a ditadura militar, por exemplo. Seria fatal para uma oposição aninhada no tucanato do PSDB, que já perdera 4 eleições seguidas para o PT.

Por isso, desde 2014 os opositores se tranformaram em golpistas, como seus pais e avós em 64. Se, naquela época era a violência que varria as esquerdas do poder, agora são as filigranas jurídicas que cumprem esse papel de forma mais sutil.

Assim, com base em "provas" totalmente questionáveis, Dilma foi retirada do governo federal e Lula pode ser preso a qualquer momento. Tudo isso, tendo a Lava Jato como pano de fundo, faz parte de um mesmo movimento golpista, se olharmos em escala maior. A direita saiu do armário e tranformou o país numa republiqueta de bananas.

O que o PT deve fazer em outubro

Diante da óbvia condenação — pois não faria o menor sentido os ricos armarem um circo tão complexo para dar ares de legitimidade a um golpe descarado no Impeachment, e permitir que Lula voltasse como herói dois anos depois — o PT discute seus próximos passos. Há quem sugira, como Gleisi Hoffman e Dilma, que o partido não lance candidato e defenda o voto nulo. Outros querem que o partido lance candidato mesmo que não seja o Lula, mesmo com o desgaste do PT causado por uma superexposição negativa na imprensa alinhada com os golpistas. Qual seria a melhor opção?



Lula pode ser impedido de concorrer, pode ser preso na Papuda, mas seu capital eleitoral não pode ser encarcerado junto com ele. Pode ser transferido e deve. Lula já provou que é capaz de transferir votos do seu eleitorado fiel até para um poste, ou quase isso, tendo em vista a eleição da até então burocrática e discreta Dilma em 2010 para presidente. Lula deve escolher um candidato de esquerda, apoiá-lo, fazê-lo ser o próximo presidente, e assim vencer as eleições, mesmo que não seja candidato. Seria um tapa na cara dos golpistas.

É hora de provar que a tão decantada união das esquerdas proposta por Lula e Dirceu não é conversa fiada disfarçada pra resgatar o protagonismo e a liderança de Lula, e sim a vontade de fazer parte de um programa multipartidário de mudanças estruturais e que seja principalmente impessoal, fruto de muitos autores e não de uma liderança política específica.

Seria a maneira mais exitosa de conseguir uma vitória sobre os golpistas. Mesmo preso ou impedido, ser um político ainda influente no próximo governo, que, em dívida com o ex-presidente, estaria comprometido com suas propostas políticas.

Resta saber se Lula terá essa grandeza ou preferirá morrer inutilmente enterrado com seu capital eleitoral.

29 de janeiro de 2018

O discurso hipócrita de José Dirceu quer apagar a colaboração dos governos petistas com a alta burguesia


Aqueles membros do Partido dos Trabalhadores que foram expulsos logo após a vitória de Lula no pleito eleitoral de 2002 — muitos dos quais vieram a fundar o PSOL mais tarde — afirmam que José Dirceu foi o grande arquiteto da guinada do PT para o centro da política, abandonando assim compromissos históricos com as bandeiras da esquerda.

No poder, Lula, o PT e José Dirceu nos bastidores lançaram mão de práticas que até então criticavam na política dos outros, sendo a mais notória delas o chamado Valerioduto, um esquema de propinas a deputados herdado praticamente intacto do PSDB, que estava na raiz do que os petistas chamavam de "governabilidade": a necessidade de angariar (comprar, literalmente) apoio no Congresso para propostas que nem sequer eram das mais progressistas.

José Dirceu não lembra que o PT no poder teve chance de fazer tudo o que ele pede agora?

Naquela época, Dirceu e o PT, recém-chegados ao poder, acreditavam que seriam recebidos como iguais nas festas do "Grand Monde". Ledo engano. Os petistas sempre foram tratados como indesejáveis pelos altos círculos do poder e do dinheiro, como o pobre que viaja de avião pra Nova Iorque do lado do rico. Nem sequer o julgamento do Mensalão mostrou ao PT que ele não fazia parte do baile da alta burguesia, tendo em vista que até os estertores do governo Dilma, continuou governando com e para a direita, trazendo elementos da estirpe de um Eduardo Cunha e um Michel Temer para dentro do governo, pra ficar só nos mais notórios.

Agora, escorraçados, jogados na lata do lixo e varridos dos altos salões, José Dirceu, Dilma e Lula — um preso, outra "impitimada" e o terceiro lutando para não ser condenado — além de outros petistas, de repente se lembram de suas raízes pré-governo. É o que tenta demonstrar José Dirceu em vídeo gravado para o site pró-Lula Nocaute.

Nessa gravação, Dirceu convoca presidenciáveis de esquerda, artistas, partidos políticos, intelectuais, movimentos sociais e outros setores progressistas para o que ele chama "defesa da democracia", ou seja, de Lula ser candidato, "porque essa é a vontade do povo".



Dirceu pretende derrotar os golpistas, os bancos, os rentistas, a direita e os tucanos. Esqueceu-se da Globo, dos militares e importantes setores do cristianismo. Todos, de alguma forma, favorecidos nos governos petistas. Além disso, conclama aqueles grupos de esquerda a mobilizar o povo e cita o aniversário do PT em 19 de fevereiro como uma data de mobilizações. No fim afirma querer uma mudança radical no Brasil.

Tudo isso me soa um tanto surreal. Com este discurso, Dirceu tenta minimizar ou quem sabe até apagar da memória do cidadão brasileiro os quase quinze anos que o PT passou no poder sem tocar em nenhum privilégio dos ricos. Quinze anos despolitizando o conflito de classes em favor dos mais ricos. Quinze anos anabolizando uma direita outrora raquítica e derrotada, que agora cresceu e se voltou contra os mesmos que a ajudaram a se consolidar. E agora, depois de um projeto hegemônico de poder que excluiu todos os principais partidos e representantes da esquerda, depois de governar de mãos dadas com o que há de mais promíscuo nesse PMBD eivado de gângteres, pedem a união dos mesmos que foram ignorados e até massacrados nas ruas com o apoio das leis de repressão policial sancionadas pelo PT?

José Dirceu, vai te catar. O projeto de conciliação de classes que você criou e que degenerou nessa realidade angustiante que vivemos precisa ser derrotado, pelas esquerdas, sem o PT. Ou, pelo menos, sem a cúpula do PT que você representou na política.

26 de janeiro de 2018

Lula, se conseguir se eleger, será refém permanente da ameaça de prisão



A burguesia nacional sempre odiou Lula, o operário agitador de sindicatos de origem nordestina e que, ainda por cima, sempre associou-se a símbolos caros à esquerda, como a ostentação de barba, bandeiras e estrelas vermelhas. Era demais para esta parcela altamente reacionária e emocionalmente ligada aos Estados Unidos.

No entanto, naqueles anos 80, ninguém jamais poderia imaginar que o então chamado sapo barbudo iria ser a carta na manga desta mesma burguesia numa disputa eleitoral anos mais tarde. A política é imprevisível.

Nas eleições presidenciais de 2002, depois de oito anos e dois mandatos seguidos do tucano Fernando Henrique Cardoso, a população estava à beira de um ataque de nervos com o governo, em frangalhos depois da política econômica neoliberal que corroeu empregos, salários, bem-estar, e até o fornecimento regular de eletricidade. Estávamos literalmente nas trevas.

A burguesia sabia que a população não iria dar mais um mandato para seus representantes políticos aninhados no tucanato do PSDB naquela eleição de 2002, e precisava pensar num plano B. Encontraram a solução num Lula ainda barbudo, ainda petista, mas despido de todo conteúdo ideológico de transformação social. Era o Lulinha Paz e Amor e sua Carta aos Brasileiros.

A partir daí, vimos os governos petistas manterem todo o aparato estrutural na macroeconomia que favorece os interesses da burguesia, do alto empresariado, do mercado e das instituições capitalistas internacionais.

Mas, reconheçamos, Lula deu feições mais amigáveis ao capitalismo, através de contrapartidas sociais. Poucas, mas o suficiente para reacender o antigo medo nos corações reacionários.

Com a burguesia salva do colapso, bem organizada e se sentindo cada vez menos dependente de um arranjo político de apaziguamento dos conflitos de classe, resolveu sair do armário nas suas mais diversas vertentes e áreas de atuação. Na política, na cultura, na educação, no judiciário... A bola de neve cresceu ao ponto de um golpe de estado jurídico em Dilma e um julgamento que ameaça prender Lula. Mas a burguesia, tacanha, esdrúxula e irracional, jamais aprende com a história, e quem não aprende com a história está condenado a repeti-la.



Michel Temer, a versão atual do governo tucano de FHC nos anos 90, ao aplicar o mesmo receituário antiquado neoliberal que quebrou o país 3 vezes naquela época, amarga a pior popularidade dos últimos tempos. Seu governo, sem respaldo eleitoral, é sustentado pela burguesia, que pensou que em menos de dois anos conseguiria empurrar goela abaixo do país suas reformas. A eleição deste ano está logo ali, e até agora, o governo vacila nas medidas mais impopulares, deixando as classes médias e os endinheirados sem ter certeza na continuidade do projeto espoliante.

Mais uma vez a burguesia brasileira se encontra em um dilema eleitoral. Que troço chato essa coisa das pessoas poderem votar não é mesmo? Apertando alguns botões na urna, o povo pode botar por água abaixo a maioria dos acordos de reformas impopulares. Qual seria a solução? Sim, amigos, ele mesmo... O velho Lulinha Paz e Amor. De novo. É a história se repetindo como farsa.

Duvida? Lula já deu indícios de que acena para seus algozes em troca da sua eleição. O que foi aquele ato no nordeste, em que convidou ao palanque Renan Calheiros do agora renomeado MDB? E as reformas, serão combatidas num possível governo? Claro que não...

Lula afirma que não anulará reformas de Temer se for eleito em 2018

Vejam vocês mesmos acima...

E agora, quem garante que a ameaça de prisão não sirva como chantagem a um Lula refém da justiça? Dependendo do que disser e fizer nos próximos meses, se se comportar e não contrariar as reformas neoliberalizantes da burguesia, vai poder concorrer mais uma vez a ser o gerente do capitalismo nacional. Se o seu discurso pender para a rebeldia, a Papuda é logo ali.

De uma forma ou de outra, Lula não foi e não pode ser opção para a esquerda enfrentar o avanço da burguesia na política nacional. O povo não merece a repetição de mais um ciclo que, no futuro, nos levará ao mesmo impasse de agora. É preciso superar a política de conciliação de classe. Com a burguesia não existe conversa.

23 de janeiro de 2018

Brasil, um país preso às correntes do atraso


Stefan Sweig viveu no Brasil seu último ano de vida, exilado das perseguições aos judeus promovidas por Hitler na sua terra natal, a Alemanha. O pouco que conheceu do nosso país foi o suficiente para que escrevesse um livro e o nomeasse com um título que durante décadas tem sido evocado nas mais diversas circunstâncias: "Brasil, o país do futuro".

Naquela época, um misto de encanto com as belezas naturais, o potencial de um povo mestiço e uma indústria nacional que começava a decolar justificariam a profecia do judeu-alemão. No entanto, quase 80 anos depois do vaticínio otimista, o futuro ainda está distante no horizonte. O Brasil capenga nas suas próprias dificuldades. Nesse período, nações verdadeiramente atrasadas sócio-economicamente, especialmente na Ásia, saíram de uma condição miserável para atingir níveis elevados de IDH, de tecnologia e de indústria, deixando o gigante tupiniquim a ver navios.

O Brasil, carente de uma verdadeira elite na acepção da palavra — segundo o economista Luiz Gonzaga Beluzzo, até temos ricos, mas não elites —  que sejam capazes de elaborar um projeto para este país, depende cada vez mais da exportação de commodities in natura para fechar suas contas. Como era na época do Brasil Colônia.




Dos dez principais produtos exportados pelo país até outubro do ano passado, sete eram agrícolas, como grãos de soja, açúcar bruto, café, etc.; dois eram matérias primas brutas, que são a fonte de diversos produtos industrializados que gerarão empregos lá fora: minério de ferro e petróleo bruto, e apenas um agregava alguma mão-de-obra especializada nacional (mais empregos no país), os automóveis, muito embora através de montadoras estrangeiras instaladas no país à custa de muita insenção fiscal.

Ao fim e ao cabo, é como se o Brasil ainda preferisse viver à reboque das grandes potências industriais como mero fornecedor agrícola, em vez de investir em pesquisa e desevolvimento, ciência e tecnologia para deselvolver a indústria nacional e colocá-la no patamar dos países ricos e desenvolvidos.

Mas não é apenas no setor de exportações que o Brasil parou ou retrocedeu. Em outras áreas, fica nítido o retrocesso por que passa o nosso país. Na cultura e entretenimento, por exemplo, lidamos com o fato de que pelo menos no Rio de Janeiro, 2/3 dos novos canais abertos da TV digital são religiosos. Gostaria de poder dizer que não tenho nada contra canais religiosos, mas não posso. Já seria inapropriado se houvessem mais canais de utilidade pública para equilibrar a balança, mas nem isso. Concessões públicas transformadas em meios de sectarismo fazem o já antigo princípio da laicidade do Estado parecer uma utopia no Brasil.

Já na principal emissora do país, a moda é reviver o passado através de remakes de programas de humor que fizeram sucesso há mais de 30 ou 40 anos. Isso pra não mencionar a estreia da décima-oitava edição do Big Brother nacional...

Assistir novas versões de Os Trapalhões e A Escolinha do Professor Raimundo me causa uma certa angústia, um tipo de mal-estar pelo humor inocente do passado que os puritanos adoram evocar para contrapor a uma suposta lascívia no humor atual, como se não houvesse a opção de um humor ao mesmo tempo que escrachado, porém inteligente. Coisa que o Monty Phyton da Inglaterra já fazia há décadas, já que a referência é mesmo o passado.

Na educação, a volta da moral e dos bons costumes através de uma imbecilidade conservadora chamada Escola Sem Partido evoca uma Guerra Santa nas escolas. Qualquer tipo de ensino mais progressista ou transformador é motivo de ataques dessa gente que faria a minha saudosa, carola e recatada avó parecer um fenômeno à frente do seu tempo.

O avanço das hostes conservadoras se dá também na política, quando um governo que tem como plano base um programa chamado Ponte para o Futuro aplica na política econômica um receituário fracassado dos anos 80, que já chegou atrasado no Brasil em meados dos anos 90, e que foi rechaçado pelo voto já havia quatro eleições. Ahh.. mas pra isso as elites, ou melhor, as classes ricas brasileiras, interessadas no arrocho dos mais pobres, foi recorrer a um artifício moderníssimo jamais visto no Brasil para burlar a interdição eleitoral ao plano econômico, chamado golpe.

O mesmo golpe que transformou a política no Brasil num jogo de trapaças e violências durante o século XX, um jogo que só vale enquanto determinados jogadores privilegiados estão ganhando. Quando o costumeiro perdedor ameaça mudar esse panorama, puxa-se o tapete, vira-se a mesa, mudam-se as regras do jogo... como em 1964. A diferença é que a virada de mesa dessa vez está mais sofisticada, com ares de legalidade jurídica. E assim o ex-presidente que ficou conhecido no mundo por erradicar a fome no Brasil em pleno século XXI, coisa que a maioria dos europeus conseguiu ainda no século XIX, senta no banco dos réus esta semana, para responder por acusações de corrupção.

Tá achando pouco? Então não esqueça de se vacinar contra a febre amarela, doença que há décadas era considerada sob controle, mas que ameaça causar surtos nas grandes cidades.

Mas nem tudo é só retrocesso nesse país. O renomado design conhecido por seus projetos futuristas Hans Donner sugeriu recentemente uma repaginada na bandeira nacional. Entre uma mudança ou outra sutil no tom das cores, está a inclusão da palavra "amor" no lema inscrito no lábaro estrelado. Nada demais, se Amor, Ordem e Progresso — "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim" — não tivesse origem na já anacrônica filosofia positivista do século XIX...

15 de janeiro de 2018

O paradoxo Lula


Já estava com saudade de poder escrever aqui no blog minhas humildes impressões sobre o cenário político-social deste país, algo que beira à insanidade, em que a razão e ponderação, tão caras a um bom debate, perdem espaço para a polarização das acusações vazias entre esquerda e direita.

E no centro dessa peleja, se encontra a figura onipresente do ex-mandatário da nação Luis Inácio Lula da Silva.

Muito já foi falado a respeito dos seus dois governos, de suas falhas e de seus méritos, mas pouco sobre seu legado na opinião pública e na política nacional. Lula, com suas contradições, conseguiu a proeza de ser atacado e defendido pelos dois espectros políticos, da direita à esquerda, o que o torna uma figura ímpar no quadro nacional.

Pelo lado da direita, as críticas partem com base num misto de preconceito de classe e medos irracionais, como é do feitio dessa vertente ideológica. Preconceito contra os milhões de miseráveis que ascenderam um modesto degrau na escala social nos governos petistas; e medo de que qualquer ajuda governamental aos menos favorecidos seja sinal de bolchevismo ou bolivarianismo. O foco é o Bolsa-Família e as relações do governo petista com governos internacionais que de alguma forma se rebelam contra o pleno domínio da América do Norte em assuntos de política e economia externas.Os méritos petistas, por outro lado, são reconhecidos de forma discreta, como a manutenção inquestionável do tripé da macroeconomia — resumidamente, inflação baixa, juros altos e pagamento religioso da dívida pública, a mina de ouro da burguesia brasileira — o que garantiu altos ganhos às classes dominantes e uma certa tolerância ao governo do mandatário indesejado.

Por outro lado, a esquerda não-petista se decepcionou bastante com os governos Lula. Suas alianças espúrias e quase pornográficas com elementos do gansterismo político nacional em nome de uma suposta governabilidade, como se não houvesse alternativa, resultou a longo prazo no fortalecimento de grupos de extrema-direita que hoje dominam o discurso político, quando deveriam ter sido esmagados defitinivamente quando estavam fracos, no momento em que Lula contava com sua maior popularidade. Lula também deixou a esquerda na mão ao abandonar pautas caras a este espectro ideológico, como o controle social e plurarização das mídias, taxa sobre riqueza e heranças, etc. Mas o Lulinha Paz e Amor do marketing político preferiu não contrariar as classes dominantes com uma agenda perigosa aos seus seculares privilégios, despolitizou a política, e hoje paga o preço por isso.



A defesa de Lula pelas esquerdas se dá no campo moral. As principais mídias, todas com algum laço ideológico ou econômico com as classes dominantes, massacram Lula diariamente em seus veículos, como se fosse o maior bandido do Brasil. As esquerdas afirmam que, apesar de seus erros do campo político, no campo criminal Lula não é melhor e nem pior do que as dezenas de bandidos que têm ficha corrida de fazer inveja a qualquer Elias Maluco.

Não, o Lula não é pior que eles. As fragéis provas que lhe imputam na tentativa de incriminá-lo são brincadeira de criança perto de helicópteros carregados de pasta de cocaína, ameaças de assassinatos, malas de dinheiro, quartos com caixas contendo milhões de Reais, achaque de megaempresários para financiar campanhas eleitorais, e etc. Acontece que todos estes outros políticos são da direita e contam com um tratamento diferenciado, benevolente das mídias, o que obriga a esquerda a defender Lula dos sistemáticos ataques de viéses claramente políticos que ele sofre.

No fim das contas, nenhuma das defesas de lado a lado compensa os ataques; o fato é que Lula desagradou gregos e troianos no poder.

Mas como um fenômeno paradoxal que é, se deixarem ele ainda leva essa eleição de 2018. Que o digam os mais de 30 milhões de eleitores que o colocam na liderança de qualquer pesquisa de intenções de voto. Para essas pessoas, pouco vale as querelas teóricas sobre os mandatos lulistas. Vale a comparação prática do antes e depois da era Lula nas suas vidas, no dia a dia. E nessa comparação com outros presidentes, inclusive a própria Dilma, ele ganha de lavada. O que é pouco pra quem não tem nada? É muita coisa.