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Mostrando postagens de 2018

Embraer: classes dominantes brasileiras querem o Brasil como eterna colônia

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Para alguns países, não existe muita alternativa. Por conta do seu tamanho diminuto, sua população inexpressiva ou território com falta de recursos importantes, o protagonismo mundial não está na agenda. Para estas nações, a dependência é uma realidade difícil de superar.

Mas existem outras nações com uma segunda alternativa. Justamente por conta da dinâmica de suas economias, de um mercado interno formado por uma grande população, vasto território repleto de recursos naturais, os governos desses países poderiam finalmente se livrar do opressivo assédio provocado por outros países. Poderiam, elas próprias, investir em si mesmas, confiando na sua força e no seu orgulho.

Por que muitos desses países, ao contrário, preferem a eterna submissão aos interesses estrangeiros como se pequenos fossem?

É o caso, infelizmente, do nosso país.

Certamente por conta do nosso passado colonial, quando a dependência econômica de uma ou várias potências estrangeiras moldou a psicológica vassalagem das no…

Um pequeno resumo dos últimos dois anos de política brasileira

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Pra quem ainda não entendeu como e por que Bolsonaro chegou a ser eleito:
houve um trabalho muito bem arquitetado pelas classes dominantes neste país desde 2016. Começou lá quando o Aécio Neves negou-se a aceitar a derrota numa eleição limpa e incontestável;continuou com deputados desmoralizando o novo governo com pautas-bomba;a chantagem de um corrupto do mais alto gangsterismo que então presidia a Câmara colocou o Impeachment em pauta;dois juristas pagos pelo PSDB criam a ridícula tese das pedaladas fiscais;um Congresso apodrecido e de baixíssimo nível tira Dilma do mandato;com a aproximação das eleições, Lula ainda representava o perigo de pôr tudo a perder. Era preciso tirá-lo do jogo e um juizeco de primeira-instância o condena com base em provas totalmente contestáveis;a eleição se aproxima e o tucanato está morto, o partido Novo ainda é um nanico e a alta burguesia, sem nomes convincentes dentro dos seus quadros tradicionais, lança um balão de ensaio chamado Luciano Huc…

Bolsonaro e o oportunismo palmeirense

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Não é de hoje que o presidente eleito Jair Bolsonaro descobriu a popularidade que o futebol pode proporcionar. Nestes últimos anos, foi visto com camisas de diversos times de futebol nos estádios, sempre buscando angariar simpatias entre os torcedores.

Mais ou menos como fazem os grandes artistas internacionais. No Brasil, durante a apresentação no palco, levam o público ao delírio quando empunham a bandeira nacional e dizem "vocês são o melhor público para quem tocamos em todos esses anos!". Três dias depois, fazem a mesma coisa na Argentina, para depois fazer no México, e assim por diante.

Até pouco tempo atrás sabia-se que Bolsonaro era botafoguense. Mas isso não o impediu de aparecer no Maracanã para torcer para o Vasco com direito a camisa do clube e tudo. Também já foi flagrado no Mané Garrincha, em Brasília, com a camisa do Flamengo durante um jogo do time carioca naquela cidade. E o tricolor carioca também foi "homenageado" pelo presidente eleito:


Tem algum…

As consequências da economia brasileira ainda depender dos barões do café

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Café e algodão garantem crescimento do PIB no último trimestre. Essa podia ser uma notícia do Correio Braziliense do começo do século XIX, mas, 200 anos depois, ainda é a realidade brasileira, como informa hoje os portais de notícias.

Por mais que a economia brasileira tenha se tornado mais diversificada e complexa, especialmente a partir dos anos 30 do século XX com a industrialização pelas mãos do Estado e do empresariado associado ao capital internacional, não houve uma revolução de fato, ou seja, uma ruptura com a velha ordem latifundiária da Primeira República. Ainda é a velha monocultura de produtos naturais, a chamada plantation, mesmo que travestida de modernidade e eficiência taylorista através do chamado agronegócio, que continua sustentando a economia nacional.



Isto porque a incipiente burguesia nacional historicamente não se impôs como força política, se atrelou ao Estado como fizeram os barões do café e no decorrer do século o Brasil perdeu posições no ranking de países i…

Choque de ultraliberalismo vai aumentar abismo social entre as classes no Brasil

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A colossal desigualdade social brasileira é bem conhecida, mas vinha diminuindo de ano a ano desde 2002, como prova o Índice de Gini. Como parte das políticas públicas do governo Lula, milhões de brasileiros pobres ascenderam alguns degraus na pirâmide social, com a intervenção direta do governo através de programas sociais.

Além destas medidas emergenciais, Lula preparou o terreno para o futuro das classes mais baixas: abriu as portas das Universidades federais para que negros e pobres das grandes periferias pudessem ter uma formação antes limitada apenas à alta classe média.

É muito óbvio que, à longo prazo, estas medidas trariam consequências positivas nos arranjos históricos dessa nação dividida entre vilipendiados e privilegiados. Daqui a, por exemplo, 30 anos, já não seria mais tão fácil distinguir esta diferença olhando a cor da pele ou a origem social, como é hoje.



E isso a nossa alta classe média não perdoa. Guardiã do conservadorismo, ou seja, das coisas como devem ser/estar

Bolsonaro e o calendário asteca

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O antigo povo asteca possuía dois calendários: o solar e o sagrado. O calendário solar possuía, tal com o nosso, 365 dias, mas era dividido em 18 meses de 20 dias, mais 5 dias suplementares para completar o ano. Esses cinco dias do final do ano eram chamados de "nemotemi", ou dias vazios e considerados nefastos, de mau agouro.

A sensação no Brasil pós-eleição é que estamos vivendo não 5 dias, mas 2 meses vazios desde que Bolsonaro ganhou a eleição até que venha a posse em 1º de janeiro.

 Os homens de Bolsonaro Nesse período, temos assistido de forma pasmada, primeiro, a nomeação de figuras medíocres, corruptas, imorais, polêmicas ou notoriamente despreparadas para importantes cargos do governo; basta citar apenas os casos de Magno Malta para um ministério absurdo que será criado exclusivamente pra ele, o da "Família"; ou Onyx Lorenzoni, corrupto assumido e declarado que pediu desculpas pelos milhões arrecadados ilegalmente no caixa 2, ou o futuro ministro da Justi…

Quem ganhou, de fato, as eleições de 2018

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Quem, de fato, ganhou esta eleição? Há muitos candidatos. Os militares, porque desde a ditadura não estavam tão soltinhos e falantes, colocando pra fora desavergonhadamente suas ideias jurássicas contra o comunismo?

Os homofóbicos talvez, porque acreditaram nas fake news de que havia o perigo de uma ditadura gay ser implementada no país, com direito a cartilha nas escolas pra ensinar criança a fazer sexo?

Ou quem sabe os machistas, que viram a ascensão do movimento feminista com preocupação, pois o que as mulheres queriam? Respeito. Respeito é aquilo que quase nenhum homem é ensinado a dar a uma mulher; pra eles mulher tem que ser submissa e aguentar traição, além de ganhar menos e ser assediada a cada esquina, tendo o seu corpo comercializado como fonte de prazer masculino. Com a vitória do Bolsonaro, acreditam, a mulher vai voltar ao seu lugar e as "feminazi" vão acabar.

Mas também tem os racistas, aqueles que não toleram a presença de negros nas Universidades, porque ach…

Esquerda precisa resgatar bandeiras históricas para enfrentar o velho fascismo

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Chegou no Brasil aquele momento que todos temíamos. O fascismo saiu às ruas, penetrou nas mentes e tomou conta do país. Atos de violência começam a pipocar aqui e ali, 50 em apenas uma semana. O estrago já está feito. Vença quem vencer, ninguém pense que aqueles que sentiram o gostinho de praticar a violência contra os mais vulneráveis vão se recolher a seus pacatos afazeres novamente. A questão é: como enfrentá-los com uma esquerda que se autodestruiu nos últimos anos?

Não acredito em teorias conspiratórias lunáticas como os Illuminatti e Nova Ordem Mundial, que fica mais a cargo de cristãos supersticiosos. Mas não sou ingênuo a ponto de não acreditar que os grandes capitalistas do mundo, além de países como os Estados Unidos e seus aliados, possam articular situações no mundo que favoreçam seus interesses. Assim foi com a chamada "Primavera Árabe" mais recentemente, que, com a desculpa da levar democracia a países cujos governos não eram alinhados com o Imperialismo, acabo…

Ciro deveria se engajar mais na campanha de Haddad?

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Passada a dura campanha eleitoral do primeiro turno e já definido o resultado final entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad na disputa do segundo turno, Ciro Gomes, canditado na terceira colocação do pleito, resolveu viajar ao exterior.

A partir de então, começaram a surgir críticas de alguns setores da esquerda, principalmente dos ligados ao PT, cobrando uma participação maior de Ciro na campanha, alegando tratar-se não de uma mera disputa eleitoral, mas da luta entre a barbárie fascista, representada pela campanha de Bolsonaro, e a democracia, pelo lado de Haddad — o que não deixa de ter uma certa verdade.

Mas por que Ciro abriu mão de participar de tal luta?

É preciso compreender certas questões a esse respeito. Vamos logo descartando a sugestão absurda de alguns pedetistas de que Haddad deveria renunciar e abrir espaço para Ciro enfrentar Bolsonaro no segundo turno, proposta descabida. Também vamos logo dizendo que não concordamos que o PT merece apoio incondicional das esquerdas. …

Bolsonaro e Paulo Guedes comprovam: os interesses do capitalismo estão acima da democracia

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Há diversos exemplos históricos que confirmam que o capitalismo, desde seus primórdios na era das grande navegações até sua ascensão rumo à hegemonia no século XIX, se fez valer de diversos regimes de governo, inclusive autoritários, para se impor. No entanto, a coincidência das revoluções burguesas junto com a consolidação desse sistema econômico no mundo disseminou uma ideia falsa de que ambos são parceiros naturais.



No caso do Brasil, pelo menos dois exemplos desmentem claramente essa tese. Primeiro, a modernização burguesa do nosso país se deu sob a batuta da Revolução de 30, que, por sua vez, se transformou no Estado Novo, um regime semi-fascista que suprimiu a democracia enquanto fazia o capitalismo se expandir. Ainda mais evidente foi o Golpe de 64, que derrubou a democracia em favor do capitalismo associado a investimentos internacionais. Segundo jornalista Henrique Acker, nesse período "viramos o país das montadoras, das empreiteiras, da caderneta de poupança e do bolo …

#elenão: Mulheres na vanguarda política abrem hoje os protestos contra o protofascismo

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Em seu livro A luta de classes: uma história política e filosófica, Domenico Losurdo reafirma a teoria marxista da luta entre as classes no momento histórico atual para demonstrar a validade ainda determinante do conceito. Os conflitos não se resumem apenas à velha dicotomia donos dos meios de produção x vendedores de mão-de-obra, e sim a todas as complexas dissensões sociais que ocorrem na sociedade capitalista contemporânea: pobres contra ricos; conservadores contra progressistas; favelados contra parcelas da classe média; homens privilegiados contra mulheres; negros contra brancos, além das diversas interseções entre esses grupos.

No Brasil, desde que Aécio Neves resolveu desprezar o já frágil e combalido sistema democrático, a direita vem radicalizando o discurso, colocando pra fora suas ideias e intenções de forma aberta, o que antes lhe causava constrangimentos.



No mesmo movimento dialético, a esquerda, enfraquecida durante anos por conta da despolitização da política dos govern…

De tanto provocar, Bolsonaro sabia que seria atacado um dia

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Intolerância e violência. Quem as semeia, não pode colher outra coisa. De tanto pregar o ódio, de tanto aparecer com fuzil, de tanto incentivar gestos de tiros com as mãos, inclusive em crianças, de tanto defender que a população resolva suas divergências com armas de fogo, Jair Bolsonaro caiu vítima de seu próprio veneno. Não um ataque à bala, por sorte, mas com uma faca.

Era quase como uma bomba-relógio ambulante. Bolsonaro provocou a todos: os de esquerda, os de direita, provocou as mulheres, provocou os negros, os gays, quase todas as minorias e os vulneráveis. Só poupou a entidade sacrossanta do mercado, a mesma cujo templo representado pela bolsa de valores deu picos de alegria lá no alto com o seu risco de morte.


Já havia confessado estar com receios de um ataque — não era para menos —, o que, de fato, aconteceu. Ontem, tal como uma vítima de bullying que aguenta provocações e insultos durante anos mas que um dia perde o controle e desconta sua raiva no seu agressor, Adelio Bis…

Por que é falsa a ideia de que o Brasil anda dividido entre esquerda e direita

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Recentemente no Brasil, temos ouvido de forma corriqueira que a população do nosso país anda dividida entre esquerda e direita, ou como coloca o candidato a presidente Ciro Gomes, entre coxinhas e mortadelas.

Isso dá a ideia de um certo equilíbrio entre as duas forças, algo como um choque de duas correntes de proporções iguais que se anulam, colocando o país no impasse e na imobilidade. Mas isso não é verdade, e os 38 por cento de intenções de voto de um ex-presidente preso, junto com outros exemplos históricos, nos ajudam a entender essa questão.

Primeiro, vamos tentar, a grosso modo, identificar as parcelas da sociedade brasileira que podem ser identificadas com a esquerda e com a direita.
Definindo quem vota em quem Considero eleitores de esquerda, afora a miltância político-partidária, os trabalhadores sindicalizados; o funcionalismo público do baixo-escalão; beneficiários do bolsa-família; profissionais liberais; e grande parte do que o professor Jessé Souza chamou de "ralé

É o fim do Lulinha Paz e Amor?

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Fernando Haddad é o coordenador da campanha de governo da candidatura Lula em 2018. Em entrevista ao site do jornal Valor, falou um pouco sobre as propostas para o país e os caminhos jurídicos que o PT deve tomar para garantir que o ex-presidente possa sair candidato.
Controle das mídias Algumas dessas medidas, reveladas pelo ex- ministro da Educação, seriam facilmente identificadas como propostas de esquerda, embora Haddad, com todo o cuidado, tenha preferido classificá-las como "radicalmente liberais". Uma pequena concessão certamente calculada no intuito de não alarmar ainda mais as reacionárias classes-médias para um programa que elas classificariam facilmente, no seu entendimento torpe de política, como "bolivarianas".

Haddad prometeu focar em 4 pautas principais: econômica, social, política e ecológica. Dentro da discussão econômica e social está a prioridade de Lula, se eleito, atacar o oligopólio dos grandes meios de comunicação, principalmente a Globo.

De…

A diferença de ensino e educação no Brasil

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Poucas pessoas atentam para a diferença crucial que existe entre ensino e educação. Essa confusão interfere diretamente, no espectro geral, na qualidade da formação de cidadãos e na capacidade das pessoas saberem conviver num ambiente adequado de civilidade e cidadania.

Ensino é o que o Estado brasileiro e também algumas instituições particulares oferecem de maneira formal, através de saberes selecionados e organizados num currículo escolar que determina o mínimo que uma pessoa deve dominar em termos de conhecimento para poder fazer parte de uma sociedade.



Já a educação é todo o conhecimento circulante disponível que as pessoas podem e devem absorver para complementar a sua formação continuada. E quais são as fontes dessa educação? Vamos ver as mais importantes.

A primeira, e talvez a principal, é a família. Os pais — e também avós, tios, etc. — desde o nascimento dos seus filhos são encarregados de educá-los (muitas pessoas pensam que esse é o papel da escola), mostrar a eles o funcio…

Christopher Hitchens e o infame trotskismo

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Christopher Hitchens (1949-2011) era um escritor de colunas sobre variedades na esnobe revista Vanity Fair, quando começou a angariar fama na internet por conta de seus debates sobre religião em palestras e conferências gravadas em vídeo.

Concentrado na defesa do ateísmo, com um vasto cabedal cultural e uma inteligência mordaz, geralmente conseguia colocar todos os adversários na lona, e assim foi ganhando sua fama.

Eu, no entanto, só passei a conhecê-lo quando me deparei com seu maior best-seller numa feira de livros, em 2010: "Deus não é grande", uma obra que mistura religião, cultura e política de uma forma cativante, com uma especial crítica ao fundamentalismo islâmico.



Foi nesta ocasião que eu passei a acompanhar seu trabalho, muito mais pelo viés do ateísmo que compartilhamos do que pelas suas visões políticas, que já eram um tanto contraditórias há quase 10 anos.

Já então, Hitchens deixava claro que era um ex-militante de esquerda na juventude, mas que naquele momen…