13 de novembro de 2017

Luciano Huck já sentiu na pele o que você passa para sobreviver?



O empresário e apresentador Luciano Huck começa a discutir com partidos, especialmente o PPS de Roberto Freire, a possibilidade de se candidatar a presidente da República no ano que vem.

Um nome que sai da cartola das classes dominantes

Seu nome surpreende num primeiro momento, pois o apresentador, apesar de ser um legítimo representante do eleitorado coxinha paulista e aparecer em eventos com políticos da direita, nunca foi versado em assuntos políticos.

Mas basta uma reflexão breve e logo se entende. Primeiro, de forma oportunista como é do seu feitio, quer pegar carona na onda de desprestígio da classe política, por conta dos diversos escândalos de corrupção, para se apresentar como o "não-político", estratégia já utilizada por João Dória, à direita na foto acima, com o próprio Huck. Como se apenas na política houvessem homens desonestos, corruptos e interesseiros, e na classe empresarial só os puros e santos.

Saiba mais sobre Huck e seu oportunismo, no mau sentido, em O que Luciano Huck tem na cabeça.
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Segundo, tal como em 1989, temendo um segundo turno entre Lula e Brizola, duas opções fora de questão para as classes dominantes, a Globo teve que fabricar um Collor por falta de opção na direita; este ano Huck está sendo preparado para assumir esse vácuo mais uma vez, diante da fraqueza de possíveis candidatos da direita como Alckmin e Dória (Aécio é um morto-vivo político e nem se conta). 

Portas abertas para quem nasce em berço de ouro

Pois é isso, Luciano Huck, judeu de família rica, abriu  caminho na TV com seus contatos da alta sociedade e seus recursos financeiros. Jamais seria aquele seu amigo carismático da escola que todo mundo dizia que tinha talento para ser artista. Mas... um empurrãozinho de um figurão aqui, um empréstimo de papai ali, uma porta aberta por um conhecido de alguém da TV acolá, uma pessoa influente da família que apoia e... Pam! Lá está Luciano Huck fazendo fama e fortuna nas tardes de sábado na TV.


E agora este filho ilustre da riqueza e da elite quer ser presidente. As perguntas óbvias são: para quem, cara pálida? Pra quê?

Para que o Brasil continue sendo Casa Grande e Senzala

Somos sonhadores utópicos e acreditamos que um presidente do Brasil deveria lutar para acabar dois de nossos problemas primordiais: a desigualdade econômica, étnica e social,  fruto da pior distribuição de renda do mundo, onde 6 pessoas, acreditem se quiserem, acumulam pra si o mesmo que 100 milhões de brasileiros tem como renda.

Será para os pobres que vai trabalhar Luciano Huck? Não estou falando de medidas paliativas como a esmola da caridade cristã e bolsa disso ou daquilo que atenua mas não resolve. Estou falando de resgatar essas pessoas para acabar com o abismo da desigualdade de forma definitiva.

Como poderá o apresentador lutar para acabar com um cenário que lhe é absolutamente favorável? Quem será a babá dos seus filhos se a mulher pobre puder estudar e ter um emprego mais bem colocado? Quem vai dirigir seu carro? Ser o mordomo da sua casa? Quem vai ser a empregada que vai lavar o seu banheiro sujo, se não tiver aquela mulher com 5 filhos, sem marido e sem perspectiva, tendo como única alternativa aquela função que sua bisavô fazia na casa do coroné da Casa Grande — este, ancestral de alguns dos ricos de hoje?

Seria pedir demais.

Qualquer cidadão brasileiro que preencha os requisitos exigidos pela Constituição pode pleitear a presidência da República brasileira. Não vou questionar esse fato. Agora se você é pobre, trabalhador, não faz parte daqueles seis privilegiados que detém metade da fortuna do país e nem é beneficiário direto deles como Luciano Huck, por que você votaria nele? Porque ele é famoso e parece ser simpático na TV?

Então, amigo ou amiga, o problema não é Luciano Huck, o problema é você.

"Os ricos fazem tudo pelos pobres, menos descer de suas costas"
                                                                                                      Leon Tolstoi

Concorda? Discorda? Tem uma opinião sobre o assunto? Não deixe de fazer um comentário abaixo. Vamos debater um pouco, conversar é sempre importante para esclarecer todos os problemas em questão.

6 de novembro de 2017

Será o fim do capitalismo? Jovens americanos querem o socialismo no seu lugar



O capitalismo mundial está capengando para a morte. Desde a crise de 2008, muitos países ainda sofrem as consequências de um sistema onde o mercado e seus agentes transformam o universo financeiro em um cassino de orgias, onde um dinheiro volátil e sem lastro enriquece um pouco mais, da noite para o dia, diversos "players". No entanto, quando a banca quebra...

Lucros privados, prejuízos socializados

Somos nós, os que não somos convidados a jogar, a participar da festa e tirar proveiro dos lucros, que pagamos a conta, através dos nossos impostos ou às custas do nosso emprego. Muita gente no mundo já está de saco cheio desse destino. E começam a aparecer alternativas. Há quem vaticine a queda do capitalismo, não por conta de alguma revolução popular ou reformas de governo, mas por conta do seu próprio peso. Será como um hipertenso com obesidade mórbida morrer de overdose de hambúrguer do MacDonalds, uma imagem que vem a calhar ao capitalismo nos Estados Unidos.

Um desses profetas do fim do capitalismo é o autor inglês Paul Mason. Em seu livro recém-lançado Pós-Capitalismo, um guia para o nosso futuro¹, ele justamente não apenas indica que a crise de 2008 foi diferente de todas as outras, impossibilitando uma verdadeira recuperação do sistema como no passado, como já propõe ideias que possam substituir o velho capitalismo.

A informática vai matar o capitalismo

A tese central de Paul Mason é de que o avanço da tecnologia, em vez de servir ao capitalismo, vai destrui-lo, pois uma sociedade da informação traz em si todos os elementos para a superação de uma comunidade baseada no mercado. Com a livre informação, caem as bases do capitalismo, quais sejam: monopólios, bancos e governos tentando manter as coisas privadas, escassas e comerciais.


Mas... como todo indivíduo bem intencionado de esquerda que procura superar as mazelas do capitalismo corroborando as falhas teorias pós-modernas, Paul Mason peca em descartar os pressupostos do socialismo como alternativas a este modelo destrutivo financeiro. O próprio autor balança entre os elogios e às críticas ao socialismo, no entanto, sem deixar de mais uma vez alimentar as mentiras do Ocidente contra a época de Stalin, sem contextualizá-la, cometendo graves erros de anacronismo.

Segundo ele, ignorando as lutas de classe, a instrumentalização dos aparelhos de Estado ao dispor das elites, a necessária conscientização das classes trabalhadoras, ou seja, todo o aparato conceitual do marxismo, a transição do capitalismo para um outro modo "de alocar bens racionalmente até que se alcance o equilíbrio" é um desafio meramente técnico, não uma revolução. Ou seja, devemos supor que as grandes elites financeiras, os acionistas das grandes corporações mundiais e os banqueiros de Wall Street simplesmente vão se reunir em Davos e anunciar para o mundo que abrirão mão de todos os seus privilégios acumulados com suor e sangue dos trabalhadores, para defender um sistema mais justo e igualitário para todos... Tudo pacificamente, de cima pra baixo, num surto de piedade jamais visto entre as elites na história.

Tão em voga nesses dias pós-modernos, é falar em redes. Manuel Castells já havia falado sobre o poder em redes em seu livro O Poder da Comunicação, o qual traremos mais detalhadamente numa próxima resenha. Paul Mason propõe "soluções por meios de experimentos de pequena escala, modelos testados que possam ser ampliados em ações do Estado". Pensando de forma foucaultiana, com relação aos micropoderes, pensa em pequenas comunidades semi independentes ligadas em redes até uma instituição "central". É o fim de um poder "absoluto" do Estado malvadão e pesado.

Jovens estadunidenses surpreendem em pesquisa recente

Apesar de não levar em conta a opção do "velho" socialismo para a superação do capitalismo, não obstante ser Marx quem melhor sistematizou uma alternativa ainda no século XIX, uma recente pesquisa surpreendente coloca em xeque o suposto desprestígio do socialismo.

Segundo enquete da insuspeitíssima organização não-governamental Fundação da Memória das Vítimas do Comunismo, fundada pelo ex-secretário de Estado dos EUA Zbigniew Brzezinski, 44% dos jovens norte-americanos se manifestaram a favor do socialismo, enquanto o capitalismo foi apoiado por 42%...

É fato que aqui temos que fazer uma ressalva: 66 por cento não souberam dar uma definição precisa do socialismo, o que não nos causa nenhuma surpresa. Nos Estados Unidos, bastiões do neoliberalismo mundial, o socialismo é alvo de um anátema grosseiro, quase equiparado ao satanismo. Nas escolas, provavelmente o socialismo é tratado numa teia de desinformação, associado a mortes, escravidão, totalitarismos...

Nesse cenário de mentiras e propaganda difamatória plena, sem contrapontos, surpreende a ascensão de uma vaga ideia de justiça socialista no coração dos jovens; de que estão mentindo pra eles; que o verdadeiro mal do planeta é o sistema que eles vivem, o capitalista, como respondeu metade daqueles jovens pesquisados.

Quem poderia dizer que no coração no capitalismo mundial, com toda a propaganda ideológica massiva, começasse a surgir uma geração de jovens que apoiam o socialismo. Que ninguém tenha dúvidas que aqueles números seriam ainda maiores, se lhes fossem dados uma definição mais justa sobre o que é o socialismo.

Dessa forma, ao contrário do que pensa Paul Mason com suas redes pós-modernas de relações descentralizadas e utópicas, o socialismo é, sempre foi e continuará sendo a única verdadeira alternativa para superar o capitalismo e suas mazelas.
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1 MASON, Paul. Pós-Capitalismo - um guia para nosso futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2017