31 de agosto de 2017

Rodrigo Janot termina seu mandato este mês. Foi uma grande surpresa em meio à mediocridade geral

O cidadão está prestes a deixar o cargo de Procurador Geral da República, mas com toda a certeza, vai deixar saudades. Isso porque, em meio a uma das maiores crises políticas por que já passou esta terra do bananil, com seus coronéis políticos travestidos de feirantes gritando para o mundo "quem dá mais" para levar nossas maiores riquezas -- que vão desde estatais lucrativas até a maior floresta tropical do planeta -- o cara tentou. Tentou até a última hora, com que os maiores corruptos da nação que assaltaram quase que literalmente o poder, pagassem por seus crimes.

Mas não só no executivo e no legislativo que a contaminação do que há de pior nesse sistema falido e corrupto se instalou. Os nobres togados dessa vez, também entraram na dança sem o menor embaraço.

Rodrigo Janot

Para cada ratoeira que Rodrigo Janot instalou para pegar os ratos da política e do empresariado, havia um Gilmar Mendes pronto para desarmá-la. E assim a ratazana-mor que se instalou na cadeira da presidência da República vem sobrevivendo, levando seu ilegítimo governo até onde ninguém esperava que pudesse mais chegar.



 As denúncias de Janot foram sérias, graves, bem embasadas em evidências e com testemunhas, uma ação da polícia federal que redundou em flagrante, apreensão material do delito, gravação em áudio e tudo o que precisava para produzir provas incontestáveis. Mais do que batom na cueca: batom, perfume e até o telefone da moça escrito à caneta. Não para o nosso Congresso. Não para o nosso executivo.

Agora, neste mês em que o mandato do Janot termina, cabe, inusitadamente, ao presidente ilegítimo escolher a substituta do atual procurador. Trocando em miúdos, Raquel Dodge, a substituta, terá a missão de dar continuidade às investigações contra aquele que a nomeou para o cargo. Pela primeira vez desde 2003, a primeira opção da lista de substitutos foi ignorada. Michel Temer tinha outra opção mais satisfatória para sua segurança.

E assim o bananil vai seguindo, rumo ao abismo. 

22 de agosto de 2017

Vamos! Enfrentar o atraso e mobilizar o Brasil para uma agenda progressista

vamos

O que acontece sempre que um país experimenta momentos prolongados de grave crise econômica? A história nos mostra que, quase certamente, a população desse país se torna mais egoísta, mesquinha e amedrontada, mais permeável a discursos fascistas que culpam imigrantes, negros, mulheres, gays, Fidel Castro, Hugo Chávez, etc., ou seja, todos aqueles que não façam parte da comunidade com base na família patriarcal do homem branco de classe média cristão e brasileiro-com-muito-orgulho-com-muito-amor.

Foi assim depois que alguns eventos tiraram esses fascistas do armário recentemente, na reação à ascensão das reivindicações dos grupos ditos “minoritários” (mulheres, negros e o grupo LGBT) por mais direitos e igualdade, potencializado por uma crise econômica mundial que só teve paralelo com a Crise de 29.

Foi assim que grupos fascistas e conservadores explodiram em diversos países do mundo, encantados com o discurso de demagogos que exploravam os medos das pessoas para se beneficiarem eleitoralmente, derrotando o discurso progressista da esquerda.

Mas pelo menos na Espanha, aconteceu uma exceção. O movimento Podemos, na esteira da revolta da população com a classe política e da crise de representatividade partidária simbolizada pelo movimento “Não me representa”, conseguiu disputar a hegemonia do discurso de mudanças, de propostas e de soluções para a crise e assim angariar adeptos que fatalmente se voltariam para a direita. E é esse movimento espanhol que serve de inspiração para setores da esquerda brasileira que dialogam e se organizam politicamente para enfrentar a ascensão do fascismo no Brasil.

Acaba de ser fundado o movimento Vamos!, organizado principalmente pela Frente Povo Sem Medo e que conta com a adesão de diversos setores da sociedade civil e política do país. A partir deste mês, uma série de encontros em diversos Estados brasileiros irá debater alguns grandes temas de interesse nacional, principalmente para os setores progressistas. São cinco grandes debates:

  1. Democratização dos territórios e meio-ambiente;
  2. Democratização da economia;
  3. Democratização do poder e da política;
  4. Um programa negro, feminista e LGBT;
  5. Democratização da comunicação e da cultura.

Segue abaixo a agenda dos debates, os locais e os temas que serão discutidos:

atividades

Para maiores detalhes acesse o site do movimento aqui: Vamos!

14 de agosto de 2017

Venezuela e Coreia do Norte: pelo direito de não se alinhar aos Estados Unidos sem sofrer retaliações

Trump destruindo o mundo

A livre determinação dos povos foi um dos maiores marcos do direito internacional conquistados pelos Estados soberanos.  A resolução da Assembleia Geral da ONU, n.º 2625 (XXV), de 24 de outubro de 1970, responsável por este acordo, trabalha em dois níveis. No nível “nacional” afirma especialmente o direito dos povos indígenas e da população em geral de buscar o seu bem-estar.

A nível internacional, define “o estabelecimento de relações amistosas entre os Estados, baseadas no respeito pelo princípio da igualdade soberana”. (fonte). É o direito de um povo à soberania e a liberdade de decidir, independentemente de influências estrangeiras, sobre sua forma de governo, seu sistema de governo e o seu desenvolvimento econômico, social e cultural. (fonte, artigo 1, parágrafo 1).

No entanto, muito antes e muito depois destas determinações, os Estados Unidos da América continuam violando constantemente a soberania e a liberdade de outros povos. Trump elegeu as bolas da vez: Venezuela e Coreia do Norte.

A alegação oficial é que aquele país norte-americano luta pela liberdade e pela democracia no mundo. Mas seria muita ingenuidade, mesmo para aqueles que não conhecem a história imperialista dos EUA, acreditarem nesse discurso. Em nome da liberdade e da democracia os Estados Unidos implementaram golpes e ditaduras na América Latina, derrubaram líderes que lutavam pela independência dos seus países pelo mundo afora, e até recentemente, sob o pretexto de derrubar “ditaduras” no norte da África e no Oriente Médio, patrocinaram grupos de fanáticos islâmicos que trouxeram o caos no Iraque, Afeganistão, Libia, entre outros.

Foram e são amigos das maiores ditaduras do planeta, desde que sejam alinhadas com seus interesses capitalistas, como o Chile de Pinochet e a Arábia Saudita dos príncipes do petróleo. E agora querem levar a liberdade e a democracia para a Venezuela e Coreia do Norte. Alguém ainda acredita?

Leia mais: lista de países que sofreram golpes ou invasões dos EUA

Venezuela não pode ter governo popular

Se o governo da Venezuela passa dificuldades é por causa de uma parcela da população, a classe média reacionária e a alta burguesia acostumadas a mamar nas tetas do petróleo venezuelano, que não aceitam um governo de cunho popular, que distribui a renda e que é sabotado de todas as formas, desde ao manipulável preço baixo do petróleo internacional, que cria imensas dificuldades à economia do país, até os empresários locais que estocam alimentos para criar o clima de convulsão social propício à baderna geral.

A partir do momento em que os EUA se meterem nos assuntos internos desse país, além de estarem cometendo um crime internacional, estarão contribuindo para colocar os capitalistas burgueses locais no poder, para vender petróleo barato aos EUA em troca de reconhecimento do governo golpista. Exatamente como no Brasil e nosso pré-sal, com a diferença que aqui não temos um povo instruído politicamente que possa ir às ruas enfrentar na mão os reacionários vendilhões da classe média que apoiam o golpe.

Coreia do Norte impedida de ter seu próprio caminho

Já o caso da Coreia do Norte é um pouco diferente e complexo. A Guerra Fria ainda parece ser o pano de fundo da divergência estadunidense com o país norte-coreano, onde todo país não alinhado com os interesses do liberalismo econômico mundial é considerado uma ameaça. Kim Jong-un é tratado como um louco ditador que manipula a população e coloca em risco a segurança do planeta. Mas a verdade é que o povo norte-coreano não é mais e nem menos manipulado do que o próprio cidadão dos Estados Unidos, estupidificado por uma mídia alinhada com os interesses do governo e do capitalismo, que mente sobre armas de destruição em massa e usa da desinformação como forma de garantir o apoio da população às inúmeras intervenções armadas dos EUA pelo mundo.

Veja mais: Conheça a farsa que levou os Estados Unidos para a Guerra do Golfo em 1991

O próprio governo norte-coreano é alvo das maiores mentiras que a mídia internacional pode produzir, que vão desde a obrigação de todo cidadão cortar o cabelo igual ao do seu líder, passando por crises de abastecimento nos mercados até assassinatos de parentes do líder local que aparecem bem vivos no dia seguinte.

Com relação ao poderio nuclear norte-coreano, alguém poderia culpá-los? Com certeza Kim Jong-un aprendeu com o erro fatal de Muamar Kadafi, que entrou em acordo para reduzir seu arsenal bélico e no fim foi arrastado pelas ruas e trucidado pelos “opositores” alinhados com os Estados Unidos, entregando a Líbia ao caos e à destruição.

Se existe algum país que represente um perigo para a ordem internacional, esse país é os Estados Unidos. Se existe algum líder louco e irresponsável a ponto de colocar o mundo na beira de uma guerra, esse líder se chama Donald Trump. Todos os países devem ter o direito de seguir o seu rumo sem serem atacados por ninguém em nome da riqueza e dos interesses políticos de terceiros.

3 de agosto de 2017

Se todos os bandidos tivessem as mesmas facilidades de Michel Temer? Veja alguns exemplos

sindicato dos ladrões

Ontem tivemos mais uma prova concreta de que o corporativismo na política é uma das maiores causas da impunidade no Brasil. Outra, é o foro privilegiado: além de responder no Supremo onde as chances de prescrição são quase certas, alguém pode ser julgado, ou no caso das acusações contra o Ilegítimo Michel Temer, ter a autorização de investigação julgada, por seus próprios colegas.

É o tipo de privilégio descabido que cria uma casta superprotegida de eminências políticas, praticamente intocáveis à lei, não importa os seus crimes nem o tanto de evidências devidamente levantadas contra eles.

Ontem à noite os portais de internet já noticiavam que o rato escapara de mais outra ratoeira. Dessa vez, com a ajuda dos amigos e correligionários no Congresso. Da pergunta “você é a favor do parecer da CCJ que determina o arquivamento das acusações contra presidente da República”, mais da metade dos deputados votaram pelo “SIM", notoriamente a bancada evangélica e os latifundiários. Muitos deles seduzidos por benesses e verbas do próprio governo.

Às vezes não conseguimos captar a essência exata de tamanha sandice. Por estarmos já anestesiados contra as bandidagens do sindicato de ladrões que tomou conta dos três poderes, não prestamos atenção no quão mais esse ato foi  indigno. Para nos ajudar a entender um pouco melhor, vamos recorrer a um artifício filosófico chamado “reductio ad absurdum”, que, dentre outras coisas, se refere a um tipo de argumento lógico no qual alguém assume uma ou mais hipóteses e, a partir destas, deriva uma consequência absurda ou ridícula, e então conclui que a suposição original deve estar errada.

Vamos ver alguns exemplos fictícios baseados no que aconteceu ontem no Congresso Nacional, através de algumas notícias falsas, pra entendermos como seriam as coisas se aquele corporativismo pudesse ser aplicado na sociedade de modo geral:

“Eike Batista escapa de prisão depois da votação na assembleia da ANP”

RIO - Direto da redação

O megaempresário Eike Batista, já acusado em crimes financeiros, escapou de ser julgado pelos crimes de corrupção ativa por ter pago pelo menos 16 milhões em propinas ao ex-governador Sérgio Cabral. Durante deliberação na Agência Nacional do Petróleo, ficou decidido que o ex-dono da petrolífera OGX não pode ser condenado, pois isso poderia afetar o preço do petróleo no momento em que o país experimenta alguma estabilidade no setor. Com esta decisão, a Lava Jato não poderá prendê-lo e Eike estará livre para voltar aos Estados Unidos, onde foi capturado.

Suspeito de matar e torturar estudante, Fernandinho Beira-Mar é inocentado por Tribunal do Tráfico

RIO – Seção Baixada Fluminense

O traficante Fernandinho Beira-mar, acusado de homicídio triplamente qualificado pelo assassinato do estudante Michel Nascimento dos Santos, teve seu caso analisado pelos traficantes do Tribunal Paralelo do Tráfico (TPT) em Duque de Caxias. Depois de se reunir com o acusado, que ofereceu um jantar de luxo para os colegas 24 horas antes do julgamento, além de prometer verbas e armas para as futuras incursões dos traficantes nas comunidades rivais, os membros do tribunal arquivaram o processo, que impede que o Conselho de Sentença do 2º Tribunal do Júri da Capital possa condenar o traficante a 30 anos de prisão. Fernandinho Beira-mar deu uma entrevista coletiva depois da decisão e disse que a justiça prevaleceu no país.

“Acusado de mais de 37 estupros, Abdelmassih tem processo arquivado pelo Conselho Federal de Medicina”

SÃO PAULO – Sucursal.

O médico ginecologista Roger Abdelmassih, acusado de quase 40 estupros no exercício de sua profissão, teve ontem o pedido de investigação recusado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Depois de analisar as provas reunidas pelo Ministério Público, os conselheiros médicos chegaram à conclusão que não haviam provas suficientes contra o ginecologista. Com isso, o inquérito foi arquivado e não poderá ser julgado pela justiça. Não cabem recursos.

*  *  *

Todas essas manchetes, fictícias, seriam absurdas e causariam revolta, todos vamos concordar. Como alguém pode ser julgado pelos próprios colegas, ou ter a possibilidade de julgamento na justiça impedido pelos mesmos, como foi no caso do arquivamento das acusações contra Michel Temer?

Se todas essas manchetes especulativas causariam revolta, por que não a próxima, esta sim, verdadeira?

Congresso Nacional arquiva processo contra Michel Temer

Brasília – da Redação

Na tarde-noite de ontem deputados federais votaram contra o prosseguimento das investigações contra o presidente Michel Temer. Com o resultado o Supremo Tribunal Federal fica impedido de julgar o caso.

Embora a acusação fosse de corrupção, muitos deputados preferiram absolver o presidente com base na continuidade da estabilização da economia.

Temer passou a noite anterior com deputados, especialmente da bancada ruralista, prometendo verbas na casa de 9 bilhões para o setor. Também ofereceu um jantar a alguns parlamentares, onde não se discutiu a votação, mas ficava implícita a insinuação de apoio.

Depois do arquivamento, Temer fez um pronunciamento em que disse que “a rejeição da denúncia é uma conquista do Estado democrático”. 

Existe alguma diferença?