26 de janeiro de 2016

Capitalismo x socialismo, uma comparação problemática. Entenda.

socialismo e capitalismo

Há algum regime comunista- socialista em que haja uma democracia plena, com ordem e progresso? Há algum regime comunista-socialista em que o seu povo viva bem social- democraticamente e financeiramente?

Essas são perguntas recorrentes, com algumas variações, feitas por simpatizantes/beneficiários (reais ou imaginários) do sistema capitalista-liberal em contraposição àquilo que eles imaginam ser o comunismo/socialismo na prática. Eu entendo que as façam. Nós, do Ocidente, estamos acostumados a ter como ideia de mundo, desde que nascemos, um capitalismo maravilhoso, justo e meritocrático, enquando “do lado de lá” só há totalitarismo, sofrimento e miséria. Mas existem duas questões importantes, no mínimo, que deixam a comparação um tanto problemática.

Geralmente se levanta a questão do bem estar nas sociedades capitalistas. Bem, primeiro, lembremos como eram os países capitalistas na Europa no século XIX, quando o capitalismo se consolidou de vez: trabalhadores esgotados, trabalhando 14 horas por dia, famintos, miseráveis e com uma vida de cão. Ganhavam apenas o mínimo para garantir que não morressem no trabalho. Se o capitalismo hoje parece mais humano, "social", foi por causa das lutas sociais, das greves, dos trabalhadores organizados tomando porrada da polícia nas ruas pra garantir alguns direitos que o capital nunca deu de graça. Também existiu o medo, com a ascensão da União Soviética, de que os explorados trabalhadores se sentissem tentados a abraçar a bandeira do comunismo. Então, por conta disso, algus direitos foram assegurados para apaziguar a chama revolucionária nos países capitalistas. Ou seja, no mínimo indiretamente, cada trabalhador, socialista ou não, deve muito aos comunistas.

E segundo: poucas sociedades socialistas comunistas desfrutaram historicamente durante algum tempo de "democracia, ordem e progresso". Porque tal como no Chile de Allende, no Brasil de Jango (que nem comunista era, apenas um defensor de direitos dos trabalhadores) diversos governantes, especialmente na América Latina, sofreram golpes de Estado com a ajuda do país "mais livre e democrático do mundo" (os EUA) que abortaram esses projetos antes que prosperassem. Isso sem falar na Venezuela, que sofreu um golpe revertido pelo povo nas ruas, e Cuba, onde Fidel é provavelmente o ser humano que mais foi vítima de tentativas de assassinato no século XX. Por isso, países como a Coreia do Norte, Cuba, entre outros, resistem militarmente, mas sofrem sanções econômicas do mundo “livre” capitalista que prejudicam o seu progresso material. Mas mesmo assim, nestes lugares não existem miseráveis, sem-teto, mendigos e famintos, como nos países capitalistas. Todos tem onde morar, tem hospital de alto nível e educação de graça, e uma participação política que não se vê nem na Europa. Isso que é bem estar social, não acham? O que adianta ter um Iphone e morrer na fila dos hospitais, ou de fome, como acontece no Brasil e em muitos países capitalistas?

Saiba mais: Mais de 60% dos brasileiros que passam fome têm celular, diz IBGE

Além disso "ordem e progresso", bem como "democracia" são lemas vagos, burgueses e liberais que nunca saíram do papel de fato. A ordem que vivemos é deplorável, com uma desigualdade social mundial que só aumenta entre bilionários e miseráveis; o progresso é restrito a poucos que vivem numa bolha de consumo capitalista, enquanto o resto fica de fora da festa; e a democracia burguesa se resume a ir apertar uns botões na urna eletrônica de dois em dois anos, porque tudo é um jogo de cartas marcadas onde o poder econômico manda e os políticos obedecem.

São fatores, portanto, que devem sempre ser levados em conta quando alguém capciosamente pretende comparar as maravilhas do capitalismo e as “desgraças” do comunismo.



16 de janeiro de 2016

Cerveja brasileira: quem define o nosso paladar?

Comparação entre cervejas

Eis um aparente dilema: é o consumidor que define o que a indústria fornece ao consumo, ou nossos gostos são induzidos e por isso consumimos tal ou qual produto disponível?

Uma pista para entendermos como isso funciona está na história. Pra isso vamos lembrar do homem que praticamente inventou o consumismo.

O famoso pai da psicanálise, Sigmund Freud, tinha um sobrinho chamado Edward Bernays. Se o tio consagrado usou a psicologia para entender e ajudar os homens de sua época, o sobrinho usou-a para o “mal”: seduzir as pessoas para o consumo.

Na década de 20, não era comum ver mulheres fumando. Cigarro era coisa de homem. De olho nessa importante fatia do mercado, a indústria do tabaco contratou Bernays para fazer com que as mulheres passassem a fumar, como um tipo de “desafio ao poder” masculino, símbolo da liberdade da mulher. A propaganda foi um sucesso.

E então chegamos na nossa cerveja.

Tem sido cada vez mais divulgado que a nossa cerveja brasileira não é bem uma cerveja. Cerveja de verdade contém apenas água, malte, lúpulo e cevada, de acordo com a “Lei de pureza alemã”, publicada em 1516. No entanto, a legislação brasileira permite que a loirinha gelada nacional contenha até generosos 40 por cento de “cereais não malteados”, um eufemismo para qualquer coisa que não seja cevada, como milho ou arroz.

Mas por que isso?

A Ambev, grupo que fabrica as principais cervejas nacionais, se defende afirmando que a medida visa apenas “ajustar o gosto da cerveja ao paladar brasileiro”. Economizar ingredientes substituindo uma matéria-prima por outra mais barata? Não, que isso…

Não me lembro de ter sido consultado sobre como eu gostaria que fosse a minha cerveja, tradicional ou com milho.

Ano passado, o site do Globo publicou uma matéria com toda pinta de ser patrocinada, em que um colunista chamado Marcio Beck defendia as cervejas nacionais do que chama de “mimimi”. Segundo ele:

O ser humano […]vem fazendo cervejas há pelo menos 5.500 anos, de acordo com arqueólogos especializados em bebidas fermentadas, e a cevada nunca foi a única fonte de açúcares utilizada para sua produção (trigo, arroz, sorgo, milhete e outros compõem a lista)

Ora bolas, é óbvio que existe cerveja de trigo, cerveja de sorgo, cerveja de arroz… O que não pode existir é cerveja de cevada com quase metade de trigo, sorgo, arroz… São duas coisas completamente diferentes.

O fato é que, como vimos, devemos zelar pelo nosso paladar deixando de ser levados pela onda manipulativa do marketing. Porque quase sempre não é a indústria que atende a nossa demanda. Ela, através dos seus publicitários, cria a demanda, exatamente como Edward Bernays há quase 100 anos.

Se você gosta de sua cerveja com quase metade de não-cevada, tudo bem. Mas, considere estar sendo induzido a  isso e, no mínimo, o fato de que você precisa ter o direito de saber que está levando gato por lebre conscientemente. Já não chega o sorvete de morando que não tem nenhum morango, a gasolina que tem grande parte de álcool, o azeite que tem óleo de soja, e tantos outros produtos da indústria que substituem matéria prima pensando em robustecer os lucros pessoais em detrimento da qualidade do produto que oferecem.

“Haters” e “Trolls” saíram da internet para a vida real no Brasil

ódio na internetJá é bastante conhecido o fenômeno mundial de pessoas que usam os espaços destinados a comentários em sites e blogs da internet para destilar ódio e preconceito (os chamados haters em inglês, de hate = ódio) e provocações para irritar as pessoas por puro divertimento pessoal (os trolls). Antes restritos aos impessoais e anônimos espaços virtuais da rede mundial de computadores, esse fenômeno parece ter chegado na vida real.

Na verdade, o correto seria dizer que a internet apenas ajudou a colocar pra fora aquilo que já estava lá, na sociedade, de forma oculta, dissimulada, (às vezes nem tanto) coisas como a homofobia, o racismo, o preconceito de religioso para religioso de outra vertente, o ódio de classe refletido no ódio ao PT (esse, então, um fenômeno curioso, porque atinge até quem é da classe trabalhadora e pensa com a cabeça da classe média).

A internet é violenta porque somos um país violento, de base patriarcal, autoritária, militarista. A violência está no nosso cotidiano histórico, de mãos dadas com a ignorância das massas. Um caldo perigoso que resulta em recordes mundiais para o Brasil de violência contra a mulher, de morte de homossexuais, de casos de homicídio, lichamentos públicos, enquanto vai derrubando mitos históricos, de que aqui é a terra da tolerância religiosa e que no nosso país não existe racismo.

Poderíamos depositar nossas esperanças numa elite urbana e ilustrada que tivesse a vontade de fazer desse país uma potência, mas infelizmente padecemos historicamente desse tipo de personagem. Nossa burguesia sempre foi egoísta e dependente do Estado, como é até hoje, muito mais do que gostaria de reconhecer. O empreendedorismo capitalista não fez surgir aqui um Carnegie, um Rockefeller, um Cecil Rhodes. Nosso Barão de Mauá, o que mais se aproximou de um verdadeiro empreendedor privado, foi sabotado pelos homens do poder de sua época, escravocratas e latifundiários, cujos netos e bisnetos são os mesmos homens mesquinhos e egoístas que comandam hoje no país a política nacional.

Em breve, aqui no blog, vamos procurar entender um pouco mais do que acontece nesse país. Por que chegamos a tal nível de contradições e de desigualdades, de ignorância e de osbscurantismo.

Para isso lançaremos mão do recente trabalho do professor Jessé Souza: A tolice da inteligência brasileira. E assim esperamos inaugurar em alto nível esse novo ano e essa nova fase do blog. Nos vemos lá. 

PS: Para um exemplo de um verdadeiro Troll em ação, você pode dar uma olhada nos próprios comentários desta postagem. Observe como o comentador Stalin Lula da Silva já provoca desde o nick falso que escolhe, passando pelo comentário que não cita nada da postagem ou acrescenta sequer uma visão diferente à apresentada. Sua única função é atacar, provocar, e se divertir. Um exemplo didático. Depois de uma primeira chamada, a sugestão é ignorar. Se passar dos limites, apagar. Em ultimo caso, denunciar ao blogger, pra ele ficar um bom tempo sem o seu passatempo preferido.

1 de janeiro de 2016

Um ótimo ano novo a todos!

Um ótimo ano novo a todos!

2016 chegou e, com ele, vieram algumas reformulações no nosso Panorâmica Social. O conteúdo crítico que o leitor se acostumou a ver aqui continua o mesmo. Mas agora com mais frequência de postagens, domínio próprio e layout renovado. Tudo para começar o ano de forma promissora, transmitindo mais credibilidade e precisão nas nossas informações.

O autor deste blog deseja a todos os amigos e leitores um ano novo de muito sucesso e saúde, e que continuem prestigiando com sua presença este cantinho feito exatamente para vocês!

Um grande abraço,

Almir Albuquerque