9 de dezembro de 2015

Uma sugestão a Geraldo Alckmin: proponha um processo de Impeachment a si mesmo

Em meio ao conturbado momento político por que passa o Brasil, diversos governadores foram manifestar seu apoio à presidenta Dilma Rousseff contra o descabido processo de Impeachment. Menos, como era de se esperar, o de São Paulo, Geraldo Alckmin, que enxerga na tentativa de impedimento da Dilma uma chance de chegar ao governo federal por vias tortuosas. Aliás, em se tratando de criar mecanismos escusos para manobrar nas regras da democracia, o governador paulista é mestre.

Desde que assumiram essa atual legislatura há quase um ano, os deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em sua grande maioria aliados do governador, vêm criando obstáculos para a investigação dos diversos desmandos, das enormes evidências de corrupção, recebimentos de propinas, favorecimentos de empresas, incompetência administrativa, e outras acusações graves contra Alckmin.

Uma das táticas utilizadas pelos nobres asseclas do governador é abrir diversas CPIs sem pretensão de investigação séria, para impedir que a oposição possa fazê-la. Já no primeiro dia das sessões, os deputados da base governista propuseram nada menos do que 15 CPIs, das quais 5 (o número máximo permitido) estão em andamento. Porém, para deixar bem claro a manobra de sabotagem, duas não têm presidente, uma obteve apenas um depoimento, outra investiga um tema federal e a última repete uma temática que já foi apurada três vezes.

Seria falta do que investigar no governo Alckmin?

Picolé de Chuchu

Muito pelo contrário. Seria pouco o espaço neste post para enumerar as diversas suspeitas, evidências e denúncias contra um dos políticos mais acobertados do país. A começar pela suspeita de pagamento de mensalão para deputados barrarem CPI sobre corrupção no governo em 2011, passando pela denúncia no contrato do cartel de trens, crise no abastecimento de água pela estranha privatização da Sabesp, entre outros casos.

Em recente entrevista, Geraldo Alckmin afirmou que o processo de Impeachment da presidente Dilma não é golpe, pois, num raciocínio simplório, disse que “o Impeachment é previsto na Constituição, e a Constituição não é golpista”.

Pois então fica aqui a sugestão ao governador de São Paulo: permita submeter-se a um processo de Impeachment na Assembleia Legislativa de São Paulo. Seria bom esclarecer todas as suspeitas que pairam sobre sua conduta. Mas como o senhor é um homem democrático, não vai manobrar para garantir a maioria para obstruir os trabalhos: vai deixar a oposição garantir a maioria e a relatoria do processo. E então, quando todos os seus crimes forem devidamente apurados, faça o favor de renunciar ao cargo para responder na Justiça todos os seus malfeitos. E aí sim, depois disso, de dentro da cadeia, talvez você tenha alguma legitimidade para comentar o processo de Impeachment da presidente da República.

5 de dezembro de 2015

Impeachment: em vez de “tiro no pé”, Cunha fez jogada de mestre

Impeachment: em vez de “tiro no pé”, Cunha fez jogada de mestre

Militantes, partidários do governo e blogueiros engajados já comemoram antecipadamente o pedido de Impeachment acolhido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha do PMDB-RJ, contra a presidente da República, Dilma Rousseff. Alguns afirmam que o processo de Impeachment foi bom para a Dilma (!?) pois dará a possibilidade dela esclarecer à população sua conduta até aqui ilibada – ignoram porém, o desgaste que tal necessidade de diversas explicações poderia causar; outros, mais afoitos, dizem que Eduardo Cunha gastou sua última bala, pois a tese das “pedaladas fiscais” que justificariam o Impeachment passou incólume na aprovação das contas pelo governo. Além disso, segundo eles, o crime de responsabilidade fiscal não poderia recair sobre a presidente e sim sobre algum secretário do segundo escalão da Economia.

Bom, Eduardo Cunha pode ser tudo e mais um pouco do que anda sendo acusado, com provas e tudo mais, mas não é tolo, e já mostrou que entende desse tal negócio de política. Não podemos deixar de levar em conta que essa manobra arriscada foi friamente arquitetada com gente da alta confiança, parlamentares que lhes devem favores, outros com afinidade política e alguns oportunistas. Somados estes asseclas, podemos muito bem deduzir que esse processo vai longe, com muitas sessões e etapas delongadas (acompanhe abaixo como funciona o processo).

Devido à gravidade das acusações contra si, Eduardo Cunha já estava na iminência da queda. Tudo o que ele ganha (e ele poderá ser o maior vencedor disso tudo, e não o ingênuo que “gastou a sua última bala à toa”) é sobrevida no cargo. Pois agora, os parlamentares da base aliada do governo que fizerem pressão para seu afastamento estarão apenas “tentando dar o troco”, ou “atuando de forma interesseira e não republicana”, fatos que serão explorados pela mídia burguesa certamente, e lhe darão tempo para assistir de camarote mais um processo de desgaste da presidenta. Isso se não cometerem a loucura de derrubá-la do poder...

Como se percebe, olhando as coisas por este outro prisma, talvez os petistas tenham mais motivos para se preocupar do que andaram demonstrando até aqui, nesse falso gesto de otimismo que não convence ninguém...

Como vai funcionar o processo:

                                                                                                                                                                                                              Fonte da arte: Época

1 de dezembro de 2015

Escolas de São Paulo: como as instituições burguesas tratam protestos de forma “democrática”

Pairando acima do cidadão paulista, o Estado, essa superestrutura que tem o dever de prover, entre outras responsabilidades, a Segurança Pública e a Educação. Por ocasião de uma medida autoritária que mexe com a vida de milhares de pessoas que não foram consultadas, o governo deste Estado, no poder há 20 anos pelo mesmo partido, decide reorganizar as escolas. Os alunos protestam, como protestariam em qualquer sociedade dita democrática. A falência da Educação faz entrar em ação o aparato militar.

O Brasil é um país democrático (não riam) e espera-se que um protesto espontâneo e pacífico de ocupação das escolas pelos alunos suspenda até segunda ordem a decisão de realocar alunos para outros colégios. Abrir-se-ia assim um canal de discussão entre governo, alunos, pais, diretores e os demais responsáveis, para encontrar uma solução negociada. No entanto, o governo de São Paulo, cujo partido tem a social-democracia no nome e o neoliberalismo na ideologia, publica autoritariamente o decreto da realocação assim mesmo. Mais do que isso, coloca a Polícia Militar como interlocutora do Estado para tratar com adolescentes estudantes.

Aluno preso

Pior ainda: o representante da secretaria de Educação do Estado diz que é preciso adotar “ações de guerra” e táticas de guerrilha” contra os alunos acampados. Os primeiros episódios de terror já começam a aparecer, com suspeitos encapuzados fazendo ameaças nas madrugadas em torno dos colégios ocupados. E ainda há de se esperar em breve a desocupação forçada com a Tropa de Choque, bombas de gás, cães, spray de pimenta, balas de borracha e outros apetrechos da democracia burguesa.

Então temos um Estado da federação governado por um partido que acaricia tendências protofascistas e que ataca diretamente um dos maiores baluartes do Liberalismo: a Educação Pública. Muito bem. Por sorte, na nossa democracia, ainda temos uma imprensa livre, que é capaz de denunciar as atitudes insanas do governo, em favor da população.

Mas algo está errado... Vemos os telejornais, os portais de notícias dos principais canais da mídia e eles estão ao lado do... governo!! Onde está a teoria de que o jornalismo é o bastião da democracia contra os desmandos e excessos da administração pública? No Brasil pelo menos, isso não existe. Os interesses comerciais das seis famílias que monopolizam os meios de comunicação parecem ter um peso muito maior no teor das notícias.

Pois então temos este cenário. Resumindo: um Estado (o mais importante do país) governado há 20 anos pelo mesmo partido com tendências protofascistas que coloca as forças militares para dialogar com crianças, cujo secretário diz que as ações têm que ser de guerra e a imprensa, em vez de ser livre apoiar os alunos enquanto cidadãos, inventa factoides para incriminá-los perante a opinião pública, funcionando quase como órgão de propaganda política do governo.

Diante disso, é caso de se questionar: e vocês, analfabetos políticos, ainda têm a coragem de dizer que totalitários e despóticos são os governos comunistas, e livres e democráticos são os governos liberais?!

Você vive num mundo da fantasia em que os senhores capitalistas do mundo elegem os “malvadões” comunistas como seu inimigo, e governos “liberais” como o Eldorado da liberdade. Você na verdade tem muito o que aprender sobre as mentiras da propaganda da ideologia capitalista. Quem sabe São Paulo não lhe seja uma primeira lição.