10 de março de 2015

Venezuela como ameaça à segurança dos EUA? Alguma coisa não está batendo

Putin e Maduro

Apesar de ser presidente de um dos países que mais promovem a insegurança e a instabilidade política no mundo, Barack Obama surpreendeu nessa segunda (9/3) com um comunicado onde denuncia a Venezuela de Nicolás Maduro como um país que representa “uma ameaça não usual e extraordinária à segurança nacional dos Estados Unidos”. E tudo por conta da suposta violação de direitos humanos promovida por militares venezuelanos, que enfrentam uma ameaça de golpismo de adversários políticos que, como no passado recente, contam com o apoio dos… Estados Unidos.

Tal medida da Casa Branca, bastante grave, parece desproporcional. Obama declarou “emergência nacional”, o que quer dizer que pode tomar medidas além das que forem determinadas pelo Congresso norte-americano. E tudo isso porque alguns oficiais venezuelanos presumivelmente exageraram no combate àqueles que pretendem derrubar o governo local? Pra mim existem outras razões mais plausíveis para as ameaças ianques.

Rússia ensaia uma aproximação militar com a Venezuela

Não é de hoje que a Rússia é uma das principais parceiras da Venezuela no continente americano. Só na área militar, existe um acordo que envolve a quantia de 11 bilhões de dólares em armamentos. Além de terem planos de abrir uma fábrica de armas e munições no país sul-americano, os russos já forneceram 24 caças de múltiplas funções Su-30MK2, 34 helicópteros Mi-17V-5, dez helicópteros Mi-26T e três helicópteros Mi-35M. Ano passado, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, chegou a afirmar que a Rússia teria uma base militar na Venezuela, mas logo a seguir as autoridades militares venezuelanas negaram.

Mas o certo é que há, desde o governo Chávez, uma aproximação entre Rússia e Venezuela, fato que certamente incomoda bastante a Casa Branca, especialmente hoje em dia, após o aumento das tensões entre Moscou e Washington na crise da Ucrânia.

Relatório de segurança nacional dos EUA deixa claro: Rússia é o maior inimigo

Publicado dia 7 de fevereiro, o relatório da estratégia de segurança nacional dos EUA para os próximos anos revelou que a Casa Branca concentrará seus esforços e recursos contra a Rússia. O documento permite, há três décadas, conhecer as prioridades e ameaças em política externa dos Estados Unidos. “Vamos impedir a agressão russa, permaneceremos atentos a suas capacidades estratégicas e, se for necessário, ajudaremos nossos aliados e parceiros a resistir à coação russa no longo prazo”, assinala o relatório de 29 páginas.

Ao que tudo indica, tendo em vista tal estratégia norte-americana e a aproximação russa com países latino-americanos no continente que consideram o seu “quintal”, especialmente com a Venezuela, a Casa Branca quer mandar um recado é para Vladimir Putin, não para Maduro.

Isso faz mais sentido do que alegar que a Venezuela representa uma ameaça “extraordinária” aos EUA por combater dissidentes internos.

Anterior
Próximo

Professor de História, Mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), carioca, usa este espaço para comentar sobre os assuntos da política e da sociedade de forma simples e clara, sem, no entanto, abrir mão do rigor da checagem dos fatos.

0 Comentários:

Leia nossos Termos de Uso