20 de fevereiro de 2015

O brasileiro sofre com o descaso do poder público

Soube agora de um caso estarrecedor, que mostra como o povo brasileiro sofre com o descaso das autoridades públicas que insistem em não cumprir o seu dever para com o cidadão.

É o episódio da mulher que foi assassinada dia 12 de fevereiro, junto com seus dois filhos gêmeos num crime que está sendo investigado, mas que tem toda a pinta de crime passional, por conta dos relatos dos investigadores a respeito dos suspeitos que foram presos.

Izabella Gianvecchio foi induzida a ir no shopping pelo pai das crianças, e, de acordo com a polícia, no caminho pegou um assassino de aluguel que foi contratado pelo pai para matá-las. Desconfiado, um parente seguiu o carro em que eles iam, mas ficou sem gasolina no meio do caminho. Ao perceber que o motorista havia desviado da rota para o shopping em direção a uma estrada, ligou para a Polícia Rodoviária Federal, informando que suspeitava do que estava acontecendo.

Em qualquer lugar digno e civilizado do mundo, a polícia estaria de prontidão para averiguar o carro suspeito. Mas estamos no Brasil, esse país que maltrata seus filhos com negligência, e a resposta que o parente da mulher obteve foi: “infelizmente não temos viatura para isso”. Dias depois, descobriram os corpos da mulher e de seus dois filhos, todos assassinados. Pra piorar, sem estrutura para identificar e conservar o corpo da mulher, os legistas da cidade de Aramina-SP liberaram o corpo para enterrá-la como indigente.

Gostaria de dizer que esse foi um mero caso isolado, que as instituições funcionam e que devemos acreditar no poder público. Mas todos sabemos que isso não é verdade. Seja na Polícia Rodoviária Federal, seja no banco, na escola, no hospital, na Previdência, no trânsito, na segurança, o brasileiro é escorraçado e tratado como lixo todos os dias, sem nenhuma consideração pelas autoridades. Isso porque não existe a menor repercussão para atos desse tipo. O médico que burla o plantão pra ir na praia e que deixa dezenas de pacientes sem atendimento, o policial que abusa da autoridade para humilhar o cidadão pobre numa revista, a autoridade pública que ri quando dezenas de trabalhadores se ferem num descarrilamento de trem, todos eles fazem parte de uma classe perversa de funcionários públicos que não honram a sua profissão, desmotivados pela falta de condições de trabalho que o Estado lhes impõe.

Essas coisas são de indignar, e as autoridades têm que agradecer todos os dias que o povo não se levante em revolta e faça valer sua força. Mas um dia ele vai acordar, e essas pessoas vão pagar pelos seus atos, que, pra mim, são tão criminosos quanto o assassinato praticado.

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Professor de História, Mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), carioca, usa este espaço para comentar sobre os assuntos da política e da sociedade de forma simples e clara, sem, no entanto, abrir mão do rigor da checagem dos fatos.

Um comentário:

  1. Dia 15 de março, se esta data se cumprir teremos uma esperançosa reviravolta e mais um capitulo nos livros de história, a passeata para o impeachment da Dilma, senhora esta que leva o nosso Brasil a ruina com casos tão abafados como esse e tão escandalosos como o da Petrobras, aquele do Juiz Federal que tira uma onda com um carrão do ladrão anunciado e que ele mesmo não honra o mérito que tem e principalmente os direitos trabalhistas jogados na lama e na cara de todos os cidadãos de bem. Vejo o nosso país como uma incerteza, um ponto de interrogação que duvidamos até de nossas forças em derrubar o governo, pois não temos muitas opções acessiveis para melhorar o quanto queremos, o que fazemos? Derrubamos a Dilma e ficamos com uma nova duvida? fechamos os olhos e sofremos calado? a revolução tem que ocorrer em todos os lados, não só em uma liderança.

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