19 de outubro de 2014

Debates quentes e repletos de acusações são melhores

Dilma e Aecio Neves

Daqui a pouco vai começar o penúltimo debate com os candidatos a presidente da República na Record, e se tivermos como parâmetro os dois anteriores – na Band e no SBT – será mais um daqueles confrontos recheados de acusações mútuas. Mas isso não é negativo, muito pelo contrário.

Recentemente, alguns blogueiros, analistas políticos e outros interessados em debates presidenciais andaram reclamando sobre o nível dos últimos embates entre os candidatos na TV. Tanto Aécio Neves quanto Dilma Rousseff dispararam a metralhadora giratória um contra o outro. Segundo esses comentaristas, os candidatos deveriam estar usando o tempo para apresentar ao eleitor suas propostas de governo.

Ora bolas, mas pra isso já existe a dispendiosa propaganda eleitoral “gratuita”, onde os candidatos possuem bastante tempo para apresentar aquilo que já fizeram – no caso da Dilma – ou aquilo que pretendem fazer. Os debates políticos na TV se tornaram modorrentos com aquele monte de regras que inibem em vez de estimular o embate de ideias. Por isso os marqueteiros e assessores políticos se especializaram em produzir um tipo de candidato treinado e ensaiado para um minuto e meio de resposta, um minuto de réplica e trinta segundos de tréplica, o que deixa tudo muito amarrado e artificial. Geralmente pouco se foge dos clichês de sempre em época de eleição: saúde, educação, emprego, mobilidade urbana e segurança pública. Isso facilita o roteiro da apostila.

Mas quando um candidato tem que lidar com acusações diretas, muitos acusam o golpe, e então temos a oportunidade de observar um pouco das reações espontâneas por trás da fachada firme criada pelos marqueteiros: atrapalhação com a resposta, gagueira, fuga do assunto, nervosismo, ansiedade, impaciência… E isso é muito mais decisivo para o eleitor definir o seu voto do que os temas ensaiados de véspera com os assessores.

Por isso, espero que o debate de hoje seja repleto de acusações mesmo. Quero ver delação premiada, Petrobrás, corrupção, aeroporto de Montezuma e Cláudio, mensalão tucano e petista, nepotismo, desvio de verbas, privatarias, obras superfaturadas… Vamos ver quem tem mais garrafa vazia pra vender. E que vença o menos pior.

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Professor de História, Mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), carioca, usa este espaço para comentar sobre os assuntos da política e da sociedade de forma simples e clara, sem, no entanto, abrir mão do rigor da checagem dos fatos.

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