29 de agosto de 2014

A conta do PT pode estar chegando nessa eleição

Lula Dirceu e DilmaPrimeiro, foi o José Dirceu que, vitorioso como coordenador da campanha presidencial no pleito de 2002, virou as costas para as bandeiras históricas do Partido dos Trabalhadores, e deu uma guinada para agradar a elite nacional com a "Carta aos Brasileiros" (leia-se, carta ao mercado) com o Lulinha paz e amor dando mimos e cargos para os setores mais reacionários da política nacional. Tentou no governo ter as mesmas práticas condenáveis de décadas de má política das elites e classes dominantes. Tomou uma trolha de Mensalão no rabo no julgamento do STF pra perceber que jamais será um deles.

Agora Dilma foi bajular os religiosos no Templo de Salomão, atrás de umas migalhas de votos evangélicos e disse que "feliz é a nação cujo Deus é o senhor", jogando no lixo uma luta de setores favoráveis ao completo compromisso político com os princípios do laicismo, que ela nitidamente desrespeitou. Ironicamente, pelo que vem se desenhando na campanha presidencial, num eventual segundo turno ela perderia o posto de presidente com o voto dos evangélicos que se viraram para Marina, conforme as pesquisas têm demonstrado recentemente.

Parece que só quando perderem de vez as eleições, coisa que vem se desenhando fortemente a cada novo pleito, vão aprender que era bem melhor ter conquistado o eleitorado progressista, os jovens e os manifestantes de junho, que foram às ruas devido a uma completa insatisfação com o governo que se acomodou em atender às demandas do mercado financeiro, como inflação na meta, superávit primário, juros e outros índices caros aos capitalistas. E em vez de reconhecimento e diálogo com os setores populares, bateram palmas para bombas, gás de pimenta, tiros, acusações e prisões arbitrárias, transformando o Brasil num Estado autoritário que não ficou devendo em nada aos piores momentos da Ditadura Militar. Desde 2002, preferiram se prostrar de joelhos atrás do voto das alas mais conservadoras da sociedade – parcela que, além de tudo, os odeia pelo simples fato do que um dia eles representaram.

Um erro histórico cuja conta pode estar chegando agora, nessa eleição de 2014. Seria uma vergonha que os petistas teriam que engolir durante muitos e muitos anos, mas um castigo merecido, para quem achava que estava confortável no centro do espectro político-ideológico.

27 de agosto de 2014

Pequenas impressões sobre o primeiro debate a presidente na Band

Debate na Band 2014

Hoje 26 de agosto (o debate acabou na madrugada do dia 27), aconteceu nos estúdios da Bandeirantes o primeiro debate a presidente para as eleições 2014, que merece algumas considerações rápidas.

Primeiro: como os partidos que não formam as consideradas três principais candidaturas puderam concordar com as regras desse debate na Band? Favoreceram a concentração das perguntas nos três candidatos mais bem colocados.

O nível foi até bom, e a grande surpresa foi o Eduardo Jorge do PV, um sujeito espontâneo, descontraído e com propostas até bem progressistas, como a descriminalização do aborto e das drogas, temas sempre delicados para os candidatos. Aécio Neves (PSDB), por exemplo, preferiu sair pela tangente, dizendo que “é a favor da legislação atual” sobre o aborto – por mais que ela seja responsável por diversas mortes de mulheres todos os anos.

Aliás, o candidato tucano parecia estar na gravação de um programa eleitoral, com falas e tons de vozes nitidamente ensaiados. José Serra deve ter adorado – não que ele próprio fosse alguma sumidade em debates, pelo contrário: em 2010, preferiu a estratégia de pautas conservadoras nos debates e na campanha, colocando a própria esposa para dizer que Dilma era a favor de “matar crianças” com a lei do aborto, além de fugir como o diabo da cruz do tema “privatização”. Aécio pelo menos debateu questões envolvendo exclusivamente política e assumiu corajosamente o legado duvidoso das privatizações tucanas.

A Marina Silva (PSB) se equilibrou o tempo todo na corda bamba da indecisão. Ora os governos tucano e petista eram uma desgraça que devia ser banida, ora tinham virtudes que deviam ser reconhecidas. Sempre em cima do muro. Tanto que, criticando o Estado Mínimo e a “intervenção” do Estado com a mesma intensidade, deu a impressão que ela iria propor um Estado Médio. Irrita ver um vazio ideológico tão grande, tendo uma candidatura a presidente com quase 30 por cento de intenção de voto.

O pastor Everaldo (PSC) é uma piada de mal gosto. Só nesse país os líderes religiosos têm uma ideologia política afinada com os interesses das classes dominantes. Tão ingênuo que pretende entregar tudo à iniciativa privada. De acordo com o candidato puro de coração, os empresários vão acabar com a corrupção no país, vão tirar do próprio bolso e investir diretamente bilhões numa usina hidrelétrica, por exemplo, correndo todos os riscos da aposta capitalista que eles defendem da apenas da boca pra fora, em vez de esperar o governo investir dinheiro público e depois comodamente receber uma concessão de mão-beijada, como sempre fazem. Fala da suposta corrupção como sendo um mal do Estado e esquece que é na iniciativa privada que estão os corruptores deste mesmo Estado. Pastor inocente e neoliberal é um pouco demais.

O candidato Levy Fidélix (PRTB) tocou em assuntos importantes, como necessidade da auditoria da dívida, mas suas propostas quase sempre não passam da reprodução de um monte de senso-comum. Desnecessário maiores detalhes.

Dilma Rousseff (PT) foi até bastante bem, não escapuliu pela tangente em nenhum tema relevante, respondendo sempre em cima do assunto. De fato, o país tem evitado aplicar o receituário de cortes e arrochos para conter os resquícios da maior crise capitalista desde 1929, e tem preferido defender salários e empregos, um grande mérito desde governo. Todos os países que seguiram o que defendem os economistas do mainstream neoliberal e consequentemente, os tucanos, estão tendo que lidar com crises, revoltas e insatisfações.

Luciana Genro (PSOL) foi muito prejudicada pelas regras do debate, que a fizeram falar apenas o mínimo possível. Talvez por isso mesmo tenha preferido abordar diversos temas de uma vez, e no geral apresentou as propostas do programa do seu partido para o governo.

De resto, lamentar profundamente as perguntas capciosas, direcionadas, todas elas com algum tipo de crítica embutida ao atual governo, promovidas pelos jornalistas da Bandeirantes. Aquilo de chamar o decreto 8243 de política "bolivariana" foi uma das coisas mais ridículas que eu já vi nos últimos tempos. O velho medo dos grupos empresariais da comunicação de perder seus monopólios no Brasil.

Também é bom registrar um dado importante: de todos os postulantes ao cargo máximo do país, três são mulheres. É a maior representação feminina na candidatura ao governo do país em todos os tempos.

15 de agosto de 2014

Marina Silva não é “terceira via”

Marina SilvaEduardo Campos era considerado por analistas políticos o candidato a presidente da “Terceira Via”. Com o seu recentemente falecimento num trágico acidente aéreo, ainda se discute quem assumirá o seu lugar na chapa, mas enquanto alguns analistas apontam o fim da “Terceira Via” nas eleições de outubro, outro consideram a sua vice, Marina Silva, como herdeira natural desta corrente. Mas o que exatamente representa esta suposta terceira via na política nacional? Ou quais são as outras duas vias? (se é que elas são mesmo duas).

A Terceira Via

A “Terceira Via” nasceu como uma corrente reformista da social-democracia que visava conciliar dois paradigmas que rivalizaram durante grande parte do século XX: o liberalismo (Primeira Via) e o comunismo (Segunda Via). Políticos como Tony Blair, Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso representaram, mais tarde, a aliança da Terceira Via com as propostas neoliberais, assim que chegaram ao poder em seus respectivos países, influenciando outros governos com a ajuda de instituições econômicas como o FMI e o Banco Mundial, que passaram a condicionar seus empréstimos financeiros de acordo com a aplicação desse modelo político-econômico, especialmente a partir dos anos 80.

Basicamente, a Terceira Via seria a síntese das propostas da esquerda e da direita, ao se apresentar como representante de uma política econômica conservadora associada a uma política social progressista.

Marina, a Terceira Via?

Na atual corrida eleitoral brasileira, vem-se tentando emplacar a ideia de que Marina Silva seria uma representante dessa vertente. A própria candidata ajuda a alimentar a ideia, ao dizer que não é “nem de esquerda, nem de direita”. Muitos analistas parecem ter aderido a esta alegação, e usam o termo “terceira via” de modo um tanto arbitrário para definir a linha política da candidata. Uma rápida pesquisa na internet mostra que jornalistas importantes como José Roberto de Toledo, Zuenir Ventura, Elio Gaspari e Merval Pereira, entre outros, consideravam Eduardo Campos e Marina Silva representantes de uma terceira via, em oposição à polarização entre um PT supostamente socialista de mais e um PSDB neoliberal de mais nessas últimas eleições.

Mas a verdade é que isso é pura fantasia. No máximo, a Marina pode ser apenas uma "terceira opção" à falsa polarização entre PT e PSDB, não uma outra "via". Na verdade, as três principais candidaturas a presidência representam rigorosamente a mesma via, a via do capital maquiado de social – exatamente como se propõe a ser a Terceira Via. Não existe nem uma segunda via entre Aécio, Dilma e provavelmente Marina, quanto mais uma terceira. Marina Silva não representa, então, uma terceira via, e sim uma terceira opção de uma mesma via – Talvez ainda mais conservadora que as outras duas.

7 de agosto de 2014

Sam Harris deveria ter permanecido calado

A militância ateísta nos Estados Unidos cresceu e se tornou atuante na medida em que o fundamentalismo cristão aumentou assustadoramente naquele país nos últimos anos. Seitas neopentecostais e pastores fanáticos influenciaram milhões de norte-americanos a abandonar os preceitos racionais e científicos para tomar como verdades as parábolas editadas num livro supostamente sagrado, escrito por um povo bárbaro na Era do Bronze há mais de dois mil anos.

Os Cavaleiros do Ateísmo

Os Quatro Cavaleiros do Ateismo

Quatro destes militantes se destacaram merecidamente no combate ao irracionalismo religioso, com suas palestras e livros publicados, formando o que seus críticos denominaram “Os Quatro Cavaleiros do Ateísmo”: os ingleses Christopher Hitchens – escritor e colunista radicado nos EUA, falecido em 2011 –, Richard Dawkins – de família inglesa, nascido em Nairóbi e educado desde pequeno na Inglaterra, biólogo – e os estadunidenses Daniel Dennet, filósofo, e Sam Harris, filósofo e neurocientista.

Brilhantes no ateísmo, medíocres nos assuntos políticos

Se no campo do combate ao obscurantismo se destacaram de forma incontestável, o mesmo não pode se dizer quando alguns deles se aventuram no campo político.

Já tinha acontecido com Hitchens, um ex-progressista de esquerda que, no fim da vida, se tornou neoconservador e que, em 2011, condenou publicamente Julian Assange, fundador do WikiLeaks, como criminoso por divulgar documentos secretos das Embaixadas dos Estados Unidos que denunciavam práticas ilegais. Ele também não se furtou a apoiar desde o princípio a insana guerra no Iraque promovida pelo governo George W. Bush, e mesmo depois da divulgação de que os pretextos que serviram à guerra eram falsos -- Saddam Hussein não possuía armas de destruição em massa -- não mudou de opinião.

E agora aconteceu de novo, quando Sam Harris resolveu atender aos apelos para sair de cima do muro e dar alguma opinião sobre o mais recente conflito na Palestina. E era melhor ter permanecido calado.

 

 

 

Isso é o que acontece quando sobra militância ateísta incondicional contra religião, mas falta compreensão político-histórica para entender do que se está falando. Mesmo no caso de Hitchens, um profundo erudito e conhecedor da História, ao deixar sua aversão ao fundamentalismo islâmico afetar seu julgamento sobre a legitimidade de uma guerra contra o Iraque. O mesmo erro comete Harris. De repente Israel se tornou o campeão do laicismo lutando contra fundamentalismo islâmico, e, no fundo, talvez devêssemos todos até agradecer a eles (!), pois afinal, do que se trata a guerra na Palestina senão a luta dos bonzinhos secularistas judeus contra os malvados fundamentalistas islâmicos? Então tudo bem, esqueçam os abusos, os crimes, é tudo por uma causa maior… Às vezes os judeus erram o alvo e acertam “uma ou outra” criança, mas claro, sem querer, porque se eles pudessem eles matavam todas. E só porque eles não matam todas de uma vez está provado que eles são legais, pois a intenção maior é defender o mundo do obscurantismo dos muçulmanos, mesmo com estes pequenos efeitos colaterais...

  Leia também: WikiLeaks e o lado perverso de Christopher Hitchens

Certamente, por causa de coisas assim, o prestígio de Sam Harris jamais transbordará as fronteiras restritas do ateísmo. Diferentemente de outros livre-pensadores, inclusive de Daniel Dennet e Dawkins, ganhadores de prêmios da Bertrand Russell Society por seus valores humanistas (Hitchens teve seu nome vetado para o mesmo prêmio) Sam Harris se preocupa em analisar uma questão repleta de implicações políticas e humanitárias sob uma perspectiva limitada, pra não dizer equivocada: a luta da razão versus religião. Equivocada porque Harris ignora as bases religiosas que fundamentam o sionismo e o Estado de Israel. E por isso que, apesar de brilhantes no combate ao obscurantismo, alguns dos Cavalheiros do Ateísmo não merecem nossos ouvidos quando se aventuram a opinar fora de suas áreas de atuação.

4 de agosto de 2014

“Autos de resistência” ou licença para matar?

Agentes da CORE e Allyson no chão

Muita gente ficou estarrecida ao assistir ao vídeo divulgado recentemente pelo jornal Extra, que mostra a execução do jovem Allyson Fernandes numa incursão da Core no Morro do Banco em maio, em Itanhangá, na Zona Oeste do Rio. Mesmo depois de rendido, o rapaz de 19 anos foi morto com dois tiros.

A alegação dos policiais envolvidos, mesmo que a gravação os desminta peremptoriamente, é “auto de resistência”, conforme noticiou a rádio CBN hoje. Talvez o hábito seja tão forte que já não sejam mais capazes de improvisar. Ou seja, matou, é auto de resistência, uma realidade que os moradores de comunidades carentes convivem diariamente – embora nem sempre seja possível filmar, como foi no caso do jovem assassinado.

Mas a polícia não mata a esmo. Existe um padrão no perfil de mortos pelas mãos da polícia: pretos e pobres, moradores de comunidades carentes. Ainda existe uma parcela significativa de pessoas que aplaudem esse tipo de ação criminosa. Talvez por isso eles continuem matando.

Conforme já publicado no nosso blog (Passando a limpo a Polícia Militar do Rio de Janeiro (parte 2): as principais mazelas da instituição) o número de mortos numa incursão policial no Rio de Janeiro é 3 vezes superior ao número de feridos, quando se espera sempre que seja o contrário, já que a polícia não é feita pra matar – ou pelo menos não deveria ser.

E quando isso acontece, a desculpa são sempre os mal-fadados “autos de resistência”, ou seja, o mecanismo legal que autoriza os agentes públicos e seus auxiliares a utilizarem os meios necessários para atuar contra pessoas que resistam à prisão em flagrante ou determinada por ordem judicial. Não foi o caso de Allyson. Ele já tinha se rendido. Não foi o caso de milhares de jovens mortos em ações policiais no últimos anos. Os dados coletados pelos pesquisadores Ignacio Cano, Julita Lemgruber e Leonarda Musimeci para livro Quem vigia os vigias não deixam dúvidas, conforme já mostramos aqui:

Os exames das necropsias nas vítimas indica o claro objetivo da execução sumária nas favelas: 46% dos corpos apresentavam mais de 4 tiros; 61% deles tinha pelo menos um tiro na cabeça; 65% apresentavam pelo menos um disparo pelas costas; um terço dos mortos tinham outras lesões além das provocadas por armas de fogo e 40% das vítimas tinham recebido tiros à queima-roupa, a mais clara evidência de execução.

Para acabar com esse artifício legal que funciona como pena de morte, foi sugerida no Congresso o Projeto de Lei 4471/12, que cria regras para a apuração de mortes e lesões corporais decorrentes das ações de agentes do estado, como policiais. O PL entrou em pauta em abril para ser votado em regime de urgência mas foi retirado logo em seguida. Só com a pressão dos eleitores será possível a aprovação desta lei. A sociedade brasileira mudou nos últimos anos, e apesar de ainda existirem aqueles indivíduos mais grosseiros que dão legitimação a esse tipo de prática criminosa, já não cabe mais assistirmos passivamente essa cena lastimável que ocorre em todas as comunidades carentes do Rio de Janeiro.

3 de agosto de 2014

O que as manchetes nos dizem sobre a “imparcialidade” da imprensa

Uma imprensa imparcial? Pense de novo. Apesar do mito da imparcialidade persistir firme nas nossas democracias ocidentais e no nosso imaginário a respeito do jornalismo, a imprensa pode ser tudo, menos neutra. Basta um pouco de pesquisa e conhecimento para desnudar as atividades político-ideológicas que se escondem atrás de fachadas de notícias aparentemente isentas ao longo dos últimos tempos.

Uma nova ferramenta está à nossa disposição justamente para este propósito: trata-se do site Manchetômetro, que, como o próprio nome diz, tem a intenção de medir a valência (o teor positivo ou negativo) da abordagem feita nas manchetes sobre determinado candidato a presidente pelos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo, e no Jornal Nacional, da TV Globo.

  Leia também: A velha imprensa ganha sobrevida na internet.

Um primeiro estudo interessante e muito revelador foi publicado recentemente no site, mostrando, através de um gráfico, a quantidade de matérias de capa nos três mencionados jornais de acordo com a valência (positiva ou negativa) para cada um dos três candidatos principais:

gráfico 1

Podemos concluir da análise do gráfico acima que o candidato Aécio Neves tem uma valência absolutamente equilibrada – ou seja, o número de manchetes com chamada negativa nos três principais jornais do país foi o mesmo do número de manchetes com chamadas positivas. Foram 18 favoráveis e 18 negativas.

O mesmo pode-se dizer do candidato Eduardo Campos. Com uma pequena diferença pesando para as manchetes negativas (15, contra 11 favoráveis) ainda assim existe um certo equilíbrio na abordagem do candidato.

Mas o que realmente chama a atenção é o tratamento absurdamente desproporcional dispensado à candidatura de Dilma Rousseff nestes jornais. Até ontem (2 de agosto, data da última atualização) Dilma foi citada de forma favorável 15 vezes. Mas teve 188 manchetes negativas no período analisado, uma discrepância colossal que não tem a menor justificativa plausível – nem mesmo o fato de ser a atual mandatária do país.

Outro dado revelador é a tendência constante de crescimento de manchetes negativas de Dilma Rousseff ao longo de 2014, conforme vai se aproximando o mês das eleições, como ilustra o gráfico abaixo:

gráfico 2

A única exceção é o mês de abril, onde mesmo assim Dilma (em vermelho no gráfico) foi citada negativamente 8 vezes, contra 1 de Eduardo Campos (laranja) e nenhuma de Aécio Neves (azul). Também houve uma ligeira queda em junho, tendência que se reverteu totalmente no mês seguinte.

  Entenda: SIP: onde se forma o consenso da imprensa conservadora latino-americana

O Manchetômetro vem oferecer um importante instrumento de análise do comportamento reprovável, parcial e ideológico dos principais jornais do país na cobertura das eleições. Divulgando dados que nos permitem perceber a atuação tendenciosa de veículos que se dizem neutros, ele nos demonstra com clareza que é preciso derrubar de uma vez por todas o mito da imparcialidade da imprensa brasileira. O Panorâmica Social vem fazendo a sua parte, ajudando a esclarecer o leitor com postagens sérias e embasadas sobre a imprensa. Cabe a nós cuidarmos para que nossa imprensa seja cada vez mais correta, fiscal da opinião pública e não um partido político em favor de determinados interesses de classe.