30 de junho de 2014

Europeus votam na ONU contra punição a empresas poluidoras

poluicaoQuem observa hoje as limpas e ecologicamente corretas principais cidades europeias, com cada vez menos poluição e mais bicicletas ocupando o lugar dos carros, mais empresas de serviços ocupando o lugar das poluentes fábricas, é bem capaz de realmente acreditar que estamos mesmo vivendo uma era pós-industrial, pós-fordista, pós-moderna ou seja lá pós o quê você queira usar para corroborar esta tese nesse começo de século XXI. Além disso, você há de acreditar que a Europa saiu mesmo na frente de China, Estados Unidos e Japão, países que ainda têm grandes dificuldades de conciliar crescimento econômico com consciência ambiental. Mas eis que, então, você toma conhecimento da 26ª reunião do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, em Genebra, onde acaba de ser aprovada uma resolução para obrigar as multinacionais e outras empresas a respeitar os direitos humanos. Os países europeus que participam desse grupo votaram todos contra. Incoerência? Contradição?

Na verdade, não. Isso porque não vivemos uma era pós-industrial coisíssima nenhuma – apesar do setor de serviços concorrer com o industrial como nunca antes da história do Ocidente. O que temos, na verdade, é uma legislação ambiental mais rigorosa na Europa (para os europeus), que obriga as indústrias mais poluentes do Velho Continente a migrarem para regiões mais pobres do planeta, onde, além da legislação menos severa nas questões ambientais, encontram uma mão de obra mais barata com relação ao trabalhador da Europa.

É assim, por exemplo, que cidades alemãs como Stuttgart mantêm a sua área industrial de alta tecnologia mas baixa poluição, como as fábricas da Porsche, da Mercedes-Benz e da Bosch, mas por outro lado, exportam para o “Terceiro-Mundo” as suas indústrias mais poluentes, como a Thyssenkrupp que instalou a sua siderúrgica em Santa Cruz-RJ, anos atrás, transformando a vida dos moradores locais num inferno de partículas poluentes lançadas no ar pelos altos-fornos.

Por isso, ninguém há de estranhar que a UE tenha determinado aos países europeus que compõem o Conselho (Áustria, República Checa, Estônia, França, Irlanda, Itália, Romênia e Reino Unido) para votarem contra o enquadramento de grandes corporações que atuam impunemente ao redor do mundo: o seu próprio bem-estar local depende da exploração de regiões pobres do planeta – aliás, como sempre vem acontecendo desde que as primeiras caravelas do continente europeu encontraram outros potenciais “mercados” pelo mundo afora no século XV.

Apesar disso, a resolução foi aprovada por 20 votos a favor e 14 contra, devido à determinação especial de Equador e África do Sul, que propuseram e se esforçaram pela aprovação da resolução. Viver pedalando em cidades verdes e limpas é muito bom, desde que o preço não seja emporcalhar o resto do mundo.

28 de junho de 2014

Qual vai ser a próxima vergonha da classe média brasileira?

Qual vai ser a próxima vergonha da classe média brasileira?

Eles já foram contra o programa Mais Médicos – alguns deles se prestaram, inclusive, a recepcionar alguns médicos estrangeiros com vaias nos aeroportos –; eles já tiraram fotos com o Caveirão da Polícia Militar; eles já xingaram a presidente da República com o mais baixo dos palavrões na abertura da Copa no Brasil e, não satisfeitos, protagonizaram agora uma das mais raras cenas de grosseria: vaiaram o hino nacional de um país vizinho numa disputa pela Copa do Mundo. Aonde esses brasileiros de classe média que enchem os estádios, educados nas melhores escolas do país, aprenderam a ser tão vis?

Parece que a melhora de vida da população pobre brasileira, muito abaixo do que o governo gosta de propagar e baseado apenas no poder de consumo e não no nível de educação e formação profissional, anda mexendo com os brios das classes médias urbanas, popularmente conhecidas hoje em dia como “coxinhas”. Não cansam de nos envergonhar com suas atitudes patéticas, seus valores burgueses tacanhos e seus eternos preconceitos de classe, de gênero e de raça. Sua metralhadora anda atirando para todos os lados.

O que nos espanta, em se tratando de pessoas que supostamente possuem um grau de educação escolar mais elevado, é a fragilidade de suas convicções. Conversando com muitos deles, percebemos que a base de tanto ódio, tanto preconceito, é apenas um boato propagado pela imprensa aqui, um clichê absurdo compartilhado pela internet ali, um disse-me-disse acolá, um ouvi dizer pra aqui, um “li na Veja” pra lá... E assim temos toda uma classe (com exceção dos que pertencem a ela, mas a renegam) tendo comportamentos e pensamentos tão simplórios e vergonhosos.

Gostaria de ter a experiência de ver o Brasil enfrentando a seleção dos Estados Unidos, com a numerosa torcida estadunidense a cantar o seu hino a plenos pulmões no estádio. Será que o comportamento desse pessoal, que adora porcarias enlatadas dos norte-americanos, que bajula os anglo-saxões como cães adestrados, que batiza suas lojas com nomes em inglês, que gozam férias em Miami ou Nova Iorque, seria o mesmo? Sou capaz de apostar que não. Isso porque a classe média brasileira tem a ideologia colonizada, a síndrome do vira-latas estampado no seu DNA. Isso não explica tudo, mas grande parte desse comportamento esdrúxulo que eles vêm apresentando ultimamente.

Qual será a próxima sandice dessa burguesia desvairada e piegas que se diz “brasileira com muito orgulho e com muito amor”? Dilma Rousseff vai entregar pessoalmente a taça de campeão mundial na final da Copa do Mundo no Maracanã. Será que os coxinhas cariocas vão repetir os coxinhas paulistas e hostilizar a presidente da República para 3 bilhões de pessoas assistirem ao vivo, ou dessa vez terão um pouco mais de dignidade? Vamos ver.

24 de junho de 2014

Fuga de talentos do futebol brasileiro

Fuga de talentos do BrasilMuitos dos países hoje bem-sucedidos se fizeram ricos pela criatividade do seu povo e um bom projeto de nação: enquanto a aposta no recurso humano é visto em países mais atrasados na corrida econômica como “despesa”, nos países mais adiantados, é visto como investimento. Mas, apesar disso, muitos deles receberam uma mãozinha de estrangeiros para se consolidar, atraindo-os para suas universidades e empresas.

Junto com o indivíduo que deixa um país, vão projetos, ideias, descobertas e realizações que vão prosperar bem longe, em favor de terceiros. É um dos efeitos colaterais da globalização.

São conhecidos os casos de cientistas refugiados que, em troca de exílio, passam a trabalhar para o governo que os acolhe. Ou então, a pura e simples busca de melhor infraestrutura, status e principalmente, melhor remuneração – há diversos cientistas brasileiros trabalhando nas maiores universidades do mundo, quando poderiam muito bem estar trabalhando aqui, formando novos alunos ou desenvolvendo pesquisas inovadoras para o Brasil. Mas em época de Copa do Mundo, o que mais chama a atenção neste momento é a fuga de talentos do futebol nacional para o exterior.

Cada vez mais jovens, os atletas brasileiros procuram uma transferência internacional. Oriundos das camadas mais pobres da sociedade, são vítimas em potencial de aliciamento por parte de empresários espertos. A controversa Lei Pelé, em meados dos anos 90, foi festejada como o fim da escravidão no futebol brasileiro ao acabar com o passe, mas, por outro lado, criou-se um eufemístico “direito federativo” que escancarou as portas do neoliberalismo no futebol. Com isso os empresários dominaram a cena. Eles criaram clubes fictícios para terem jogadores, já que pessoas físicas não podem possuir os direitos federativos dos atletas, e colocaram os clubes formadores pra escanteio.

Na nossa atual seleção, muitos jogadores fizeram seus nomes lá fora antes mesmo de despontarem num grande clube nacional. São os casos, por exemplo, de Hulk, Luiz Gustavo, David Luiz e William. Valendo atualmente milhões de euros, estes jogadores brilham nas principais ligas de futebol do mundo (e outras nem tão badaladas assim), enriquecendo os clubes estrangeiros, dando audiências a TVs estrangeiras, enquanto nosso campeonato brasileiro sofre com um nível técnico bastante abaixo do que representa o país pentacampeão mundial.

O Brasil é a sétima economia mundial atualmente. Como pode perder jogadores para mercados bem mais modestos, como o da Turquia, do Oriente Médio ou da Ucrânia?

Pelo menos parece que recentemente tem havido um movimento de atletas e do governo federal, com a adesão de alguns clubes (e não todos, o que é lamentável) para resgatar a capacidade financeira do futebol brasileiro. A fuga de talentos faz mal para a economia do país, seja na área tecnológica, científica ou futebolística. Na divisão internacional do trabalho, não podemos aceitar uma suposta vocação para o fornecimento de matéria-prima e recurso humano, deixando a organização e a realização final nas mãos de “países mais capacitados”. É assim que fornecemos bananas e consumimos produtos com valor agregado mais caro produzidos lá fora, como tecnologia, por exemplo. E é assim que assistimos pela TV nossos craques brilharem nas organizadas ligas estrangeiras.

Em vez de fornecermos o material bruto no futebol (no caso, os atletas) para o mercado internacional, como fazemos com nossos produtos primários como a soja, a laranja e o petróleo, que vendamos o produto acabado, ou seja, um campeonato brasileiro forte, atrativo, repleto de craques nacionais. Temos de parar de colocar azeitona nas empadas alheias.

18 de junho de 2014

Modo latino-americano de torcer

Torcedores chilenos presosAs pessoas andam perdendo mesmo o equilíbrio hoje em dia. Tudo é assim, ou preto, ou branco, não tem mais um meio-termo. Ainda mais quando o assunto é futebol com elementos de política envolvidos…

Hoje 88 chilenos foram presos depois de invadir o estádio do Maracanã através da área destinada à imprensa antes do jogo Espanha e Chile e podem ser deportados a qualquer momento. Foi o suficiente para diversos críticos brasileiros defenderem nossos vizinhos sul-americanos, porque se opõem à organização do evento e acham legítimo o “ato político”. 

Eu também me oponho e muito à forma como essa Copa foi realizada, e acho que a torcida brasileira almofadinha de classe média não sabe torcer nos estádios. Também acho que essa Copa não foi feita pra todo mundo, mas nem por isso eu vou achar bonito um bando de tresloucados chilenos invadindo o Maracanã como uma horda de hunos porque "é assim que se torce na América Latina!!".

Pra mim isso não é modelo de torcida. A festa que eles fazem nos estádios sim, é muito bonita e empolgante, mas tudo que extrapola a isso merece ser condenado. Ou será que essas pessoas também acham que rojão, pedrada e sapatada na cabeça é uma linda e legítima forma latino-americana de torcer?

Que eles dão de mil em entusiasmo nos nossos coxinhas com seus cânticos e sua empolgação eu concordo, mas temos que saber separar as coisas. É possível criticar a insossa torcida brasileira sem ter que apoiar esse tipo de comportamento repreensível dos estrangeiros. Isso daqui não é casa da mãe joana. É só imaginar um grupo de brasileiros sem ingressos invadindo o estádio de Wembley em plena realização de uma Copa do Mundo. Claro que não.

E o tic tac quebrou….

despertador_quebradoO Chile não se intimidou e jogou no mesmo toque de bola que é a marca do time espanhol.

Durante muito tempo os ibéricos não poderão ouvir falar o nome do Maracanã. Em menos de um ano, uma derrota acachapante na final da Copa das Confederações para o Brasil ano passado e agora uma eliminação incrível em apenas dois jogos para o Chile na Copa do Mundo. No total do Maracanã, dois jogos, 5 gols sofridos e nenhum feito. Nesta Copa, 7 gols sofridos e apenas um feito, de pênalti duvidoso.

Casillas fez a pior Copa de um goleiro das últimas décadas. Inseguro, falhando e entregando em todos os jogos. 

Primeiro a invasão argentina, depois a invasão mexicana e agora a invasão chilena no Rio de Janeiro mostram que essa Copa não é só do Brasil, é de toda a América Latina. 

17 de junho de 2014

Sergei Mikhalkov e os hinos da Rússia

Sergei MikhalkovUm detalhe curioso na estreia da Rússia agora há pouco na Copa do Mundo: o uniforme vermelho com detalhes em dourado e o hino, que remetem à União Soviética. 

A história do hino daquele país é repleto de complicadas reviravoltas, e com um personagem constante: Sergei Mikhalkov

A música escrita por Alexander Alexandrov surgiu em 1943. A letra foi composta pelo poeta e dramaturgo Mikhalkov. O refrão louvava o "partido de Lênin, o partido de Stalin/ Levando-nos ao triunfo do comunismo".

Depois da morte de Stalin, em 1956, seu adversário político e sucessor Nikita Khrushchev condenou o refrão, e assim o hino perdeu a sua letra. Assim, durante 21 anos, o hino foi executado apenas na versão instrumental. A União Soviética, reformada, procurava um autor para criar um hino da era pós-stalinista. 

Em 1977 o hino ganhou uma nova letra. O mesmo Mikhalkov, agora com 64 anos, acabou sendo incumbido novamente da tarefa, agora sem menções a Stalin: "O partido de Lênin, a força do povo". 

Em 1990, com a queda da União Soviética, o hino foi trocado. Boris Iéltsin modificou o tradicional hino soviético pela "Canção Patriótica", uma melodia sem letras, tal qual o hino espanhol, que não "colou". Foi chamado pelo povo de "hino das oligarquias", por representar um período de grandes desigualdades sociais no país. 

Já no outono de 2000, o novo presidente Vladimir Putin recebeu um grupo de atletas olímpicos russos que se queixaram com ele, porque a falta de um hino que representasse a grandeza antiga da Rússia os desmoralizava e tirava o sabor de suas vitórias. O velho hino soviético era muito melhor que aquele hino sem letra e sem graça. 

Então, o hino soviético voltou a ser tirado da gaveta. Mais uma vez, Mikhalkov, agora com 87 anos, escreveu uma nova letra para substituir a anterior. O refrão passou a louvar "a sabedoria ancestral do povo". Putin enviou ao parlamento um projeto de lei, e o novo hino velho foi rapidamente aprovado. 

14 de junho de 2014

Torcer ou não torcer para a seleção brasileira

angelica e luciano huck torcendo pra selecaoEstá lançada a questão: militantes de esquerda devem torcer contra ou a favor da seleção brasileira?

Ao que tudo indica, o assunto não merece a mesma atenção dos militantes de direita, que obviamente parecem estar torcendo fervorosamente pela “pátria de chuteiras” -- haja vista o perfil do público nos estádios dessa Copa – o que por si só é revelador.

Nas redes sociais abundam argumentos de todos os lados. Há quem garanta que a seleção brasileira é um patrimônio cultural do povo brasileiro. Portanto, devemos torcer pelo sucesso da seleção porque o povo fica feliz com a vitória do escrete canarinho. Outros alegam que o futebol foi contaminado por uma máfia que deixou o espírito esportivo de lado em nome do espírito corporativo. E que por isso não torcem pela seleção.

Antes de observarmos cada um dos lados desse debate, é preciso saber de onde falam os interlocutores. Excluindo os oportunistas da direita política, já que o assunto é se o militante de esquerda deve ou não torcer a favor da seleção, de modo geral podemos identificar aqueles que estão mais à esquerda do espectro político como os que torcem contra e os adeptos do lulopetismo entre os que torcem a favor, pois temem que o fracasso da seleção respingue na popularidade do governo. Sabemos que alguns órgãos de imprensa têm esse perfil, como a Carta Capital. E de lá, precisamente, foi que saiu o artigo que motivou essa postagem.

Publicado pelo jornalista José Antonio Lima com o título “A Copa e o paternalismo tosco da esquerda arcaica”, o artigo alega que existe um afastamento cada vez maior entre o povo e os militantes daquela esquerda de verdade, que faz com que ambos não se entendam – o que, em parte, é mesmo verdade. E que setores dessa esquerda acham que sabem o que é melhor para o povo quando incentivam a não torcida pela seleção, e daí o paternalismo nas relações com esse povo. Mas isso nem sempre acontece, e certamente não no caso da torcida pela seleção.

Alegar que o ativismo de esquerda é impositivo, “paternalista”, apenas porque não vai ao encontro da opinião popular, é um lance de má-fé tremendo. Existem instituições realmente paternalistas que impõem à população aquilo que ela deve aceitar e gostar – e a principal delas é a televisão, contra a qual qualquer oposição é uma luta de Davi contra Golias.

Não é o caso de entrar num outro complexo debate sobre o que de fato é naturalmente gosto popular ou uma influência da ideologia dominante – como por exemplo, assistir novelas, ser fervorosamente adepto de tal ou qual religião, ouvir um tipo de música e não outro, etc. – , mas a questão é que não é porque é supostamente popular, que tais costumes são intocáveis. O fervor popular pela seleção brasileira, por exemplo, é uma dessas práticas historicamente bem enraizadas, mas o apoio acrítico à seleção atual, e tudo o mais que isso representa, é uma dessas características que fazem parte de um escopo alienante que pode ser combatido e desconstruído. E isso pelo bem da própria seleção!

Torcer contra a seleção – na verdade, torcer contra a CBF e a máfia que tomou conta do futebol brasileiro – e, mais do que isso, manifestar e angariar adeptos a essa torcida, não é nenhum demérito, nenhum desprezo ao Brasil, como insinua o colunista da mídia governista. Muito pelo contrário. E aqui é bom reiterar que torcer a favor também é um direito que cabe a cada um decidir, desde que devidamente esclarecido e informado – e não porque entrou de carona no clima criado para este fim.

O problema é que o jornalista confunde as coisas e coloca tudo convenientemente no mesmo saco.

É uma falácia enorme dizer que os ativistas torcem contra como se "a vitória da Argentina na final da Copa fosse capaz de instalar automaticamente rede de esgoto na outra metade das residências brasileiras que não têm o serviço". Todo mundo sabe que isso não vai acontecer, e dizer isso é uma desonestidade.

Mas a vitória da CBF é a consagração de todo esse modelo sujo que está aí, e as pessoas deveriam saber disso antes de ser levadas pelo oba-oba das mídias. Daí que toda manifestação por uma completa revolução no futebol merece ser compreendida e não atacada. Torcer contra a CBF é torcer a favor do Brasil, e de mudanças essenciais no futebol (repito, no FUTEBOL) que só poderão acontecer com o fracasso desse modelo, e não o contrário.

Pois senão, temos isso: "Sou contra a Globo, sou contra o José Maria Marin, sou contra o Ricardo Teixeira, sou contra o João Avelange, sou contra a máfia da CBF, sou contra a elitização do futebol, sou contra as grandes corporações que controlam nosso futebol, sou contra a organização da Copa do Mundo no Brasil -- e por tudo isso eu vou torcer pelo sucesso da seleção-Nike-Itaú-Vivo-Mastercard-Unimed-Volkswagen, porque uma coisa não tem nada a ver com a outra!!"

Isso sim, não dá pra entender…

4 de junho de 2014

Estudo científico comprova: partidos brasileiros não são todos iguais

Não é fácil identificar, através do discurso dos políticos, as diferenças da linha ideológica que os partidos defendem. Muito menos se formos nos guiar pela nomenclatura dos partidos: partidos “progressistas” com atuação conservadora, partidos dos “trabalhadores” que atuam magistralmente a favor do patronato e do capital, e assim por diante. Por isso não é de admirar que muitas pessoas, levadas pelo senso comum, acreditem que os partidos brasileiros sejam todos iguais, o que não é e nunca foi verdade.

Se alguém precisava de uma prova científica para mudar essa ideia, ela nos foi proporcionada pelo PoliGNU (Grupo de estudos de software livre da Escola Politécnica da USP) que realizou uma pesquisa na qual se faz uma comparação numérica sobre a atuação dos distintos partidos da Câmara de Deputados. (Veja detalhes do estudo no PoliGNU).

Tomando por base 92 votações na Câmara sobre os mais distintos assuntos, eles compararam como se posiciona em cada tema os diferentes partidos. O resultado pode ser visto no gráfico abaixo:

 

Tabela dos deputados

 

A partir do centro da imagem, que representa o centro do espectro político-ideológico, temos dois eixos e quatro direções básicas: direita, esquerda, situação e oposição. O eixo horizontal diz respeito ao apoio ao governo (situação ou oposição) e o eixo vertical corresponde à ideologia política (direita ou esquerda) Quanto mais afastado do centro, mais definido e coerente o partido se apresentou nas votações.

Pelo gráfico, podemos tirar algumas sentenças: apesar de se dizerem progressistas, os representantes do PT e seus aliados votaram com uma agenda conservadora (que os posiciona na parte de baixo da linha horizontal, ou seja, no espetro político da direita; O PCdoB, quem diria, se posiciona mais à direita do que tradicionais partidos conservadores, como PR, PRB ou PTB; O PSOL é o partido mais à esquerda do espectro político nacional, e radicalmente diferente da maioria; O gráfico também ilustra e derruba uma das maiores falácias da militância petista: apesar de ambos se posicionarem na oposição, o gráfico mostra que PSOL e PSDB votam completamente diferentes no Congresso – ou seja, não existe a menor afinidade política entre esses dois partidos, sendo que a única coisa que têm em comum é a oposição ao governo (fato devidamente explorado pelos petistas). Por outro lado, são os próprios deputados petistas que votam com a direita, como ficou demonstrado.

A conclusão mais importante que podemos tirar desse estudo é que existem sim linhas ideológicas bem definidas por trás das aparências. E que os partidos mantém uma coerência que pode ser verificada em suas votações na Câmara. Portanto, mais do que nunca, fica evidenciado de que os partidos brasileiros não são todos iguais. Cabe aos eleitores buscarem saber através de informações como votam (e para quem votam) os deputados, e este estudo é uma ótima ferramenta para se começar a desmistificar os sensos comuns da política nacional.