12 de agosto de 2013

Mídia, tucanos e Marina

Alckmin e o cartel do Metro

Não tem muito tempo atrás, e a informação era uma via de mão única: os grandes jornalões da mídia tradicional publicavam uma determinada notícia, as televisões reforçavam a matéria e todo mundo engolia. Primeiro porque ainda não havia a ideia de interatividade que a internet proporciona hoje, e segundo, porque as pessoas ainda acreditavam que o jornalismo era imparcial e só noticiava a verdade. Tudo isso está vindo abaixo hoje em dia com o crescimento e a consolidação de uma nova forma de mídia e com a revelação de que as mídias são tão partidárias quanto qualquer partido ou pessoa comum.

O retrato mais ilustrativo desse novo modelo, atualmente, é a mídia ninja, com seu jornalismo engajado, mas está longe de ser o único. A pluralidade das notícias – e o que é mais importante, das opiniões – está cada vez mais difundida pelas redes sociais, já levaram as pessoas a protestar nas ruas e também está causando uma mudança de paradigmas na própria imprensa tradicional. Fica cada vez mais difícil, para esses veículos de comunicação, esconderem que tem lado, e não são nada imparciais.

A Revista Veja, talvez a mais partidária de todas as mídias partidárias da direita, ainda reluta em divulgar claramente na sua capa semanal o óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues, sobre o escandaloso caso do cartel do metrô e do trem em São Paulo, com o envolvimento dos governos tucanos, mas a Folha, a IstoÉ, O Globo e outros veículos da mídia burguesa se renderam, contrariadas, às evidências: não dá mais para esconder a verdade como antigamente – e, apesar de ainda timidamente, começam a divulgar documentos altamente incriminadores contra seus antigos correligionários na política, Serra e Alckmin. E nada disso teria sido possível se não fosse o crescimento de novas formas de informação nessa era digital, onde diversas mídias independentes, embora sem contar com a força do poder econômico do seu lado, conseguem furar o bloqueio do monopólio da informação, obrigando a velha imprensa a se mexer pra não ficar pra trás.

O que precisamos ficar atentos, a partir de agora, é que os jornais e veículos que vêm atuando como verdadeiros partidos políticos no Brasil no últimos tempos, bem como as elites e altas classes que eles representam, com o fracasso retumbante do PSDB, tenderão a buscar uma alternativa mais simpática, com menos rejeição e com propostas atraentes – porém, falaciosas – para ocupar o vazio que os tucanos deixarão na oposição pra sempre (a imagem do “jovem e dinâmico” Aécio Neves anda tão desgastada quando a dos velhos tucanos paulistas). E ao que tudo indica, parece que eles já escolheram: ela é ecocapitalista, ela é conservadora, ela é religiosa, ela não chove nem molha, não é direita nem esquerda, ela não é nada, não incomoda ninguém, seu nome começa com “M” e termina com “arina”. Quem descobrir ganha um doce de coco…

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Professor de História, Mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), carioca, usa este espaço para comentar sobre os assuntos da política e da sociedade de forma simples e clara, sem, no entanto, abrir mão do rigor da checagem dos fatos.

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