Marina Silva fora do seu tempo

Marina Silva e a religião na política

A ex-senadora que se deslumbrou com a ideia de ser a terceira força na política nacional, mas que sofre para recolher as 500 mil assinaturas necessárias para a fundação de seu partido de centro-direita, Marina Silva, achou que ainda dava tempo de meter a colher e palpitar sobre os infelizes comentários e projetos do pastor Marco Feliciano. Ontem, na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), a ex-verde declarou que o parlamentar estava sendo “hostilizado mais por ser evangélico do que por suas declarações equivocadas”.

Segundo a nobre ex-senadora conservadora e evangélica, estaria havendo uma substituição do preconceito contra gays em nome do preconceito contra evangélicos. E então, mutatis mutandis, temos que tudo não passa de uma injusta perseguição contra o pastor presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Bom, já são suficientes as frases, citações, vídeos, opiniões, entrevistas, insanidades, baboseiras, gravações de cinegrafista amador, boatos e etc., do pastor Marco Feliciano para que eu tenha que relembrá-los aqui. Ignorar tudo isso num grosseiro erro de avaliação interesseira é lamentável. Também poderia me dizer surpreso pela defesa de Marina Silva a este senhor, mas não me surpreendi. Se tem uma coisa que eu aprendi nesses anos de debates e discussões com evangélicos, é que eles perseguem muito, mas se sentem muito perseguidos, e isso os torna sectários e corporativistas. Nessas horas, muitas vezes, esquecem-se até as diversas denominações diferentes do evangelismo em nome de uma causa maior: “defender os irmãos da perseguição”. Mas e as lamentáveis ideias racistas, misóginas e homofóbicas do pastor? Parece que não contam...

Muita gente boa chegou a acreditar que Marina um dia representou uma ala mais progressista da política nacional, mas ela jamais me enganou. A base ideológica do seu novo partido, “Rede Sustentabilidade” já mostra claramente as intenções conservadoras e ecocapitalistas do seu projeto de país. Além disso, num momento em que a sociedade brasileira pretende avançar em agendas progressistas em favor das demandas sociais, das minorias, das mulheres e dos negros, sua opinião anacrônica em defesa de alguém que fere acima de tudo a dignidade de milhões de pessoas com sua visão tacanha de mundo nada acrescenta ao novo panorama que o Brasil precisa trilhar.

O Brasil merece mais do que esse debate medíocre.

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Links:

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/marina-silva-morreu-abracada-a-feliciano/

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/05/marina-silva-defende-feliciano-e-fala-em-preconceito-contra-evangelicos.html

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4 Comentários

  1. Muito bem colocado, texto crítico em alto nível.

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  2. Se não me engano, Marina não falou em "injusta perseguição" ao pastor. Inclusive, ela condenou as declarações do deputado. Abraços e sucesso com o blog!

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  3. Eu realmente não tenho tolerância com esses abraâmicos hipócritas que ainda se fazem de vitima depois de tanta merda!

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