30 de janeiro de 2013

Homenagem a José Dirceu é um insulto à inteligência

jose-dirceuHoje, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), sediada no Rio de Janeiro, acontece o inacreditável: sindicatos pelegos e militantes sem um mínimo de vergonha na cara (dando um desconto para os ingênuos) patrocinam um “Ato Público pela anulação do julgamento do Mensalão”.

Acreditem se quiser... Em vez de pedirem o aprofundamento das investigações sobre um dos casos mais vergonhosos da história brasileira, eles querem pizza! Esse é o tipo de conduta que vai na contramão de tudo que a sociedade brasileira deseja na política -- mas há muito tempo os petistas realmente perderam a noção dos reais interesses da sociedade. Os interesses deles são outros.

Gerentes do Capital

pt-igual-a-psdbOlhando pra trás, é muito fácil compreender como o PT virou irmão gêmeo do seu suposto arquirrival político, o PSDB: compra de apoio político, corrupção, mensalão, propina a deputados… Tudo isso fora arquitetado nos anos 90 pelo PSDB e não pelo PT, enquanto aquele esteve no poder. O laboratório foi Minas Gerais, na campanha do tucano Eduardo Azeredo a governador em 1998, onde o valerioduto estreou, operado nada mais, nada menos, do que pelo próprio Marcos Valério, com suas tramoias muito bem documentadas pelo jornalista Lucas Figueiredo em seu livro O Operador.
Saiba mais: Mensalão do PT: relembrando o caso
No entanto, o PT achou que aquele papo de ética e honestidade não ia levar a lugar nenhum, e foi então que seus caciques, principalmente o hoje “homenageado” na ABI, José Dirceu, resolveram “tucanar”. Primeiro contrataram o marqueteiro Duda Mendonça a peso de ouro. Depois compraram partidos da oposição com a promessa de dinheiro, muito dinheiro. Com a vitória em 2002, tinham que pagar, aí usaram o mesmo método do PSDB há pouco citado: o valerioduto e seus esquemas com o banco Rural. Quando quiseram enrolar o Roberto Jefferson, ele denunciou o esquema. O escândalo ameaçava dar em CPI, e o que o governo do PT fez? Prometeu soltar mais dinheiro aos deputados para que não assinassem a aprovação da investigação. A mesma coisa que o PSDB fez para evitar a CPI da Reeleição em 1997: distribuição de cargos e verbas para a base aliada. O PSDB conseguiu esvaziar a sua CPI, o PT não.
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Há, porém, algumas poucas diferenças entre os dois partidos, só que não melhoram a imagem petista: o PT se mostrou muito mais competente para gerir os grandes negócios do capital financeiro do que o PSDB, enquanto mantém a falsa aura “social”. Mas apesar disso, não conta com a simpatia da imprensa conservadora do país, derretida pelo PSDB. Talvez por isso, o PT tenha sua sujeira política muito mais exposta do que a sujeira do PSDB.
O PT traiu as aspirações de milhões de brasileiros com todos esses esquemas copiados do PSDB. Destruiu as esperanças de milhões de eleitores, quando deveria enfiar a estaca no coração do projeto neoliberal e em toda corrupção política. Eis que ele, ao contrário, se torna mais um membro do bando. E agora, um sindicato totalmente pelego vem querer fazer um agrado a seus senhores, com essa campanha a favor do José Dirceu, o mentor da “direitização” do partido, quando deveriam estar pedindo cadeia? Continuo sem saber se esse tipo de neo-petista, como diz Milton Temer, é ingênuo ou simplesmente cretino mesmo. 

28 de janeiro de 2013

O que explica a canalhice moralista sobre o incêndio de Santa Maria?

Boate Kiss

Uma grande tragédia, de repercussões internacionais. Desde então, a imprensa nacional e internacional vem dando o devido destaque ao segundo maior incêndio em número de mortes no Brasil, perdendo apenas para o incêndio do Gran Circus em Niterói em 1961.

Mesmo diante de um quadro tão grave e alarmante, muitas pessoas conseguiram ainda tirar piada da situação ou — coisa ainda pior, o que realmente chamou a minha atenção — tecer comentários absolutamente idiotas na internet, movidos por diversos fatores, dentre os quais enumero o recalque e o moralismo religioso.

É difícil entender a cabeça desse grupo de pessoas, que devem achar importante posar como conservadores doutrinados na moral e nos bons costumes — sendo que em muitos casos, sua conduta não condiz com a imagem —, que tentam satanizar qualquer tipo de diversão e alegria alheias, encontrando razões para condenar mais de 230 jovens universitários mortos que se reuniam apenas para celebrar, na cidade de Santa Maria-RS.

Saiba mais: O conservadorismo brasileiro

Talvez o problema esteja na palavra “boate”. Na cabeça de jovens mais conservadores, especialmente os religiosos, basta pronunciar a palavra, que uma série de imagens lhes vêm à cabeça, quase como um pequeno retrato do inferno, onde a esbórnia e as tentações como as bebidas alcoólicas aparecem em destaque. Essa ideia de uma Sodoma e Gomorra (de acordo com a Bíblia, cidades destruídas por deus com fogo e enxofre por causa de sua população hedonista) talvez justifique, para eles, a canalhice de suas opiniões moralistas contra os mortos, do tipo: “bem feito, se estivessem na Igreja (ou “em casa com a família”, aí dependendo do grau de moralismo do cínico) estariam vivos”. Ou quem sabe tamanha tragédia sirva para aliviar seus recalques, por quererem secretamente viver a juventude plenamente, ou por já a terem vivido em épocas anteriores, mas terem agora que representar uma imagem de “pessoa de bem” para a família ou para a sociedade. Condenar outros jovens “que ainda não saíram dessa vida” acaba servindo também para convencê-los a si mesmos de que abrir mão da diversão “do mundo” foi a coisa certa.

Somente essas especulações podem explicar tamanha cretinice moralista que começamos a ver desde que as primeiras notícias sobre o incêndio surgiram na internet. Isso mostra que o povo brasileiro, que sempre tem a imagem de ser bastante tolerante e liberal, no fundo, não passa de um dos povos mais arraigados em tradições preconceituosas e conservadoras do passado, como machismo, paternalismo e homofobia, bem como a carolices estúpidas que mergulham as pessoas no que há de mais retrógrado e irracional.

20 de janeiro de 2013

Comunistas não podem usar iPods ou roupas de marca?

definitivo
 
Capitalistas de visão mais estreita de mundo e/ou aqueles mais engajados contra os socialistas tendem ter o seguinte pensamento, resumido no seguinte comentário: “se dizem comunistas, mas usam tecnologias como PC e celular e roupas de marca”. Se Fidel Castro aparece com uma jaqueta da Adidas, aí pronto, é motivo de grandes críticas e acusações.
 
Já tive que lidar uma vez com um professor da Universidade Federal de Alagoas pela internet, reacionário até o último fio de cabelo, por dizer sandices como essa, movido apenas pelo ódio a tudo que ameace seu conforto supostamente capitalista e seu direito à alienação consumista.
Por que socialistas ou comunistas não podem ter direito a usufruir tudo que o mundo moderno tem a oferecer de melhor? Só porque são críticos do capitalismo?
 
Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra! A diferença crucial é que capitalistas procuram o bem estar de forma egoísta, individualista. Eles pensam: se eu tenho, foi com meu esforço, e se os outros não têm, problema é deles, só podem ser vagabundos preguiçosos. Dão grande importância à famosa “meritocracia” como meio de obter as coisas, mesmo que ela não passe de um engodo teórico do pensamento capitalista. Ou você realmente acha que a sociedade capitalista oferece exatamente as mesmas oportunidades de sucesso nesse mundo para você e o filho do Eike Batista, por exemplo? Ou que um dedicado trabalhador assalariado desse Brasil afora seja tão bem remunerado quanto um magnata especulador da Bolsa? Parece que o “mérito” não tem muito a ver com trabalho no sistema capitalista…

O que é bom, tem que ser para todos, e não para alguns

Socialistas não têm essa visão egoísta e distorcida. Eles sabem que todos deveriam ter acesso ao que a humanidade produziu de melhor em conforto e tecnologia, e se isso não acontece, é porque o que prevalece no capitalismo é a lógica do mercado que reserva a apenas alguns poucos o privilégio de poder pagar pelo bem-estar e pela qualidade de vida que deveriam ser para todos. Tudo isso inserido na obsolescência programada, que faz as pessoas entrarem na ciranda do consumo desenfreado e fútil do “cada-vez-melhor” e do “cada-vez-mais-novo-e-atual”, enquanto joga grande parte da população de baixa renda no consumo precário. Até a Saúde e a Educação, por exemplo, são postas nessa lógica. Aqueles que podem pagar um plano ou um colégio privado se lixam para os que precisam do serviço público.

É isso que os socialistas criticam e o que os diferencia dos consumidores alienados no ideário capitalista. Socialistas querem um serviço público universal e de qualidade para todos, querem que todos possam ter acesso a internet banda larga, querem que todos possam usufruir das melhores tecnologias do nosso tempo e vestir as roupas que quiserem – inclusive para eles mesmos! Por que não?

15 de janeiro de 2013

As responsabilidades do Estado que as pessoas preferem não ver

As responsabilidades do Estado que as pessoas preferem não ver

Ainda repercutindo o Caso Adrielly, desta vez por uma outra perspectiva, percebemos que não foram poucas as pessoas que se colocaram ao lado do médico Adão Orlando Crespo Gonçalves, que usou como desculpa para seus 5 anos de ausências aos plantões médicos a falta de condições de trabalho. Para estas pessoas, ficou muito claro identificar no Estado um dos maiores culpados pela morte da menina, senão o maior.

O problema é que geralmente estas mesmas pessoas não têm a mesma facilidade de identificar as responsabilidades do Estado em outras questões do nosso dia-a-dia, culpando indivíduos e propondo soluções radicais contra eles em vez de cobrar, principalmente, as responsabilidades da instituição que governa a nossa sociedade. Uma dessas situações é com relação aos traficantes e usuários de drogas das áreas mais pobres da cidade. É muito comum à sociedade de modo geral propor o aumento do rigor contra estas pessoas e até a diminuição da maioridade penal como solução, fechando os olhos para a violência policial que muitas vezes resulta em mortes de inocentes e alegando inclusive que Direitos Humanos foram feitos para “proteger bandidos”.

Essa não me parece uma atitude coerente. Quem afirma isso, ignora, conscientemente ou não, todo o processo histórico de abandono, descaso e desrespeito do Estado com as populações negras e pobres das áreas carentes. Para estes defensores do maior rigor penal, parece que as pessoas que enveredam pelos caminhos da marginalidade sempre tiveram as maiores oportunidades do mundo, toda a estrutura a seu dispor, como educação de qualidade, emprego formal, Saúde eficiente, e que por alguma espécie de índole má inerente a um certo grupo social ou quem sabe até a um gene da criminalidade, resolveram jogar fora todas as chances que a vida lhes deu. Sabemos que não é bem assim...

O Estado falha cotidianamente com estas pessoas desde o momento em que nascem, e no instante em que, não por falta de inúmeras razões, caem nas tentações da criminalidade que estão bem na sua porta, como as facilidades do tráfico e consumo de drogas, aí sim, passam a ser motivo de atenção e preocupação da sociedade, mas jamais com solidariedade. E tome polícia, e tome cadeia, e tome porrada, e tome extermínio...

A sociedade faz bem em enxergar a culpa do Estado com relação à morte da menina que precisou de atendimento médico e morreu no hospital. Mas por que não mudar um pouco a mentalidade e começar a enxergar as outras omissões e responsabilidades mais sutis que cabem aos governantes lá na ponta inicial, em vez de proporem medidas fascistas contra quem cai na marginalidade, como o fim do auxílio reclusão, o aumento do aparato policial nas comunidades carentes e a diminuição da maioridade penal lá na ponta final? Já seria um grande passo para a verdadeira solução destes problemas e para o fim de soluções inócuas.

9 de janeiro de 2013

O libelo fascista de Arnaldo Jabor (dessa vez) é falso

JaborAnda circulando pelo Facebook e correios eletrônicos como a verdade verdadeira sobre o nosso povo, “aquilo que ninguém tem coragem de falar”, um texto atribuído a Arnaldo Jabor. O que muita gente não sabe é que o texto é falso.

Ficou muito convincente não é por acaso: por diversas vezes o porta-voz odioso das elites brasileiras baixou demais o seu já rasteiro nível. Mas por quê tantas e tantas pessoas apoiam esse tipo de preconceito odioso contra seus próprios concidadãos?
O cara que bolou esse texto, certamente um fascistoide doutrinado naquelas ideias idiotas que a gente escuta da direita tradicional brasileira,  criou o mais puro mar de preconceitos fascistas junto com mais um pouco daqueles clichês que todo mundo repete por aí como se fossem as maiores verdades do mundo. Pegaram 200 milhões de pessoas e colocaram todos no mesmo saco, dizendo "brasileiro é isso, brasileiro é aquilo". Só mais uma falácia de algum colonizado ideológico, que não traria maiores problemas, se muita gente não a levasse a sério. É impressionante o número de pessoas que se deixam levar por essas peças de mais puro desprezo a tudo o que é brasileiro. Só me pergunto a quem interessa vender essa imagem tão negativa de um povo inteiro, como se fôssemos a escória do planeta. 
Pra você que mais uma vez caiu numa mentira de internet, essa é mais uma oportunidade pra você aprender uma lição de uma vez por todas: seja senhor das suas ideias, seja crítico, duvide das intenções por trás das coisas, não acredite em tudo o que escuta e lê por aí. Assim as chances de você ser manipulado ingenuamente diminuem bastante.
O texto você lê AQUI
Ouça o próprio Arnaldo Jabor desmentido a autoria desse texto que anda circulando por aí clicando AQUI

8 de janeiro de 2013

Caso Adrielly: descaso médico que mata tanto quanto a bala perdida

adãoAdão Orlando Crespo Gonçalves. Esse é o nome do médico neurocirurgião que faltou ao plantão noturno no Hospital Salgado Filho na véspera do Natal. Não era a primeira vez. Mas na noite do dia 24, uma tragédia que resultou em morte por omissão iria tirar o seu nome do anonimato e colocá-lo nos holofotes da imprensa nacional.


3cNo subúrbio do Rio, Adrielly dos Santos Vieira, uma menina de dez anos, acabava de receber uma boneca, seu presente de Natal. Mal abriu a embalagem e caiu no chão. Fora atingida na cabeça por uma bala, atirada por traficantes em meio aos fogos de artifício, um desses costumes estranhos que nós temos de celebrar.
Ao dar entrada no hospital, a surpresa (surpresa?): não tinha neurocirurgião de plantão. A família entra em desespero, mas na sua impotência e sem meios de agir, espera oito horas. A menina é levada para o Souza Aguiar, mas é tarde demais. Tem morte cerebral. Está morta aos 10 anos de idade. Poderia ter uma chance, mas a demora foi grande demais. Imaginem que noite de Natal deve ter sido pra essa família, com uma criança baleada, sem atendimento, sem solução, sem esperança. Nunca mais o Natal vai ser o mesmo para essas pessoas.
Agora imaginem o Natal na casa do doutor Crespo Gonçalves. A família reunida – ele, inclusive – muita comida, bebida de todos os gêneros, abraços, conversas, alegrias... Não era a primeira vez que ele faltava a um plantão, coisa boba esse negócio de neurocirurgião de plantão, ninguém liga se não tiver nenhum... Melhor estar reunido com a família não é?
É claro que o médico Adão Orlando Crespo Gonçalves é um dos responsáveis diretos pela morte da menina, mas esse episódio trágico tem como pano de fundo uma série de outros fatores que indiretamente contribuíram para o desfecho negativo.
  1. Incapacidade do Estado de dar conta da violência urbana: entra ano, sai ano, e a violência é uma chaga que está sempre entre nós. Especialmente nas comunidades carentes, onde a disputa do tráfico, a polícia, a milícia, transformam a vida dos cidadãos numa roleta russa. Antigamente dizia-se que as pessoas saíam de casa e não sabiam se voltavam. Agora nem dentro de casa é possível estar seguro. A bala te encontra ali mesmo.
  2. Descaso com a Saúde Pública: quem vê o episódio da morte de Adrielly dos Santos pensa que esse é um caso isolado, mas infelizmente o abandono dos hospitais públicos é uma realidade deprimente e antiga. Quem nunca precisou ir no Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo não sabe o que é o inferno na Terra. Um prédio inteiro praticamente desativado, aparelhos velhos, lotação, confusão, falta de remédios... A coisa não é diferente nos outros hospitais da cidade.
  3. Desumanidade dos profissionais da saúde: tudo bem, o quadro não é dos melhores, mas o que dizer do fator humano, aquele profissional que deveria ajudar nos momentos que as pessoas mais precisam, de alguma maneira? A falta de condições de trabalho está desumanizando os médicos, que estão cada vez mais insensíveis ao drama das pessoas. Neste mesmo hospital, anos atrás meu pai pediu “um minuto” para tirar uma dúvida com um médico, no que este devolveu: “nem um segundo!”; eu cheguei com ombro deslocado uma vez e fui barrado na porta, por falta de ortopedista (depois fiquei sabendo que eles estavam todos lá à toa) e minha irmã com o dedo do pé quebrado, foi mandada de volta pra casa, porque segundo lhe disseram, “ali só entra baleado ou com fratura exposta”. Pelo menos a Adrielly teria alguma chance nesse hospital...
Mais uma vez uma família teve que pagar o preço do abandono e do descaso das autoridades públicas com a Segurança e a Saúde e sofrer com a insensibilidade de um profissional que não tem caráter nem honra para ser médico. Nem o abandono da Saúde Pública, nem a violência, nem outra coisa qualquer justificam a ausência desse médico na sua hora de trabalho. Durante dois anos, esse doutor fez dezenas de pacientes graves voltarem pra casa por falta de neurocirurgião, enquanto seu superior, o chefe do plantão do Hospital Salgado Filho, o médico Ênio Eduardo Lima Lopes, nem sequer o conhecia pessoalmente. Passou impune esse tempo todo, mas dessa vez deu “azar”: uma criança morreu por falta de atendimento. Esperamos agora que a alta estirpe desse cidadão e o corporativismo médico não o impeçam de pagar pelo seu descaso na Justiça e perante seus colegas. Pelo menos, esse caso pode ser um divisor de águas no comportamento de alguns médicos nesse país.

6 de janeiro de 2013

Democracia, alternância de poder e o socialismo bolivariano

bolivariana


Desde que foi reeleito na Venezuela, no final de 2012, fruto da escolha soberana do povo num sistema eleitoral que é referendado por todos os observadores internacionais como um dos mais eficientes e seguros do mundo, Hugo Chávez está tendo que lutar uma batalha duríssima pela vida. Nesse quadro de incertezas, discussões sobre o futuro político da Venezuela vêm à tona, lançadas por uma burguesia golpista que já começa a sonhar, segundo dizem, com a volta da “democracia e da alternância de poder”, duas das maiores farsas ideológicas dos sistemas políticos “liberais” no Ocidente.
Essa falácia é grande também aqui, com o cinismo dos jornalistas da imprensa oligárquica brasileira: “não há alternância de partidos no poder na Venezuela, e isso não é democrático”. O mesmo argumento que eles usaram estrategicamente contra a vitória do PT de Dilma Rousseff. Ora, para estes “democratas” da imprensa, a alternância de poder está acima da vontade do povo? Eles acham que Fernando Henrique Cardoso, herói da classe capitalista-neoliberal, saiu elegantemente do governo em 2002, e que seu partido abriu mão de colocar candidato na disputa eleitoral seguinte em favor da alternância de poder? Pelo contrário! Além de FHC trabalhar pelo projeto da sua própria reeleição em 1996, o então candidato José Serra e o PSDB queriam tanto vencer a eleição em 2002, que gastaram milhões de Reais nessa intenção. Mas foi o povo que disse não ao seu projeto, devidamente escorraçado pelo voto.
Mudamos o que dava muito errado, mas qual é a lógica de mudar o que está dando certo, no caso o socialismo bolivariano, como querem os teóricos do neoliberalismo na Venezuela, em nome de uma suposta alternância de poder? Não é mais sensato o povo manter o que ele acha que está indo bem, indefinidamente, até o dia que não quiser mais, seja por dez, vinte ou trinta anos?
Alternância de poder é mais um engodo, uma estratégia das classes dominantes capitalistas para derrubar um governo progressista que não dança conforme a música de Washington. Mesmo que Hugo Chávez não sobreviva durante muito mais tempo, o que seria um abalo fortíssimo na luta pela democratização do nosso continente, sem dúvida, seu projeto bolivariano permanecerá no poder até o dia que a população venezuelana quiser. Ela já mostrou que não tolera golpismos, e defenderá com a própria vida o caminho que Chávez pavimentou se for preciso. Mais democrático que isso, não poderia ser.