22 de novembro de 2012

Abusos do agronegócio: os transgênicos em xeque

agronegocio-sojaO agronegócio representa hoje uma das maiores forças econômicas e políticas no mundo capitalista. Ainda mais no Brasil, país onde a concentração de terras é histórica e quase 3 por cento da propriedade rural são enormes latifúndios que cobrem mais da metade de extensão territorial agricultável do país (56,7%), segundo dados do IBGE de 2006. Essa força se expressa em pressão no governo, que permite que seus negócios sujos sejam mais relevantes que a saúde da população brasileira.

Um dos maiores mercados do agronegócio é a área de sementes transgênicas e agrotóxicos. Aqui também se verifica um oligopólio que gera bilhões de lucros para grandes proprietários, sem a menor preocupação com as consequências a longo prazo para saúde dos consumidores.

Estudo comprova que transgênicos causam câncer em cobaias

Recente pesquisa publicada no Food and Chemical Toxicology Review, importante publicação científica, reacendeu o debate sobre os perigos deste tipo de alimento modificado geneticamente. Cerca de 200 ratos-cobaias foram alvo de uma experiência durante dois anos, separados numa dieta com milhos transgênicos do tipo NK603 – um dos mais consumidos no mundo – enquanto outros grupos se alimentavam somente de milho natural. O grupo dos transgênicos apresentou 3 vezes mais casos de câncer, sendo que os primeiros tumores surgiram depois de 4 a 7 meses de testes. Curiosamente, os órgãos de fiscalização pelo mundo exigem apenas 3 meses de testes para aprovar um produto transgênico... Coincidência?

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Ratos da experiência apresentaram tumores ao se alimentar com transgênicos
Cientistas que estudam os riscos dos produtos transgênicos e que consequentemente causam um grande inconveniente para as poderosas indústrias de biotecnologia costumam ser ameaçados e ter suas carreiras prejudicadas, como no caso do bioquímico Arpad Pusztai, que em 1998 foi forçado à aposentadoria pelo Instituto Rowett, um dos mais renomados da Grã-Bretanha, após divulgar efeitos do consumo de batatas transgênicas em ratos de laboratório, e de Ignacio Chapela, professor na Universidade de Berkeley, nos EUA, que publicou na revista Nature uma pesquisa demonstrando a contaminação de variedades tradicionais de milho no México (centro de origem da espécie) por transgênicos, entre outros casos.
Infelizmente a grande mídia, patrocinada pelas multinacionais do agronegócio, não está do nosso lado. Não contem com ela para divulgar este tipo de assunto lesivo ao interesse dos grandes negócios capitalistas. Cabe a nós mesmos tomar ciência dos fatos, porque somos vítimas diretas deste abuso do poder econômico, num país que é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e o segundo maior produtor mundial de transgênicos, onde 80 por cento da soja já é modificada geneticamente, enquanto o milho e outros produtos vão pelo mesmo caminho.

7 de novembro de 2012

O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE Redução da maioridade penal

Atualizado em 3 de maio de 2015

Tem crescido nas redes sociais campanhas para a redução da maioridade penal de 18 para 16 e até para 14 anos, sempre na carona de alguma comoção recente que tenha ocorrido por conta de algum crime envolvendo a participação de menores. Mas seria esta realmente a solução para os nossos problemas de violência urbana? O que sabemos de fato sobre esse tema? Talvez um pouco mais de reflexão sobre o assunto seja necessário antes de uma opinião tão contundente.

O Estatuto da Criança e Adolescente permite a impunidade? NÃO

Muita gente diz que o jovem pratica o crime sabendo que não vai para a cadeia por causa da suposta benevolência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Puro equívoco. Primeiro, é sabido por todos os médicos e pedagogos que o jovem age no crime por puro impulso, oportunidade e por falta de perspectiva. Quem disser que um menor de idade se sente acolhido pelo ECA para praticar crimes, dá a entender que o jovem leu o Estatuto ou descobriu que poderia fazer qualquer coisa impunemente, o que é um grande absurdo. Segundo, o ECA só é lembrado convenientemente quando um adolescente comete um crime, mas nunca quando ele é vítima de maus tratos, violência sexual ou abandono. Dois pesos, duas medidas?

De acordo com o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos,


Nos últimos meses, pesquisas divulgadas por algumas instituições reforçaram o entendimento de que as principais vítimas da violência alarmante que toma conta do Brasil são crianças, adolescentes e jovens. Um recente trabalho coordenado pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo) analisou mortes de jovens entre 1980 e 2002, concluindo que os homicídios contra crianças e adolescentes representaram nesse período 16 % do total de casos ocorridos no País; 59, 8% dos crimes foram praticados com armas de fogo. O último estudo do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), divulgado no final do ano passado, afirmou que 16 crianças e adolescentes são assassinados por dia no Brasil. Entre 1990 e 2002, essas mortes aumentaram 80%.

Desconfie de qualquer coisa que contenha a máxima “Acorda Brasil!”

Depois vêm aquelas frases de efeito na internet – porém totalmente falsas – que dizem “no Brasil, menor pode roubar, pode matar, pode estuprar, etc.”. Pode mesmo?

Redução da maioridade penal

Essas pessoas que repetem os clichês mais idiotas que veem e ouvem precisam saber que, no Brasil, a vida de grande parte desses jovens está muito longe de ser uma maravilha. Ao contrário do que diz o cartaz acima, que circula pela internet, milhões de crianças e adolescentes trabalham muito e no serviço pesado desde cedo, quando não deviam. Quando chegam perto dos 18 anos, por não terem sido educados no tempo devido, não conseguem emprego. Muitos não levam “palmadinhas” mas são surrados por suas famílias, espancados, mortos de tanto apanhar. E dos 12 aos 17 anos, não podem ser presos, mas respondem por seus crimes de diversas maneiras, com penas em estabelecimentos socioeducativos ou medidas corretivas diversas. Não poderia ser mais enganosa a propaganda acima.

Como a prisão pode ser a melhor solução?

É claro que não podem cometer crimes, nem eles, nem ninguém. Agora eu me pergunto: o que se ganha tirando um menor de idade infrator de um estabelecimento corretivo para jogá-lo dentro de uma penitenciária, sujeito a todo tipo de perigo e má influência, verdadeiras escolas do crime como as que conhecemos? Isso resolveria o quê? Nada. Mas continua sendo vendida como solução da criminalidade para uma classe média estúpida e medrosa.

Cada menor carente preso é um concorrente a menos para os filhos da classe média

De cada 100 crimes no Brasil, apenas 1 é praticado por menor de idade. Seria inteligente nos concentrar neste 1 por cento para solucionar a criminalidade? Muito mais importante e produtivo do que sugerir o aumento da punição, é atacar o verdadeiro problema da violência brasileira: a brutal desigualdade social e econômica que joga milhares de jovens na criminalidade todos os dias por pura falta de perspectiva, especialmente nas grandes cidades brasileiras. Mas isso a sociedade não quer discutir, pois interfere muitas vezes na condição social privilegiada da qual as classes médias desfrutam, tendo medo de perdê-la com uma melhor distribuição de renda e educação de qualidade para todos, o que refletiria na competição pelos melhores postos de trabalho.

Enquanto as pessoas não atentarem para este fato crucial, se distraindo com superficialidades como a diminuição da maioridade penal em vez de exigir políticas públicas para diminuir o fosso social entre ricos e pobres, nada será realmente resolvido.