29 de outubro de 2019

Por que precisamos superar o capitalismo





Desde o começo dos anos 90, nós já tivemos importantes conferências sobre o clima e o meio-ambiente no mundo. Mas nosso planeta continua indo de mal a pior. Apesar dos esforços e da boa vontade de ativistas, ecologistas e políticos, não existe saída para o meio-ambiente dentro desse sistema destrutivo chamado capitalismo em que vivemos atualmente. É preciso discutir alternativas de superá-lo. E cada vez mais pessoas estão se mobilizando para isso.

Thomas L. Friedman, famoso jornalista norte-americano, ganhou maior notoriedade após a publicação de seu livro Quente, Plano e Lotado – desafios e oportunidades de um novo mundo. O livro apresenta críticas tanto ao sistema financeiro quando à devastação do meio-ambiente que, segundo ele, são resultado de um desvio do sistema, não do próprio sistema em si. Ele defende a correção desses abusos para que o capitalismo possa trazer riqueza e benefício para todos. Mas alguém, a essa altura do campeonato, ainda é capaz de acreditar nesse conto de fadas?

Cada vez mais temos a exata noção de que o capitalismo é realmente destrutivo, não só dos recursos naturais, como das pessoas, dos seres humanos, na medida em que é responsável pelo fomento de uma brutal desigualdade social. É contra esses efeitos nefastos que o mundo mais uma vez se levanta em protestos, como por exemplo, no Chile. E que também se volta mais uma vez a políticos de viés progressista, como na Argentina. O fôlego da direita parece estar acabando na medida em que mais uma vez seu receituário neoliberal não apresenta os resultados esperados pela maioria dos trabalhadores.

O estranho é que o jornalista supracitado parece se mostrar contraditoriamente muito mais preocupado com o crescimento do mundo pobre — o que levaria a população mundial a uma condição que ele denomina “plana”, ou seja, cada vez mais pessoas ascendendo a uma classe mediana (não média, na acepção que conhecemos), na mesma faixa econômica, saindo da pobreza, elevando a média do consumo de energia e recursos naturais — do que com o maior vilão do meio-ambiente: seu próprio país, os Estados Unidos, baluarte do consumo e do desperdício.

Sozinhos, os estadunidenses, que perfazem apenas 4 por cento da população mundial, consomem 25 por cento de todos os recursos do planeta Terra. O medo do jornalista é de que os demais povos cresçam e passem a querer viver o modo americano de consumo destrutivo e desperdício exacerbado. Propõe que o país lidere uma mudança de comportamento, reformulando o capitalismo. Mas o capitalismo é isso. Não há reformas possíveis. O que há é a necessidade de superá-lo. E o mundo já começa a entender isso.

Cada vez mais, a população mundial quer um outro mundo.





Desde que o modelo neoliberal se tornou mais uma vez hegemônico, pelo menos no Ocidente, temos assistido a uma série de fracassos no campo social, com a desigualdade aumentando drasticamente em regiões antes estáveis. Benefícios históricos dos trabalhadores vem sendo cortados como forma de facilitar demissões (quem não lembra de FHC dizendo que iria destruir o legado de Vargas?, finalmente destruído por Temer e Bolsonaro), e o cassino especulativo das bolsas de valores vem jogando países inteiros na bancarrota, como vemos em diversos países, como a Argentina de Macri.

Mas — confirmando a velha ideia marxista — assim como os magnatas das finanças e dos negócios nos impuseram um sistema altamente destrutivo, também plantaram a semente da sua superação. Desde meados dos anos 90, assistimos ao crescimento espontâneo de movimentos sociais de combate ao capitalismo. Em todos os cantos do planeta (hoje com ímpeto renovado), milhões de pessoas se reúnem, planejam e vivem a mudança que esperam no mundo. Defendem uma alternativa mais democrática para os povos, o respeito à diversidade e ao meio-ambiente, sem submissão à ditadura do capital. No próximo post nós vamos conhecer um pouco a história desses movimentos. Você pode ler clicando em Movimento Zapatista, o embrião do movimento anticapitalista atual.


Anterior
Próximo

Professor de História, Mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), carioca, usa este espaço para comentar sobre os assuntos da política e da sociedade de forma simples e clara, sem, no entanto, abrir mão do rigor da checagem dos fatos.

0 Comentários:

Leia nossos Termos de Uso