28 de setembro de 2011

Notícias de uma Revolução Invisível

wallst-bull Uma revolução silenciosa, mas que cresce a cada dia, vem tomando lugar nos Estados Unidos. Cansados de sofrer as consequências das sucessivas crises do capitalismo, enquanto assistem os ricos ficarem mais ricos, a população comum, jovens, em sua maioria, sem ligação com nenhum partido, resolveu se unir para protestar no centro financeiro mundial. Pode ser o começo de uma grande revolução na maior nação capitalista do mundo.

A população que mora no país das oportunidades não acredita mais no sonho americano. Há 11 dias seguidos, manifestantes ocupam as ruas de Wall Street, em Nova Iorque, para protestar. A imprensa brasileira finge ignorar as razões do movimento. No sítio d’O Globo na internet, uma busca pelo termo Occupy Wall Street (“Ocupe Wall Street”, nome do movimento) dá resultado zero. Digitar apenas “Wall Street” dá 400 resultados mas a maioria é nestes termos: “Ibovespa volta a subir com melhora em Wall Street”, ou “'The Wall Street Journal' lança aplicativo para Facebook”. Apenas duas manchetes entre 400 fazem menção ao movimento raro de mobilização dos norte-americanos — que até tempos atrás eram naturalmente individualistas demais para se juntar em protestos. Mas dessa vez os ricos foram longe demais.

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A manifestação que é escondida no Brasil (talvez para não servir de exemplo – costumamos imitar tudo que vem dos EUA, de repente imitamos uma revolução também) é formada em sua maioria por jovens americanos que sofrem as maiores consequências da crise que assola o país desde 2008. O lema do movimento é “We are the 99%” (Nós somos os 99%), uma alusão que critica o poder econômico e político dos 1 por cento mais ricos das Estados Unidos. A ideia é que o movimento cresça por toda a América, se transformando na maior revolução norte-americana que o mundo jamais sonhou em ver nos Estados Unidos.


Grandes artistas, filófosos, políticos e cineastas já manifestaram apoio, como a atriz Susan Sarandon, Michael Moore, Noam Chomsky, entre outros.

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Para os próximos dias a agenda prevê uma série de atividades. Dia 6 de outrubro será a vez do movimento “Occupy Portland” (Ocupe Portland). No meu Tumblr pretendo manter atualizada a agenda do movimento, com fotos, vídeos e reportagens. Não deixe de acompanhar. Se depender da imprensa brasileira, você vai viver no mundo da fantasia, enquanto o mundo que conhecíamos é abalado por protestos vigorosos.

Policiais nova-iorquinos agridem covardemente manifestantes pacíficos

15 de setembro de 2011

Faça como Edmundo. Cometa um crime e se beneficie da Justiça

edmundo-preso Existem vários e vários exemplos de como criminosos (dolosos ou culposos) conseguem escapar da justiça através de artimanhas jurídicas. A mais conhecida delas é arrastar o processo ad infinitum — coisa que advogados de má-índole sabem fazer muito bem — até que, um belo dia, o réu tenha "extinta a sua punibilidade" por conta da prescrição do alegado crime. O mais novo beneficiado deste artifício sem-vergonha é o ex-jogador e hoje comentarista Edmundo.
carro-do-edmundo Em 1999 o jogador foi condenado a 4 anos e meio em regime semi-aberto por homicídio culposo de três pessoas e lesão corporal de outras três, por conta do grave acidente automobilístico em que se envolveu enquanto dirigia seu carro na Lagoa Rodrigo de Freitas. Cansado de enrolações judiciais, o juiz Carlos Eduardo Carvalho de Figueiredo, da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, expediu o mandado de prisão contra Edmundo em junho deste ano, mas o ex-jogador foi solto no dia seguinte por conta de um desses famigerados habeas-corpus.
Joaquim Barbosa, ministro do Supremo Tribunal Federal, com base nesta nossa justiça de meia-tigela, acabou de sentenciar hoje a prescrição do crime.
Como ficam as famílias das vítimas -- dentre as quais, havia uma jovem de 16 anos -- que ansiavam por justiça? Este país está realmente precisando de um choque de sem-vergonhice e dignidade.
A todos vocês, que por um acaso venham a cometer algum crime que em qualquer outro país do mundo seria passível de condenação severa, fica a dica: contrate um bom advogado, desses que sabem como encontrar as brechas necessárias para burlar a lei, porque ele vai fazer o seu julgamento correr a passos de tartaruga, jogando-o sempre um pouco mais à frente. Passa-se um ano, dois, cinco, dez... talvez em algum momento apareça um juiz chato como esse Carlos Eduardo Carvalho ou como aquela que foi morta recentemente, a Patrícia Acioli, para tentar fazer a justiça e te fazer passar uma noite ou duas na prisão, mas nada que seu advogado não consiga reverter com um belo habeas-corpus. E quando menos você esperar, um ministro do STF estará declarando que sua punibilidade está extinta -- que na linguagem dos plebeus quer dizer: seu crime não será mais julgado, parabéns, está livre, vai curtir a vida rapaz!
Mas se for cometer um crime, cometa logo. Vai que daqui a alguns anos eles resolvam tomar vergonha na cara...
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3 de setembro de 2011

Incentivo à leitura está na pauta do governo brasileiro

Bienal do Livro Rio 2011 Começou a Bienal do Livro no Rio de Janeiro, com discurso de abertura da presidente Dilma Rousseff, que afirmou pretender criar um grande mercado de leitores no Brasil. O desafio é enorme, e passa também por mudar o perfil da própria Bienal, que nos últimos anos se tornou um shopping de mercantilização da cultura.

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No último dia 1º de setembro começou a XV Bienal do Livro, no Rio de Janeiro. A presidenta Dilma fez um discurso animador a respeito do programa de incentivo à leitura que pretende implementar no Brasil. A ideia é que se produzam livros baratos para que maiores camadas da sociedade tenham acesso à leitura, pois é sabido que o Brasil figura entre os países com as taxas mais baixas de leitores do mundo.

Recente pesquisa mostrou que nem mesmo entre o seleto grupo de universitários de instituições públicas do país — aqueles que são os mais bem formados, teoricamente — a leitura é uma rotina.  Na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por exemplo, 23,24% dos estudantes não leem um livro sequer durante o ano.  Na média nacional, o universitário brasileiro não fica muito melhor que isso: lê de um a quatro livros por ano. Imagina como fica esse quadro na outra ponta, ou seja, entre aquela maioria de cidadãos brasileiros que não tem acesso a uma formação educacional adequada...

Pra começar, deveriam mudar o formato desta Bienal do Livro. Ao longo dos anos, esse evento se tornou elitista, sediado num bairro nobre e distante do centro da cidade, dominado pelo marketing das grandes editoras, que ainda cobram ingresso para vender livros. O sociólogo e cientista político Emir Sader traça um cenário que ilustra perfeitamente o quanto a Bienal está deslocada da realidade do povo:

“Dá pena daquelas famílias pobres que vão de longe até o Riocentro, pagam transporte para toda a família, entrada para todos, algo de comer, pegam montões de publicidade, de brindes gratuitos, saem cheios de sacolas, mas sem nem um livro”.

É preciso romper com esta lógica, se quisermos realmente popularizar o acesso do grande público à leitura.

Uma das formas de uma nação em desenvolvimento cortar os laços de dependência com os grandes centros econômicos é através do incentivo ao setor nacional de ciência e tecnologia. A China já aprendeu isso, bem como os países conhecidos como “tigres asiáticos”, que tiveram no incentivo à Educação a mola propulsora de suas economias. Se o Brasil não seguir este exemplo, seu salto desenvolvimentista dos últimos anos não passará de um “voo de galinha” e então voltaremos a sofrer com os nossos males históricos, frutos, em grande medida, do despreparo da nossa população, em grande maioria malformada e semi-analfabeta.

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