27 de maio de 2011

Ainda sobre o polêmico livro do MEC

eja_educacao_de_jovens_e_adultos
Quando saíram na imprensa informações sobre o livro do MEC que incentiva alunos da Educação para Jovens e Adultos (EJA) a falar com erros de concordância, eu escrevi aqui sobre o assunto. Mas um mestre em Letras escreveu um comentário no post e me questionou: “tu chegaste a ler o "polêmico" capítulo do livro do MEC? Sabes qual é o título?” Eu confesso que quando escrevi o post não havia lido o capítulo “polêmico”, e corri atrás pra lê-lo na íntegra e ver se eu tinha dito alguma bobagem. Então vamos agora para uma análise mais aprofundada do assunto.


A tendência de Organizações Não Governamentais (ONGs) terem maior atuação política nasceu quando o neoliberalismo tornou-se dominante, especialmente no Brasil. Pela ideologia do Estado mínimo, o Governo deve abrir mão de produzir diretamente certas atividades, entregando a responsabilidade nas mãos de iniciativas privadas e ONGs, muitas delas com certo direcionamento e interesse político voltado para suas próprias demandas. Assim, por exemplo, a defesa de cotas raciais em Universidades é feita por organizações como a ONG Criola, que surgiu em 1992, filha direta deste novo panorama. Mais ou menos neste período de implementação do sistema neoliberal, surge a ONG Ação Educativa, responsável pedagógica da publicação Por Uma Vida Melhor, alvo de toda esta celeuma nos últimos dias.
Neste livro há o capítulo denominado “Escrever é diferente de falar”. Se toda a polêmica sobre o livro fosse em torno dessa afirmação, eu diria que os autores simplesmente pensaram que descobriram a pólvora e ele não teria ganho tamanha repercussão na mídia. Mas ao contrário do que os autores querem fazer crer, a norma culta, apesar de ser usada — e não poderia ser diferente — foi rebaixada ao nível de mais uma entre tantas outras variedades da língua, daí a polêmica. O que uma criança em plena formação pode concluir a respeito disso? Vejam estes dois exemplos:
Neste capítulo, vamos exercitar algumas características da linguagem escrita. Além disso,vamos estudar uma variedade da língua portuguesa: a norma culta.
Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes,para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário.
Dito estrategicamente desta forma, a norma culta, que deveria ser prestigiada numa instituição de ensino, pois os alunos não precisam ir para a escola para aprender outra coisa, é considerada uma mera variedade. Atenção, a norma culta não é uma variedade da língua. Ela é o padrão da língua. As outras tantas formas de se expressar é que são variedades deste padrão da língua, e assim notamos como a norma culta foi desprestigiada no livro para se enquadrar no mesmo patamar de tantas outras formas “adequadas” e “inadequadas”. Que finalidade tem esse tipo de conduta?
Como eu disse antes e continuo dizendo, a norma culta ainda é a única aceitável em audiências, entrevistas, concursos e etc. Se a proposta é, como parece, fazer com que as crianças possam usar o idioma correto de acordo com o ambiente, a primeira coisa que deveria ser revista é o incentivo aos erros de concordâncias, como “nós pega o peixe”. Que a criança fale assim entre amigos e familiares é mais do que compreensível, mas são coisas que a escola não deveria incentivar, porque muitos destes erros são frutos justamente de uma má formação escolar. Deveria fazer parte de suas funções zelar pela língua, que é patrimônio nacional, não custa nada lembrar.
Outro equívoco inaceitável do livro é querer colocar estes erros no mesmo nível de regionalismos, o que não é verdade. Se fizermos um cruzamento com os dados, eu tenho plena convicção de que tais “formas alternativas” são na verdade decorrência de uma má formação educacional, como os próprios autores admitem, e não fruto de uma variante espontânea da língua que nasceu e se desenvolveu naturalmente.
A língua portuguesa apresenta muitas variantes, ou seja, pode se manifestar de diferentes formas. Há variantes regionais,próprias de cada região do país. Elas são perceptíveis na pronúncia, no vocabulário (fala-se “pernilongo” no Sul e “muriçoca” no Nordeste,por exemplo) e na construção de frases. Essas variantes também podem ser de origem social. As classes sociais menos escolarizadas usam uma variante da língua diferente da usada pelas classes sociais que têm mais escolarização.Por uma questão de prestígio —vale lembrar que a língua é um instrumento de poder —, essa segunda variante é chamada de variedade culta ou norma culta, enquanto a primeira é denominada variedade popular ou norma popular.
Em vez de incentivarem e cobrarem melhor educação para as classes sociais menos escolarizadas, defendem que seus erros de concordância, fruto justamente de má educação, se chame “variedade popular”. Sendo a língua um instrumento de poder, como admitem, o melhor que poderiam fazer é armar as classes sociais com esta ferramenta, e não defenderem seus erros gramaticais. Me perdoem insistir, mas erros de concordância não são a mesma coisa que regionalismos, não mesmo.
Pra finalizar, um último equívoco:
Mais uma vez, é importante que o falante de português domine as duas variedades e escolha a que julgar adequada à sua situação de fala.
Aqui, tenta-se, mais uma vez, colocar norma culta e “norma” popular no mesmo patamar. Os autores sugerem que os alunos “dominem” as duas variedades. Mas, peraí: aonde existe a “norma” popular? Quem a escreveu? Quais são suas regras gramaticais? Como “dominar” uma “norma” dessas?
É lógico que não existe norma na linguagem popular. As pessoas falam como bem entendem, de acordo com seu grupo social e com a informalidade do ambiente, reinventando diariamente e espontaneamente seu idioma. O que eu volto a dizer aqui, é que é isso é perfeitamente normal e aceitável. O que não podemos de jeito nenhum tolerar, são os erros que as pessoas cometem porque não foram devidamente educadas e só sabem se expressar desta única forma, e que ainda chamem isso de “norma popular”. O livro defende que as pessoas devam usar o vocabulário de acordo com o ambiente. Muito bem, parabéns pra eles. Podem começar entendendo o seguinte: o livro é a ferramenta da norma culta, que deve ser prestigiada e usada na escola. Assim eles fazem melhor para estes alunos do EJA do que incentivar seus erros gramaticais.


25 de maio de 2011

Ditadores dão nomes a ruas, viadutos e outros patrimônios públicos pelo Brasil

rodovia-castello-branco

A Ditadura Civil-Militar ainda está viva entre nós. Ruas, avenidas, prédios, praças e monumentos pelo Brasil afora foram batizados em homenagem a torturadores e ativos participantes do Golpe de 64. Não se trata de querer tentar apagar da memória os arbítrios de um dos períodos mais negros da história do Brasil, mas tais honrarias são uma afronta à sociedade.

 

Pelo Brasil existem dezenas de exemplos de que a Ditadura Civil-Militar que grassou no Brasil durante 21 anos ainda não acabou. A tal transferência de poder “lenta, gradual e segura” das mãos dos militares para as mãos de civis, simbolizada pela inusitada posse de José Sarney à presidência da Republica em 1985, na verdade representou a continuidade no poder daqueles que derrubaram o governo de João Goulart em 1964. E um dos exemplos que ilustram essa continuidade são as homenagens prestadas pelo Estado “democrático” que batiza ruas, praças, prédios e outros monumentos com os nomes de notórios golpistas e torturadores.

Somente no Estado de São Paulo — em São Bernardo do Campo, Santo André e Santa Bárbara do Oeste — temos três ruas que homenageiam o General Olympio Mourão Filho, que em 31 de março de 1964 deflagrou o Golpe Militar ao invadir o Rio de Janeiro com as tropas da IV Divisão de Infantaria, partindo de Juiz de Fora com mais um contingente da Policia Militar de Minas Gerais (ironicamente, na rua de Santa Bárbara do Oeste ainda fica o Conjunto Habitacional batizado de “31 de março”). Ainda em São Paulo, no município de Campinas, existe a Praça Presidente Gen. Emilio Garrastazu Médici, localizado dentro da Pontifícia Universidade Católica da cidade. Surpreendente uma instituição católica homenageando um presidente da época da Ditadura, não? (não). No Estado ainda há a Rodovia Castello Branco, nome do primeiro presidente ditador do Regime Militar.

 

placa-medici

 

O almirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald, ministro da Marinha do regime militar entre 1967 e 1969, fez parte do assim chamado “Comando Supremo da Revolução”, que baixou o Ato Institucional (mais tarde numerado como AI-1, tantos foram os que lhe seguiram), permitindo uma série de arbitrariedades contra cidadãos brasileiros. A Marinha do Brasil achou por bem prestar-lhe uma bela homenagem ao batizar a Fragata F 49 com o seu nome.

 

051022-N-4374S-014 Fragata “Rademaker” (F49)

 

Existem muitos outros exemplos pelo Brasil afora, como a Ponte Rio - Niterói (batizada como Ponte Presidente Costa e Silva, outro ex-presidente da Ditadura), e o Viaduto 31 de Março, em Botafogo.

 

ponte-rio-niteroi Ponte Costa e Silva (Rio-Niterói)

 

Já existem movimentos no país para corrigir estas aberrações históricas. Em Fortaleza, Ceará, os vereadores aprovaram a mudança da “Praça 31 de Março” para “Praça do Futuro” assim que as obras em andamento forem concluídas. Em São Paulo o deputado Raul Marcelo do PSOL apresentou projeto de lei que visa retirar de rodovias, escolas, viadutos e outros patrimônios públicos estaduais os nomes de envolvidos em crimes de direitos humanos, em especial da última ditadura militar (1964-1985). Não devemos esquecer jamais os nomes daqueles que arruinaram a democracia e a esperança do povo com a derrubada de João Goulart do poder em 1964, mas tais homenagens descabidas devem ser devidamente revogadas pelas autoridades. Acabar com estes deboches é o mínimo que se pode fazer em respeito por aqueles verdadeiros heróis que lutaram bravamente ou que sofreram no período mais tenebroso da história brasileira.

dHITT palavras-chave: , ,

Fontes:

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/07/05/tortura-nunca-mais-quer-tirar-medici-de-nome-de-placa/

http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/nova-praca-31-de-marco-atende-demanda-da-comunidade-diz-lider-da-prefeita/

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/navio-de-guerra-da-marinha-continua-homenageando-ditador-que-integrou-duas-juntas-golpistas-e-liberticidas/

20 de maio de 2011

Professora dá lição de moral em políticos no Rio Grande do Norte

amanda-rangel
A situação da Educação Pública no Brasil é uma das maiores vergonhas deste país. Ainda mais com este nosso Ministério da Educação, que se gaba de defender um livro que ensina as crianças o modo errado de falar Português, enquanto mantém o país nos níveis mais baixos dos rankings internacionais de qualidade na Educação. Numa audiência pública da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, a professora de Português Amanda Gurgel expôs a realidade calamitosa da categoria no Estado, mas sua denúncia serve para ilustrar a realidade de todo o país. Acompanhe este importante e avassalador depoimento.



13 de maio de 2011

Livro do MEC incentiva alunos a escrever e falar errado

Livro do MEC incentiva alunos a escrever e falar errado

Pobre língua portuguesa. Nós, brasileiros, adoramos maltratá-la. Mas isso é uma escolha nossa, forma de falar que usamos no dia-a-dia nas conversas de bar, entre os amigos e familiares. Mas a sociedade, em determinadas ocasiões, exige-nos o conhecimento da norma culta da língua. Esta ferramenta está prestes a ser tirada dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) pelo Ministério da Educação.

O volume didático de língua portuguesa Por uma vida melhor, da coleção Viver e Aprender, distribuído pelo Ministério da Educação (MEC) e adotado por 4.236 escolas públicas do país, incentiva alunos do Ensino Fundamental do programa EJA a falar e escrever errado, sob o argumento de que é preciso “valorizar a linguagem de grupo social e as diferentes variedades da língua portuguesa”. Neste contexto, erros gritantes de concordância são incentivados por uma das autoras do livro, Heloisa Ramos, como por exemplo: “nós pega o peixe”. A autora defende o “uso da norma popular” nas salas de aula, e dá outro exemplo de como os alunos podem espancar um pouco mais a já tão castigada língua portuguesa, com o beneplácito do MEC: segundo o livro, é perfeitamente aceitável usar a expressão “Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”.

O que eu enxergo aqui é uma miríade incrível de equívocos, irresponsabilidades e más intenções.

As Cortes francesas dos Bourbon estabeleceram os bons modos (e muitas frescuras também) como norma e distinção social para toda elite culta e aristocrática da Europa. A burguesia, quando chegou ao poder, cortou a cabeça dos reis, mas procurou imitar a nobreza na questão da distinção social pelos costumes. Uma das formas de conseguir status e portas abertas na vida era justamente o bom domínio da língua culta e de suas normas gramaticais.

O mundo mudou bastante desde então, felizmente, mas uma coisa pelo menos permaneceu: o domínio da norma culta da língua é condição essencial para a ascensão social na sociedade burguesa em que vivemos, especialmente para os mais pobres. Mas o nosso Ministério da Educação acaba de fechar esta porta na cara de centenas de milhares de estudantes, que têm na Educação uma das poucas chances de subir na vida.

O que a autora deste abominável livro está fazendo é um atentado contra as classes sociais menos favorecidas, incentivando a exclusão social, condenando pessoas a terem uma identidade apenas nos seus restritos círculos sociais, com suas gírias e seus cacoetes linguísticos. Alguém imagina um advogado ou um engenheiro que não saiba falar corretamente e que seja bem sucedido? Alguma empresa contratando entusiasticamente um “brou” cheio de salamaleques na fala?

Vamos fazer o seguinte, burocratas do MEC e também de todo o Governo: a partir de agora, nos vestibulares das Universidades federais, nas entrevistas de emprego e nos concursos públicos que organizarem, estará autorizado o emprego das “diferentes variedades da língua portuguesa” , coisas como “nóis vai fazê comida”, ou “a gente comemos dois ovo no almoço”, em nome da “valorização da linguagem de grupo”, tudo bem? Senão, vai ficar uma coisa suspeita, vão pensar que vocês deliberadamente querem manter uma importante parcela da população pobre no seu restrito gueto cultural e na eterna ignorância, sem condições de concorrer pelos melhores empregos, sem poder ascender socialmente, sem saber falar a língua que vocês tiveram que dominar para poder sentar confortavelmente em suas cadeiras de funcionários públicos. Longe de querer que as pessoas saiam por aí falando ou escrevendo como Machado de Assis, quero apenas que vocês não tirem destes cidadãos uma ferramenta fundamental de ascensão social. Não podem cobrar a norma culta e incentivar a norma popular nas escolas dos pobres, senão fica parecendo discriminação social das brabas, disfarçada da melhor das intenções.

Fonte: Jornal O Dia, 13/5/2011, p. 6

10 de maio de 2011

Sobre o preço da Gasolina

assalto-gasolina
No exato momento em que a inflação preocupa o país, o preço da gasolina explode. Como pode isso acontecer num país já autossuficiente em petróleo e que ainda nem começou a explorar as suas enormes e recém-descobertas reservas do pré-sal? Essa difícil explicação é a que vamos tentar responder agora.

Antes de mais nada, é preciso esclarecer um fato: a inflação brasileira não é causada por uma alta da demanda de combustível pelo consumidor, como era de se esperar. No caso da gasolina, ela é causada pelos usineiros que repassam os custos da entressafra da cana-de-açúcar - matéria prima do álcool anidro, elemento adicionado à gasolina brasileira – aos distribuidores, que por sua vez repassam os custos aos consumidores.
Além deste fato, existe a exorbitante carga tributária brasileira, que não podia deixar de incidir sobre um produto tão valorizado quanto a gasolina. Juntando todos os impostos, chega-se à marca de 41 por cento do total do preço final.

preco-da-gasolina
Gráfico revela valor dos impostos 


Para desmentir a ideia de que a gasolina brasileira é uma das mais caras do mundo, a Petrobras afirma que os preços cobrados no Brasil “encontram-se alinhados com os preços de outros países que possuem mercados de derivados abertos e competitivos”. Entretanto, no gráfico abaixo, fornecido pelo blog da empresa, existe uma série de engodos.

grafico-preco-paises
  1. a parcela em verde do gráfico representa o preço da refinaria sem impostos;
  2. a parcela em azul representa as margens de lucro, que oscilam em função do mercado local de venda dos combustíveis;
  3. e a parcela em amarelo representa a carga tributária que é a maior responsável pela diferença dos preços entre os países.

O preço da gasolina é comparado com países europeus, Japão e outros países de custo de vida elevado (e/ou não-produtores), mas com uma renda per-capita muito maior que no Brasil (exceção para a China). Deixa de fora muitos países como Venezuela e Arábia Saudita, que como o Brasil, são produtores e que vendem a gasolina a menos de 1 dolár o galão! O Brasil e Noruega são os únicos países produtores de petróleo na lista dos 15 preços mais caros do mundo. Veja a situação real em U$ por galão americano:

gasolina-preco

Agora vejam vocês, arautos do mercado livre, que desde a Lei Federal 9.478/97 (Lei do Petróleo) que flexibilizou o monopólio do setor de petróleo e gás natural, até então exercido pela Petrobras (da qual a Petrobras Distribuidora é subsidiária) que se abriu o mercado de combustíveis no País. E assim como a telefonia móvel, uma das mais caras do mundo, o combustível só fez aumentar. Não adianta reclamar, dizer que o Brasil tem petróleo para dar e vender. São as “leis do mercado”. E isso apesar de desde 2009, a Petrobras vender o litro da gasolina para as distribuidoras a invariáveis R$ 1,05. Esperavam que a concorrência operasse o milagre de fazer os preços caírem… e continuam esperando.
Há uma queda de braço entre os culpados pelo alto preço da gasolina no Brasil. De um lado, o culpado estrutural, o Governo, que cobra uma das cargas tributárias mais pesadas do planeta; de outro, o culpado conjuntural, os usineiros, que por sua vez culpam a entressafra pela necessidade de aumentar o preço do álcool que é adicionado na gasolina. Na ponta dessa linha, o consumidor, aquele mesmo, que vota nesta mesma gente, na esperança de que algum dia estas coisas vão mudar. E continuam esperando.

Fontes
http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2011/04/07/preco-da-gasolina-mitos-e-verdades/
http://www.anp.gov.br/?pg=8358
http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/precos-da-gasolina1.htm

2 de maio de 2011

Estados Unidos anunciam a morte de Osama Bin Laden com foto falsa

Osama_Bin_Laden
Os Estados Unidos da América anunciaram hoje a morte do militante da Al-Qaeda e terrorista Osama Bin Laden. A notícia desfecha um ciclo de 10 anos de contradições, mentiras e desinformações, onde o chefe da Al-Qaeda fora dado como morto em diversas ocasiões por fontes não-americanas. Desta vez, o anúncio, embora feito de forma oficial pelo pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, levanta polêmica e exige cautela por conta de foto altamente suspeita do terrorista morto divulgada por agências de notícias

A operação de forças especiais da Marinha americana teria cercado a casa onde Bin Laden vivia nos últimos anos na cidade de Abbotabad, próximo a Islamabad, capital do Paquistão, e matado o “terrorista mais procurado do planeta” na noite deste domingo, horário do Brasil (1/5).

Governantes e imprensa do mundo todo, não obstante o histórico de polêmicas que sempre envolveram a chamada “Guerra ao Terror” americana, apressaram-se em apoiar o governo norte-americano. Também não se esqueceram de afirmar que a morte de Bin Laden não representa o fim do tão necessário terrorismo, e a CIA já tratou de anunciar que a Al-Quaeda “quase certamente” vai querer se vingar.

A única prova que temos desta operação que supostamente teria matado Bin Laden é uma foto nada convincente, que já vem sendo contestada em grande parte do mundo. Primeiro divulgada pela agência de notícias AP, depois em diversos canais de televisão pelo mundo, inclusive na rede Globo. Nela, Bin Laden, que já teria 54 anos de idade, aparece com as barbas negras da época em que passou a ser figura conhecida no mundo, há 10 anos. Além disso a foto é incrivelmente semelhante com uma outra foto de Bin Laden. Compare:

foto-bin-laden-morto

Sabemos do efeito fantástico no Ocidente que essa notícia tem na popularidade dos Estados Unidos e para o seu presidente Barack Obama. Mas considero que ainda seja muito cedo para aceitar a notícia da morte de Bin Laden pela Marinha dos EUA como verdadeira. Até que apareçam provas reais e convincentes da operação, este pode ser mais um daqueles casos falsos que vão parar no Congresso americano. Em se tratando da política de propaganda americana, que já forjou várias mentiras como as armas de destruição em massa do Iraque, toda a precaução e desconfiança são plenamente justificáveis.
Fonte: G1