16 de fevereiro de 2011

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michèle alliot-marie
Estranho lugar escolheu a chanceler francesa, Michelle Alliot-Marie (foto), para passar as suas férias em dezembro: a Tunísia, em plena convulsão social que agitava o país. Enquanto ela “descansava” da vida atribulada de ministra, seus queridos pais, que a acompanharam na viagem, fechavam negócios espúrios com Aziz Miled, ligado ao ex-ditador derrubado pelo povo, Ben Ali. Começamos a entender o silêncio francês frente aos protestos e exigências do povo do Oriente Médio.

Já não bastasse Alliot-Marie ter oferecido ajuda ao ditador da Tunísia para combater os protestos populares e de viajar no jatinho particular do empresário Aziz Miled, de acordo com o site RFI, “A família [dela], que já tinha 13% da sociedade imobiliária de Aziz Miled, comprou a parte restante por um valor de 325.000 euros, cerca de 730 mil reais. A chanceler teria mantido contato telefônico com o ex-ditador tunisiano durante sua estadia no país”.

Esta senhora sem nenhum escrúpulo, que conta com o apoio da direita francesa, incluindo aí seu presidente, disse que estas transações comerciais são do seu âmbito particular. Ou seja, manda-se a ética para o espaço, faz-se negócios até com a família Bin Laden se for o caso, desde que seja “no âmbito particular”. Outro francês, o premier François Fillon, já havia admitido que voara num avião da frota do ditador do Egito durante sua viagem àquele país. Que maravilha esses políticos franceses.
Agora podemos compreender o silêncio constrangido das autoridades francesas, que mal se pronunciaram sobre a queda do ditador tunisiano Ben Ali. Era rabo preso demais. Aliiot-Marie estará no Brasil dia 22 deste mês, se os escândalos não a fizerem renunciar. Na agenda oficial, uma visita de cortesia à presidente Dilma. Mas na verdade, o que poderá estar por debaixo dos panos? Uma sociedade com Eike Batista? Com Antônio Ermínio de Morais? Não duvido de mais nada.

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