25 de janeiro de 2011

Desenvolvimento Econômico, mas a que preço?

poluição
Nós, do Estado do Rio de Janeiro, estávamos acostumados a ter uma vida de perfeita sintonia com a deslumbrante Natureza, que sempre emoldurou as principais paisagens fluminenses. Entretanto, essa união vem sendo ameaçada recentemente por empresas dos setores mais poluentes da indústria, como a siderúrgica e a petroquímica, que escolheram a região metropolitana do Estado para instalar seus complexos poluidores, contando com a benevolência dos nossos dirigentes e colocando em risco a fauna, a flora, e principalmente a saúde da população. Depois da chuva de poeira cinzenta sobre o bairro de Santa Cruz, causada pelo auto-forno da Companhia Siderúrgica do Atlântico, que o nosso blog denunciou aqui, agora é a vez do novo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ), instalado em Itaboraí, ameaçar a vida marinha e a nossa saúde com seus dejetos químicos venenosos. Onde estão as autoridades do meio-ambiente deste Estado?

O novo secretário de meio-ambiente, o velho Carlos Minc, que sempre usou a natureza como slogan eleitoral, não parece muito preocupado. Se ele tiver a mesma postura que teve no caso da poluição criminosa sobre a população de Santa Cruz, causada pela CSA, nós estamos lascados. Naquela oportunidade, Minc, em entrevista à rádio Band News, se colocou debochadamente a favor da empresa, levantando até suspeitas do jornalista Ricardo Boechat. A bola da vez é o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, que “precisa” se desfazer de seus dejetos químicos via emissário submarino, e está na dúvida entre a Baía de Guanabara ou o litoral de Itaipuaçu, em Maricá, rico em biodiversidade.

31-02-2008 - Início das obras do COMPERJ. Presidente Lula e o Governador Sérgio Cabral iniciaram simbolicamente as obras do Polo Petroquímico de Itaborai. Foto - Carlos MagnoPolíticos sorridentes na inauguração do Comperj 

Outro fator que chama a atenção e causa desconfiança é a forma como foi conduzida pelas autoridades o processo de consulta pública, através do Estudo de Impacto Ambiental – Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA-RIMA), documento onde se avaliam os possíveis danos ao meio-ambiente causados por determinado projeto (neste caso o emissário do COMPERJ). O período para análise desse documento teve início na antevéspera do Natal, com o prazo terminando no último dia 21 de janeiro  - ou seja, num período de festas, férias e feriados, onde o problema teve nenhuma repercussão.

impacto_ambiental Essa lógica compensatória precisa ser quebrada

Assim como o grande jornalista Ricardo Boechat, que desconfia seriamente que as autoridades estejam recebendo propina para permitir tamanha agressão ao meio-ambiente, eu também penso que essa só pode ser a única explicação. Fica difícil conceber como autoridades políticas como o senhor Sérgio Cabral e seu assecla do meio-ambiente, Carlos Minc, podem achar normal a lógica de compensação criada por estas empresas: “eu poluo o seu meio-ambiente, em troca lhe trago alguns empregos”, ou “eu jogo lixo na cabeça e nas águas dos seus cidadãos, e em troca eu crio um posto de saúde para cuidar dos problemas causados pela minha sujeira”. É hora de dar um basta neste tipo de política pública, e nestes políticos que só pensam em dinheiro.

fontes:
http://www.nitvista.com/index_frame.php?url=/ecoando/noticias.php%3Fid%3D702
http://sositaborai.blogspot.com/2011/01/com-obras-do-comperj-itaborai-sofre-e.html
http://www.grupoescolar.com/materia/estudo_de_impacto_ambiental.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_Petroqu%C3%ADmico_do_Rio_de_Janeiro

24 de janeiro de 2011

O novo Plano Nacional de Educação

pne-2011

Em 2011 encerra-se o prazo de 10 anos do atual Plano Nacional de Educação (PNE-F), em vigor desde 2001, que deverá ser substituído pelo PNE-N, com novas metas, novas diretrizes que devem orientar os rumos da Educação no país pelos próximos 10 anos. O problema, é que o Plano Nacional de Educação que chega agora ao fim, teve muitas determinações não cumpridas pelos responsáveis. Por que deveríamos acreditar que o novo PNE será cumprido?

 

haddad O novo Plano Nacional de Educação nasceu fruto de debates ocorridos na Conferência Nacional de Educação (CONAE) realizado no final de março e começo de abril do ano passado, em Brasília, com dirigentes como o Ministro da Educação Fernando Haddad (foto). Mas enquanto se discutia o novo Plano, deixou-se de se salientar que o antigo PNE deixou de ser cumprido por uma série de fatores. O primeiro deles foi o veto do então presidente Fernando Henrique Cardoso (logo ele, um professor de Sociologia) à cota de 7% do PIB para a Educação. Sem verbas suficientes, o Plano começou já cambaleante. Outro problema é que não se previu a quem cabia a responsabilidade pela implementação do Plano na Educação. Não se tem a clara ideia de que setores – se o Estado, o município ou a União – são responsáveis pela implementação das metas. E também não se prevê a menor punição no caso de que não venham a ser cumpridas. Neste cenário, nenhum político se sente na obrigação de dar o primeiro passo. Por conta disso, o país deixou de avançar em alguns setores estratégicos. Não conseguiu erradicar o analfabetismo até 2010, como o previsto; não conseguiu reduzir em até 50% a repetência e o abandono escolar, entre outras coisas. Mas também é verdade que o PNE representou um passo adiante em outras questões, como a implementação do Ensino Fundamental com 9 anos de duração, por exemplo.

 

O novo PNE-N prevê um aumento no investimento público em Educação, elevando progressivamente a participação da Educação no PIB para 7%. Especialistas defendem que seria necessário chegar a 10%. Se a presidente Dilma, que vem defendendo a valorização deste setor, não vetar os 7%, já será uma vitória. Outro fator que preocupa os especialistas é a determinação de que a taxa de conclusão dos cursos superiores chegue a 90%. De que maneira será feito isso? Aprovação de alunos despreparados? Queda na qualidade do ensino?

 

Seria pedir muito que o Congresso (responsável por analisá-lo) possa aprovar o novo PNE-N do jeito que a sociedade exige. Mas não custa nada dar um voto de confiança para a nova presidente, que elegeu a Educação como uma de suas maiores bandeiras. A sociedade civil precisa aprender também a se organizar e reivindicar do Poder Público as suas demandas. Vamos dar um tempo para ver se o novo PNE será cumprido, ou mais uma vez, não passará de uma mera carta de boas intenções.

 

fontes:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110118/not_imp667573,0.php

http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/pne.pdf

http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/legislacao/pne-plano-nacional-de-educacao-537431.shtml

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_jfilter&Itemid=164&params[search_relevance]=plano%20nacional%20de%20educa%C3%A7%C3%A3o&params[search_method]=exact&params[tipobusca]=null

20 de janeiro de 2011

A prática do “breast ironing” na África

breast-ironingHoje eu quero levantar uma questão muito importante. Neste começo de Terceiro Milênio,  a sociedade  e a civilização ocidental relegam a segundo plano explicações científicas – portanto, universais – sobre culturas diferentes das nossas, impossibilitando-nos de fazer qualquer julgamento sobre o que é certo ou errado. Apenas devemos respeitar culturas alheias, pois senão estaríamos impondo nossa “visão de mundo”. 

É por conta deste relativismo exacerbado que deveríamos fechar os olhos contra crimes e violações dos direitos humanos no resto do mundo, cometidos em nome da “cultura”. Geralmente, as mulheres são as grandes vítimas deste tipo de postura.  É muito conhecida a repressão contra a mulher nos países islâmicos, bem como a mutilação sexual de jovens africanas. Mas uma outra prática, menos conhecida, é o “breast ironing” que consiste em desestimular por meio de uso de pedras ou outros objetos em brasa, o desenvolvimento dos seios nas meninas. É este tipo de prática aceitável?

De acordo com estimativas da ONU, por volta de 3,8 milhões de meninas africanas estão sujeitas hoje a sofrer este tipo de ritual, que ocorre com mais incidência no oeste africano, especialmente em Camarões. 50 por cento das garotas nas cidades e 1/4 em todo o país tiveram os seus seios torturados por tal ritual, praticados em grande medida, pelas próprias mães, sob a justificativa de que estariam protegendo suas filhas da cobiça masculina, do estupro e do sexo antes do casamento, pois a deformação dos seios as tornariam menos atraentes. A prática consiste em pressionar contra os seios das jovens (muitas  com apenas 9 ou 10 anos de idade) objetos como pedras ou outros instrumentos aquecidos no fogo, para reverter o desenvolvimento natural dos seios na puberdade.

As consequências de prática tão primitiva (e aqui vai sim um julgamento de valor) é a dor, infecções, assimetria dos seios e muitas vezes a perda de uma ou das duas glândulas mamárias.

Fica difícil entender as razões de tamanha brutalidade, cometidas e defendidas pelas próprias mães das vítimas. Mas de acordo com a visão que impera hoje nos meios acadêmicos e midiáticos, devemos ter uma postura de respeito e de indiferença no que tange as culturas diferentes, pois criticar as diferenças nada mais é do que ver o mundo com as nossas lentes particulares. Eu defendo que cada cultura tenha a sua auto-determinação e liberdade, mas quando estamos falando de violações de direitos humanos, eu penso que não dá para ficarmos alheios. Para maiores detalhes, assista a uma reportagem sobre “breast ironing” (em inglês) abaixo.

9 de janeiro de 2011

Dilma ou Marcela Temer: qual o melhor exemplo para as mulheres?


Marcela Temer, a mulher do Vice
Todos estamos de acordo que a chegada ao poder de uma mulher foi um fato altamente significativo e simbólico, que serve como exemplo para todas as mulheres do Brasil, e com um recado implícito: através da luta e do trabalho, elas podem chegar ao cargo máximo do país. Apesar dessa mensagem, que deveria ser incentivada, as mídias do país decidiram dar um passo atrás na luta das mulheres por dignidade e valorização: preferiram focar uma jovem ex-modelo de 27 anos que subiu na vida porque casou com um político 43 anos mais velho.




Tudo bem que tuiteiros tenham transformado isso no assunto do momento, mas grandes órgãos de imprensa deveriam ter mais profissionalismo e mais o que fazer do que colocar manchetes em suas primeiras páginas com títulos como esse do jornal O Dia de hoje: “Aprenda a fazer trança como a da Sra. Temer”. Estamos vivendo uma época de conquistas das mulheres, cada vez mais elas vão encontrando seu espaço em todos os setores da sociedade, com muito trabalho, através de lutas muitas vezes sofridas, que duram décadas e décadas, até desembocar duramente numa presidente da República. Dilma Rousseff é o exemplo a ser seguido. Desde jovem, lutou pelos seus ideais, se formou em Economia, enfrentou a Ditadura Civil-Militar, foi presa, torturada 22 dias, depois entrou para a política, e foi subindo degrau a degrau durante 25 anos até chegar ao cargo máximo do país.

Dilma, o exemplo a ser seguido
Mas a imprensa brasileira preferiu nesse começo de mandato voltar seus holofotes para outra mulher, a até então desconhecida esposa do vice-presidente Michel Temer,  Marcela Temer. Ex-modelo, era recepcionista quando caiu nos encantos do então deputado federal. Na cerimônia de posse da presidente, estava ao lado do marido, e por isso chamou a atenção do país.


Natural que uma jovem e bela mulher casada com um homem de 70 anos chame a atenção. Mas a mídia resolveu transformá-la quase numa celebridade, tirando o foco da primeira mulher presidente do Brasil. Num momento em que, como eu disse, as mulheres conquistam espaço por seu trabalho, nada mais incoerente do que chamar a atenção para um outro exemplo, a da mulher que subiu na vida nas sombras de um homem poderoso.

7 de janeiro de 2011

Mau desempenho de alunos brasileiros é entrave para o crescimento do país

Sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes


O Brasil, ao longo dos últimos anos, vem se consolidando como um país promissor, com uma Economia robusta e possibilidade de geração de muitas oportunidades. Mas seu crescimento se vê ameaçado por falta de investimento em um setor crucial: Educação. Isso compromete a disponibilidade de mão-de-obra qualificada para áreas importantes, o que pode emperrar nosso desenvolvimento. Desempenho de alunos brasileiros em testes comparativos com estudantes do mundo mostra que a situação é grave.



Apesar de o país estar caminhando no setor, a lentidão do processo compromete o futuro. No final do ano passado, saiu o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) mostrando que os estudantes brasileiros ficaram muito longe das melhores posições. No quesito leitura, por exemplo, dentre 65 países avaliados, o Brasil ficou em 53º lugar. Em ciências, os alunos brasileiros alcançaram 405 pontos; em matemática, 386, enquanto que os chineses alcançaram 600 pontos. Apesar disso o país está entre os que mais melhoraram sua posição nos últimos anos. Mas não é motivo de comemorações.

Ministro da Educação, Fernando Haddad, tem muito trabalho pela frente
 

Outro fator importante mostrado pelo estudo, é que alunos do ensino público tiveram desempenho muito abaixo dos alunos do ensino particular, o que também não causou nenhum espanto. A única exceção, foi com relação aos colégios públicos ligados a Universidades (Colégios de Aplicação) mostrando que o Estado sabe oferecer ensino de qualidade, e que esse tipo de modelo deve ser expandido.

CAp da UERJ é exemplo de ensino público de qualidade


O próximo estudo do Pisa, que é de três em três anos, se dará em 2012, tempo muito curto para que a nova presidente recém-eleita possa mudar muito o quadro. Mas ela tem que deixar um compromisso, um projeto político de longo prazo implementado, para que o país cresça e traga consigo a maioria da população brasileira, resgatada da condição de miséria e pobreza através da Educação de qualidade, que tornará o Brasil uma potência de fato. Como disseram uma vez*, não são as reservas do Pré-Sal o passaporte para o futuro do país, e sim a Educação.


* Alexandre Garcia, no Bom dia Brasil
fontes:
http://aprendiz.uol.com.br/content/trechemucr.mmp
http://www.advivo.com.br/blog/roberto-sao-paulo-sp-2010/programa-internacional-de-avaliacao-de-alunos-pisa-2009
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&g...

1 de janeiro de 2011

O desafio da Educação passa pelo estímulo à leitura

leitura de livros

Atualizado em 9 de maio de 2015

A indústria editorial no Brasil chegou ao final do século XX como a maior da América Latina. Mas, apesar de ser também a oitava do mundo em números absolutos de vendas, está longe de outros países em termos de proporção. A França, por exemplo, consome uma média de seis livros per capita por ano, enquanto que o Brasil, apenas dois.

O que se poderia fazer para transformar o Brasil num país de leitores? O problema neste setor é basicamente o mesmo do que em quase todas as outras áreas: a desigualdade. Enquanto alguns segmentos da sociedade consomem livros numa média europeia, uma grande maioria fica apartada desta valiosa ferramenta de formação, educação e crescimento pessoal.

Em 2004 o Governo Lula tentou dar uma solução a este problema, ao desonerar a indústria editorial, cortando alguns impostos como o PIS e o Cofins. Em troca, estas empresas contribuiriam com 1% sobre o valor das vendas, para a criação de um fundo de estímulo à leitura. Em 2009, após anos de reclamação do mercado editorial, que se beneficiou com o corte dos impostos mas não concordou com a contribuição, o Governo retomou essa proposta.

O fato é que, apesar de o Governo ter feito uma renúncia fiscal em torno de R$300 milhões, o preço do livro não caiu, contribuindo para a manutenção da dificuldade de amplas camadas da população a terem acesso aos lançamentos editoriais.

Dilma Rousseff, nesse seu segundo mandato, tem por uma de suas grandes metas a valorização da Educação, através dos recursos do pré-sal. A presidente deveria olhar com bastante carinho para este setor dos livros, já que não existe melhor maneira de se melhorar o nível intelectual e material de um povo do que disseminar o hábito da leitura entre ele. O primeiro passo a ser dado é pressionar as editoras para baratear o preço dos livros, para que o Brasil possa estar entre os países com os maiores índices de leitura não só em números totais, como também na média geral.