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Churrascão das Forças Armadas e o Brasil saqueado

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F arinha pouca, meu pirão primeiro. Com este singelo ditado popular, podemos resumir perfeitamente a atitude das classes dominantes, representadas em diversos setores das instituições nacionais, quando a crise econômica ameaça colocar em risco seus privilégios históricos.   Temos um exemplo bem recente para ilustrar (calma que ainda não é o das Forças Armadas).  A ingênua "conciliação de classes" do PT Os governos do PT se sustentaram numa espécie de pacto de classes, que funcionou muito bem enquanto a economia pujante permitiu que Lula , e depois Dilma , pudessem promover um tímido programa de distribuição de renda aos mais pobres, enquanto mantinham intocados os privilégios dos ricos.   Mas bastou a crise atingir as finanças do país para que estas mesmas classes dominantes rompessem o pacto, derrubassem o governo sem o menor pudor, para instaurar medidas de austeridade que visassem frear a ação do governo no tocante à ascensão dos mais pobres. Era preciso resguardar

Brasil corre o risco de virar o grande fazendão de bananas do mundo

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  M uitas pessoas podem acreditar que a rápida marcha rumo à desindustrialização por que vem passando o Brasil é um processo natural e até desejável, numa época que alguns cientistas sociais vêm chamando de era pós-industrial .  No entanto, a perda de nossas fábricas e de várias multinacionais que aqui produziam nos últimos anos é algo muito grave, que tem causa na falta de estratégia nacional e política econômica equivocada, resultando na perda de importância e competitividade da nossa economia perante o mercado mundial, nos deixando também mais longe dos países desenvolvidos e do próprio futuro, realçando nossa velha vocação de grande fazendão do mundo, mero produtor de matérias-primas.  No entanto, as explicações das causas desse processo variam bastante, e são, muitas vezes, contraprodutivas , cretinas e tendenciosas . Vamos começar por essas.  Ontem o jornal O Globo publicou, na sua edição impressa, uma reportagem sobre a fuga de multinacionais do país. Ao todo, foram 15 nos últ

A obscura entrevista do general Santos Cruz e a possibilidade de golpe militar no Brasil em 2022

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D e que lado ficariam as Forças Armadas brasileiras caso a crise de sucessão que ocorreu nos Estados Unidos viesse a ocorrer no Brasil? A pergunta, feita pelo governador do Maranhão Flávio Dino, no seu twitter , é pertinente. Temos também um tresloucado no executivo nacional com teorias da conspiração de que as eleições no país são fraudadas. 2022 é logo ali, e o presidente já deu indícios de que a confusão que aconteceu lá  também acontecerá aqui, " caso a urna eletrônica não emita o voto impresso ".  O colunista Chico Alves do UOL publicou uma oportuna entrevista com o general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz a respeito dos acontecimentos em Washington no dia de ontem, e em vez de tranquilizar as preocupações do governador maranhense e de tantas outras pessoas, deixou ainda mais dúvidas sobre a posição das Forças Armadas por ocasião de uma crise semelhante em 2022.  Segundo o general, a invasão do Capitólio nos Estados Unidos era uma situação previsível, tendo em vi

A hipocrisia de Luciano Huck

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Apresentador lembrou só agora que também é a favor da taxação de grandes fortunas R ecentemente o presidenciável Ciro Gomes foi na internet dizer aquilo que ele já vem dizendo há bastante tempo: a necessidade do Brasil taxar heranças e grandes fortunas para arrecadar receita, no momento em que o acéfalo presidente não sabe o que fazer. O Brasil é praticamente um paraíso fiscal para os ricos desse país, que usufruem de seus bens e suas riquezas sem pagar praticamente nenhum tributo sobre eles, ao contrário de países muito mais liberais que o Brasil ao redor do mundo.  E recentemente tem havido uma campanha para que o Brasil se ajuste às melhores práticas tributárias que vigoram nos países capitalistas, sendo o próprio Ciro um dos maiores defensores dessas taxações: - Imposto sobre heranças. EUA cobram 40%, o Brasil cobra 4%.  - Um trabalhador de aplicativo paga IPVA da moto, enquanto Luciano Huck e João Dória, que compraram jatinho subsidiado com dinheiro público, não pagam IPVA d

Reviravolta no STF sobre reeleição; qual deve ser a postura das esquerdas

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  O mundo da política amanheceu hoje com uma notícia até certo ponto surpreendente: depois de uma grande reviravolta na votação dos últimos dias, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional a reeleição nas presidências da Câmara e do Senado nessa nova legislatura, pleiteada respectivamente por Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre .  O julgamento se deu em cima da interpretação do artigo 57, no seu parágrafo 4° da Constituição Federal.  Artigo cujo texto, por sinal, de tão claro (como destacado acima), deixava poucas margens para dúvidas, situação que preocupou bastante a opinião pública, devido aos rumores de que, mesmo assim, o julgamento alteraria a interpretação do texto constitucional — favorecendo assim Maia e Alcolumbre — mas também pelo resultado final apertado de 6 a 5.  Se toda ação de constitucionalidade de dispositivo de texto explícito da CF tiver um placar de 6x5, então sugiro uma emenda constitucional para alterar o Art. 101, e substituir "notável saber jurí

Os povos da América Latina mostram de novo: só os golpes da direita refreiam o seu destino

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  Ex-presidentes progressistas da América do Sul O s povos da América Latina reagem aos golpes que tentam frear mais uma vez a natural propensão da região a políticas de esquerda. A vitória de Lucho Arce na Bolívia é apenas o exemplo mais recente de que, respeitadas as regras eleitorais e jurídicas criadas pela própria democracia burguesa, o povo da América Latina, de modo geral, quer as políticas de esquerda no poder, e isso não é de hoje. E quando estas mesmas regras não são respeitadas, o povo vai às ruas exigir seus direitos violados, como no Chile.  Desde a segunda metade do século XX essa tendência, no entanto, quanto mais crescia, mais era refreada pela oposição conservadora capitalista dos diversos países da região, com o apoio, já mais do que documentado, dos Estados Unidos, que se utilizam de várias estratégias criminosas e dos aparelhos à sua disposição para impedir tal movimento à esquerda.  Se, no século XX, durante o advento da Guerra Fria, as frações locais cooptadas p

A depreciação do real e do Real

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  Preços da soja disparam para o consumidor Q uando um governo incita a controvérsia, a mentira e a dúvida, fazendo pouco caso da verdade, depreciando o real , nós já alertávamos que o dólar alto iria favorecer as exportações do agronegócio brasileiro, com a contrapartida negativa de prejudicar o mercado interno. Agora a coisa foi tão descarada, que ministério da economia dirigido pelo vendilhão  Paulo Guedes quer vender a ideia da depreciação do Real como algo positivo para todo o país, algo até planejado e não fruto da obsoleta ideologia neoliberal que reina neste governo.  Com a cotação do dólar a R$5,50 neste dia 13 de outubro e com um constante viés de alta que já dura vários meses, os latifundiários brasileiros resolveram mirar no sedutor mercado internacional, desabastecendo as prateleiras dos nossos supermercados, assim atingindo dois coelhos: primeiro, vender carne e cereais a dólar e euro no exterior, ganhando muito na conversão; e também apostando nas velhas leis de oferta