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Perguntas que eu gostaria de fazer a um oficial do exército brasileiro

O s militares brasileiros não poderiam ter escolhido um cenário pior para voltar a participar diretamente da política brasileira, desde o Golpe de 64 . E digo isso independentemente da pandemia cuja participação direta das Forças Armadas foi simplesmente desastrosa.  A imagem dos militares nunca foi de muito prestígio desde o fatídico Golpe, e muito disso é devido ao próprio comportamento da corporação. Suas atuações desde a redemocratização passaram de uma constrangida tutela à distância a uma participação cada vez mais hostil e militante desde que o PT chegou ao poder.  Como funcionários públicos que são, acredito que nos devam algumas explicações sobre alguns fatos que caracterizam essa atuação militar nos últimos anos, respostas que infelizmente jamais obtivemos de forma clara. Se eu pudesse, então faria as seguintes perguntas a algum oficial militar, na esperança de que ele pudesse me esclarecer algumas das dúvidas mais perturbadoras que eu tenho:  Em que se baseia tanta agressivi

Quanto vale a vida no Brasil

Q uanto vale a vida de um escravo? Um escravo é um não-sujeito , um trabalhador compulsório, uma ferramenta que funciona em favor de terceiros, que pode ser trocada, descartada por outra ferramenta .  Até maio de 1888, uma pequena elite de colonizadores se utilizou dessas "ferramentas" para prosperar no Brasil, um mero objeto descartável com uma média de duração de 7 anos, que podia ser substituída no mercado por outra, indefinidamente.  Até que, aos poucos, o sistema econômico mundial foi modificando, a escravidão já não era tão vantajosa assim, de modo que o trabalho assalariado se tornou a forma de trabalho predominante, e hoje, teoricamente , substituiu o trabalho compulsório.  O Brasil teve a sua abolição tardia da escravidão, de maneira que ainda não é possível vencer a força de mais de 300 anos de trabalho escravo na mentalidade das elites neste país, cujas raízes profundas estão nas fundações da nossa sociedade até hoje.  A segunda grande iniquidade contra os ex-esc

Churrascão das Forças Armadas e o Brasil saqueado

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F arinha pouca, meu pirão primeiro. Com este singelo ditado popular, podemos resumir perfeitamente a atitude das classes dominantes, representadas em diversos setores das instituições nacionais, quando a crise econômica ameaça colocar em risco seus privilégios históricos.   Temos um exemplo bem recente para ilustrar (calma que ainda não é o das Forças Armadas).  A ingênua "conciliação de classes" do PT Os governos do PT se sustentaram numa espécie de pacto de classes, que funcionou muito bem enquanto a economia pujante permitiu que Lula , e depois Dilma , pudessem promover um tímido programa de distribuição de renda aos mais pobres, enquanto mantinham intocados os privilégios dos ricos.   Mas bastou a crise atingir as finanças do país para que estas mesmas classes dominantes rompessem o pacto, derrubassem o governo sem o menor pudor, para instaurar medidas de austeridade que visassem frear a ação do governo no tocante à ascensão dos mais pobres. Era preciso resguardar

Brasil corre o risco de virar o grande fazendão de bananas do mundo

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  M uitas pessoas podem acreditar que a rápida marcha rumo à desindustrialização por que vem passando o Brasil é um processo natural e até desejável, numa época que alguns cientistas sociais vêm chamando de era pós-industrial .  No entanto, a perda de nossas fábricas e de várias multinacionais que aqui produziam nos últimos anos é algo muito grave, que tem causa na falta de estratégia nacional e política econômica equivocada, resultando na perda de importância e competitividade da nossa economia perante o mercado mundial, nos deixando também mais longe dos países desenvolvidos e do próprio futuro, realçando nossa velha vocação de grande fazendão do mundo, mero produtor de matérias-primas.  No entanto, as explicações das causas desse processo variam bastante, e são, muitas vezes, contraprodutivas , cretinas e tendenciosas . Vamos começar por essas.  Ontem o jornal O Globo publicou, na sua edição impressa, uma reportagem sobre a fuga de multinacionais do país. Ao todo, foram 15 nos últ

A obscura entrevista do general Santos Cruz e a possibilidade de golpe militar no Brasil em 2022

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D e que lado ficariam as Forças Armadas brasileiras caso a crise de sucessão que ocorreu nos Estados Unidos viesse a ocorrer no Brasil? A pergunta, feita pelo governador do Maranhão Flávio Dino, no seu twitter , é pertinente. Temos também um tresloucado no executivo nacional com teorias da conspiração de que as eleições no país são fraudadas. 2022 é logo ali, e o presidente já deu indícios de que a confusão que aconteceu lá  também acontecerá aqui, " caso a urna eletrônica não emita o voto impresso ".  O colunista Chico Alves do UOL publicou uma oportuna entrevista com o general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz a respeito dos acontecimentos em Washington no dia de ontem, e em vez de tranquilizar as preocupações do governador maranhense e de tantas outras pessoas, deixou ainda mais dúvidas sobre a posição das Forças Armadas por ocasião de uma crise semelhante em 2022.  Segundo o general, a invasão do Capitólio nos Estados Unidos era uma situação previsível, tendo em vi

A hipocrisia de Luciano Huck

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Apresentador lembrou só agora que também é a favor da taxação de grandes fortunas R ecentemente o presidenciável Ciro Gomes foi na internet dizer aquilo que ele já vem dizendo há bastante tempo: a necessidade do Brasil taxar heranças e grandes fortunas para arrecadar receita, no momento em que o acéfalo presidente não sabe o que fazer. O Brasil é praticamente um paraíso fiscal para os ricos desse país, que usufruem de seus bens e suas riquezas sem pagar praticamente nenhum tributo sobre eles, ao contrário de países muito mais liberais que o Brasil ao redor do mundo.  E recentemente tem havido uma campanha para que o Brasil se ajuste às melhores práticas tributárias que vigoram nos países capitalistas, sendo o próprio Ciro um dos maiores defensores dessas taxações: - Imposto sobre heranças. EUA cobram 40%, o Brasil cobra 4%.  - Um trabalhador de aplicativo paga IPVA da moto, enquanto Luciano Huck e João Dória, que compraram jatinho subsidiado com dinheiro público, não pagam IPVA d

Reviravolta no STF sobre reeleição; qual deve ser a postura das esquerdas

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  O mundo da política amanheceu hoje com uma notícia até certo ponto surpreendente: depois de uma grande reviravolta na votação dos últimos dias, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional a reeleição nas presidências da Câmara e do Senado nessa nova legislatura, pleiteada respectivamente por Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre .  O julgamento se deu em cima da interpretação do artigo 57, no seu parágrafo 4° da Constituição Federal.  Artigo cujo texto, por sinal, de tão claro (como destacado acima), deixava poucas margens para dúvidas, situação que preocupou bastante a opinião pública, devido aos rumores de que, mesmo assim, o julgamento alteraria a interpretação do texto constitucional — favorecendo assim Maia e Alcolumbre — mas também pelo resultado final apertado de 6 a 5.  Se toda ação de constitucionalidade de dispositivo de texto explícito da CF tiver um placar de 6x5, então sugiro uma emenda constitucional para alterar o Art. 101, e substituir "notável saber jurí