Postagens

A obscura entrevista do general Santos Cruz e a possibilidade de golpe militar no Brasil em 2022

Imagem
D e que lado ficariam as Forças Armadas brasileiras caso a crise de sucessão que ocorreu nos Estados Unidos viesse a ocorrer no Brasil? A pergunta, feita pelo governador do Maranhão Flávio Dino, no seu twitter , é pertinente. Temos também um tresloucado no executivo nacional com teorias da conspiração de que as eleições no país são fraudadas. 2022 é logo ali, e o presidente já deu indícios de que a confusão que aconteceu lá  também acontecerá aqui, " caso a urna eletrônica não emita o voto impresso ".  O colunista Chico Alves do UOL publicou uma oportuna entrevista com o general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz a respeito dos acontecimentos em Washington no dia de ontem, e em vez de tranquilizar as preocupações do governador maranhense e de tantas outras pessoas, deixou ainda mais dúvidas sobre a posição das Forças Armadas por ocasião de uma crise semelhante em 2022.  Segundo o general, a invasão do Capitólio nos Estados Unidos era uma situação previsível, tendo em vi

A hipocrisia de Luciano Huck

Imagem
Apresentador lembrou só agora que também é a favor da taxação de grandes fortunas R ecentemente o presidenciável Ciro Gomes foi na internet dizer aquilo que ele já vem dizendo há bastante tempo: a necessidade do Brasil taxar heranças e grandes fortunas para arrecadar receita, no momento em que o acéfalo presidente não sabe o que fazer. O Brasil é praticamente um paraíso fiscal para os ricos desse país, que usufruem de seus bens e suas riquezas sem pagar praticamente nenhum tributo sobre eles, ao contrário de países muito mais liberais que o Brasil ao redor do mundo.  E recentemente tem havido uma campanha para que o Brasil se ajuste às melhores práticas tributárias que vigoram nos países capitalistas, sendo o próprio Ciro um dos maiores defensores dessas taxações: - Imposto sobre heranças. EUA cobram 40%, o Brasil cobra 4%.  - Um trabalhador de aplicativo paga IPVA da moto, enquanto Luciano Huck e João Dória, que compraram jatinho subsidiado com dinheiro público, não pagam IPVA d

Reviravolta no STF sobre reeleição; qual deve ser a postura das esquerdas

Imagem
  O mundo da política amanheceu hoje com uma notícia até certo ponto surpreendente: depois de uma grande reviravolta na votação dos últimos dias, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional a reeleição nas presidências da Câmara e do Senado nessa nova legislatura, pleiteada respectivamente por Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre .  O julgamento se deu em cima da interpretação do artigo 57, no seu parágrafo 4° da Constituição Federal.  Artigo cujo texto, por sinal, de tão claro (como destacado acima), deixava poucas margens para dúvidas, situação que preocupou bastante a opinião pública, devido aos rumores de que, mesmo assim, o julgamento alteraria a interpretação do texto constitucional — favorecendo assim Maia e Alcolumbre — mas também pelo resultado final apertado de 6 a 5.  Se toda ação de constitucionalidade de dispositivo de texto explícito da CF tiver um placar de 6x5, então sugiro uma emenda constitucional para alterar o Art. 101, e substituir "notável saber jurí

Os povos da América Latina mostram de novo: só os golpes da direita refreiam o seu destino

Imagem
  Ex-presidentes progressistas da América do Sul O s povos da América Latina reagem aos golpes que tentam frear mais uma vez a natural propensão da região a políticas de esquerda. A vitória de Lucho Arce na Bolívia é apenas o exemplo mais recente de que, respeitadas as regras eleitorais e jurídicas criadas pela própria democracia burguesa, o povo da América Latina, de modo geral, quer as políticas de esquerda no poder, e isso não é de hoje. E quando estas mesmas regras não são respeitadas, o povo vai às ruas exigir seus direitos violados, como no Chile.  Desde a segunda metade do século XX essa tendência, no entanto, quanto mais crescia, mais era refreada pela oposição conservadora capitalista dos diversos países da região, com o apoio, já mais do que documentado, dos Estados Unidos, que se utilizam de várias estratégias criminosas e dos aparelhos à sua disposição para impedir tal movimento à esquerda.  Se, no século XX, durante o advento da Guerra Fria, as frações locais cooptadas p

A depreciação do real e do Real

Imagem
  Preços da soja disparam para o consumidor Q uando um governo incita a controvérsia, a mentira e a dúvida, fazendo pouco caso da verdade, depreciando o real , nós já alertávamos que o dólar alto iria favorecer as exportações do agronegócio brasileiro, com a contrapartida negativa de prejudicar o mercado interno. Agora a coisa foi tão descarada, que ministério da economia dirigido pelo vendilhão  Paulo Guedes quer vender a ideia da depreciação do Real como algo positivo para todo o país, algo até planejado e não fruto da obsoleta ideologia neoliberal que reina neste governo.  Com a cotação do dólar a R$5,50 neste dia 13 de outubro e com um constante viés de alta que já dura vários meses, os latifundiários brasileiros resolveram mirar no sedutor mercado internacional, desabastecendo as prateleiras dos nossos supermercados, assim atingindo dois coelhos: primeiro, vender carne e cereais a dólar e euro no exterior, ganhando muito na conversão; e também apostando nas velhas leis de oferta

Resenha: O Brasil não cabe no quintal de ninguém

Imagem
Ilustração da capa do livro de Paulo Nogueira R ecentemente, em entrevista ao portal 247 , o economista Paulo Nogueira Batista Júnior foi perguntado sobre o título de seu mais novo livro: " O Brasil não cabe no quintal de ninguém ".  Por conta do momento, eu diria, mais subserviente, adulador e capacho de um governo brasileiro ao imperialismo estadunidense como jamais visto, o seu editor perguntou brincando, segundo o relato do autor, se aquele não seria um título mais cabível a um livro de ficção .  E pensar que, menos de 10 anos atrás, era tudo muito diferente... É esta a sensação que revivemos ao lermos o citado livro de Paulo Nogueira, que nos mostra o momento de um Brasil grande, respeitado, de cabeça erguida perante o mundo, credor do FMI e motor dos BRICS.   Paulo fora diretor executivo da cadeira brasileira do Fundo Monetário Internacional durante o segundo mandato do presidente Lula e o primeiro da Dilma, tendo participado de discussões de reformas importantes na

Surpresa: programas "assistencialistas" têm raízes na tradição liberal

Imagem
Q uando o movimento LGBTQIA+ começou a ganhar força e protagonismo, uma de suas bandeiras mais fortes foi a campanha para que as pessoas parassem de se referir ao seu modo de vida como " homossexualismo  " —pela carga negativa que o sufixo " ismo " carrega —, induzindo-nos a preferir o uso do termo " homossexualidade ". E eles estavam certos, afinal, sabemos como o uso maldoso da linguagem pode reforçar estigmas sociais.        Falando agora de política, algo de similar ocorreu durante muito tempo nessa área, pelo menos nos últimos 15 anos com relação a um específico programa social: toda a política de transferência de renda que foi patrocinada pelos governos Lula e Dilma eram tachados de " assistencialismo ", exatamente, como se houvesse ação inerentemente dolosa de um político em usar a máquina pública em favor dos mais necessitados (paternalismo) para produzir políticas públicas em favor dos pobres (populismo).  Estas práticas só tem todos