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12 de março de 2018

As relações promíscuas de Michel Temer no poder


Cármen Lúcia e Temer, ou o set de filmagem do novo filme de terror do Zé do Caixão?
Michel Temer sempre foi um político de relações de bastidores na política, com bom trânsito entre os poderes da República. Até por isso, de forma lamentável no meu modo de entender, o PT o escolheu como vice-presidente na chapa com o (P)MDB, esperando que o velho político pudesse fazer as costuras da mal-fadada governabilidade: as alegadas necessárias "negociações" para a aprovação, por parte dos deputados, das pautas governistas, sabe-se lá em troca de que favores.

Mas foi quando arrebatou o poder beneficiando-se diretamente do golpe contra Dilma que Temer perdeu totalmente os limites da decência republicana. De forma totalmente descarada, ofereceu belos convescotes aos nobres deputados, como se fazia na época do Antigo Regime entre a nobreza, para persuadi-los a aprovar as draconianas reformas que o capital financeiro e o patronato aguardavam ansiosos. Enquanto isso, lá fora dos salões reais, ou melhor, presidenciais, a plebe aturdida com tamanha ousadia em protesto era vítima da polícia palaciana.

Mais tarde, apareceu a faceta mais soturna do ilegítimo, seu gosto por encontros noturnos com personalidades do poder fora da agenda oficial. Foi assim com o todo poderoso dono da JBS, Joesley Batista, já um tremendo corruptor de políticos que gravou o famoso "tem que manter isso hein" com relação ao calaboca do Eduardo Cunha que Temer aprovava.

Mas outras figuras importantes transitaram na calada da noite do castelo de Drácula, mais conhecido como Palácio do Jaburu.

O presidente não prevaricou , o presidente encontrou Joesley como encontrou inúmeras pessoas fora de agenda, noturnamente. Encontros noturnos com vários políticos, vários homens públicos, vários representantes de várias instituições do Estado. Então, não houve por parte do presidente, nesse encontro (com Joesley), nada anômalo, nada estranho, nada que não pudesse entrar numa visão das pessoas de bom senso, algo absolutamente normal.

Esse depoimento, por incrível que possa parecer, foi dado pelo próprio advogado de Temer em sua defesa! O criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira acabou revelando, com isso, as práticas escusas do presidente ilegítimo e suas tramoias à boca pequena, detalhes que a opinião pública jamais poderá saber, pois nem todos andam munidos com gravadores no bolso como o dono da JBS.

Outro dos encontros sorrateiros de Temer se deu com a então futura Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, cuja função seria dar prosseguimento às investigações de Rodrigo Janot (ele próprio, já recebido fora da agenda oficial pelo presidente) contra o mandatário do executivo nacional. A desculpa foi que era preciso marcar a data da posse da nova PGR. Mas por que fora da agenda, sendo isso um ato público de um cargo público?

Mas nada intriga mais do que o recente encontro de Temer com a presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia, algo tão burlesco quanto seria o encontro de Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro, com o Drácula de Bram Stoker. A mesma que há meses se recusa a receber o advogado do presidente Lula, segundo ela, por razões éticas. Mas ela não vê nenhuma falta de ética ao se encontrar informalmente com aquele que foi denunciado e será julgado em breve pelo Supremo.

A pergunta que fica, mas que pode ser facilmente deduzida, é o que tanto Michel Temer tem pra conversar em particular com pessoas poderosas da política, da justiça e do setor econômico?

Uma coisa, no entanto, é certa: ao aceitarem se encontrar fora de uma agenda oficial com o presidente da República, ou seja, sem divulgação das razões de tais encontros, sem nenhuma satisfação àqueles a quem deveriam prestar contas, estes elementos das instituições republicanas, seja do legislativo, com funções de julgar e fiscalizar o mandatário da nação, seja do judiciário, com a obrigação magna de serem apolíticos, avacalham ainda mais os poderes da República brasileira. Jamais o histórico patrimonialismo nacional esteve tão às escâncaras como agora, em que as relações dos poderes públicos são descaradamente instrumentalizadas a serviço de uma determinada classe.

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