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27 de fevereiro de 2018

Fim da alternância de poder na China causa críticas descabidas no Ocidente imperialista


Presidente chinês Xi Jinping, acusado de se inspirar em Mao e ser um "Putin mais perigoso"
A mídia internacional vem fazendo um auê totalmente descabido a respeito da proposta do Partido Comunista da China de abolir o limite de 2 reeleições para presidente e vice-presidente daquele país. Militantes liberais chineses radicados nos EUA e a imprensa burguesa acusam o presidente Xi Jinping de dar "passos em direção à tirania".

Tal gritaria descabida não recebeu o reforço das vozes de muitos governantes do Ocidente, acusados de leniência ou desinformação por estes ativistas. O caso dos Estados Unidos é compreensível, pois historicamente os líderes da Casa Branca afinam diante de potências equivalentes, sendo, por outro lado, muito duros com países como Nicarágua ou Cuba. Os europeus, segundo os ativistas chineses pró-Ocidente, simplesmente não perceberam ainda os riscos para a "democracia".

Para ser sincero, um dos grandes méritos do governo chinês, ao longo do tempo, foi justamente ter emplacado o embuste da alternância de poder. Farsa porque é um dos atos praticados e valores mais caros da democracia liberal burguesa, que tem a utilidade de enganar as pessoas com relação a um suposto arejamento de ideias que a mudança de meros indivívuos poderia gerar.

Mas na prática, pouco importa os fulanos que por ventura estejam no poder, tanto na China comunista quanto nas democracias ocidentais. Na China já não existe o que os democratas chamam de "eleições livres", outra farsa ocidental que induz o eleitor a acreditar que é ele quem escolhe seus governantes e não o poder econômico local, sendo o secretário-geral chinês (presidente) escolhido entre os membros da elite política (Politburo). Então pouco importa quem de fato esteja no poder; ele terá que tocar a vida do país de acordo com as diretrizes político-econômicas pré-determinadas pela classe dominante de cada situação.



Qualquer desvio dessa ideologia dominante na política é atacada. Tanto lá como aqui. Os aparelhos burgueses da política no Ocidente funcionam de modo que a participação de partidos de esquerda, opositores do sistema, não seja proibida — a não ser em casos em que a possibilidade de vitória seja real ou se consolide numa eleição e aí entram em cena os aparelhos de correção de desvios da burguesia, como as campanhas difamatórias midiáticas e, em último caso, golpes de Estado — mas limitada, em nome das aparências democráticas. Mas tanto na China comunista como no Ocidente liberal, em cada lugar prevalece apenas uma ideologia, que a alternância de poder pouco influencia. É apenas em nome de uma ilusão mentirosa que as pessoas são levadas a acreditar que, votando no PSDB ou no PT, no Partido Democrata ou no Republicano, no caso dos Estados Unidos, estão mudando alguma coisa de verdade. Pode mudar uma prática ou outra menos relevante, mas a essência do modelo liberal-capitalista por trás das aparências, a que favorece acima de tudo o Mercado, continua intacta. 

A China até agora estava sendo poupada das acusações de "tirania" e "ditadura", porque, não obstante ser governada há quase 60 anos pelo mesmo partido, trocava de presidente a cada cinco anos, imitando a metodologia ocidental de dar aparências de democracia a um regime ideologicamente imutável. A União Soviética e outros países comunistas não souberam usar dessa artimanha, e foram tachadas de ditaduras. A China certamente passará a entrar no rol desses países condenados como tirânicos, mas nenhum desses países nunca foi imperialista como a "democracia" estadunidense e sua tirania sem "tiranos" no poder. Provavelmente nenhum presidente chinês ficará tanto tempo no poder quanto Margareth Thatcher nos anos 80, ou Angela Merkel, chanceler alemã no poder há 18 anos, desde 2005. Então, onde está a diferença?

A gritaria dos dissidentes chineses ganha coro na imprensa burguesa de forma interesseira. Mais um capítulo na campanha de difamação burguesa na defesa do seu sistema único capitalista em favor do mercado.

Um comentário:

  1. Uma coisa que ninguém fala, se o povo quer o presidente um monte de mantados seguidos, isso não é democrático? Tá certo que lá na China não existe eleição, mas isso se pode saber com uma simples pesquisa de opinião.

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