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Mostrando postagens de 2018

De tanto provocar, Bolsonaro sabia que seria atacado um dia

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Intolerância e violência. Quem as semeia, não pode colher outra coisa. De tanto pregar o ódio, de tanto aparecer com fuzil, de tanto incentivar gestos de tiros com as mãos, inclusive em crianças, de tanto defender que a população resolva suas divergências com armas de fogo, Jair Bolsonaro caiu vítima de seu próprio veneno. Não um ataque à bala, por sorte, mas com uma faca.

Era quase como uma bomba-relógio ambulante. Bolsonaro provocou a todos: os de esquerda, os de direita, provocou as mulheres, provocou os negros, os gays, quase todas as minorias e os vulneráveis. Só poupou a entidade sacrossanta do mercado, a mesma cujo templo representado pela bolsa de valores deu picos de alegria lá no alto com o seu risco de morte.


Já havia confessado estar com receios de um ataque — não era para menos —, o que, de fato, aconteceu. Ontem, tal como uma vítima de bullying que aguenta provocações e insultos durante anos mas que um dia perde o controle e desconta sua raiva no seu agressor, Adelio Bis…

Por que é falsa a ideia de que o Brasil anda dividido entre esquerda e direita

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Recentemente no Brasil, temos ouvido de forma corriqueira que a população do nosso país anda dividida entre esquerda e direita, ou como coloca o candidato a presidente Ciro Gomes, entre coxinhas e mortadelas.

Isso dá a ideia de um certo equilíbrio entre as duas forças, algo como um choque de duas correntes de proporções iguais que se anulam, colocando o país no impasse e na imobilidade. Mas isso não é verdade, e os 38 por cento de intenções de voto de um ex-presidente preso, junto com outros exemplos históricos, nos ajudam a entender essa questão.

Primeiro, vamos tentar, a grosso modo, identificar as parcelas da sociedade brasileira que podem ser identificadas com a esquerda e com a direita.
Definindo quem vota em quem Considero eleitores de esquerda, afora a miltância político-partidária, os trabalhadores sindicalizados; o funcionalismo público do baixo-escalão; beneficiários do bolsa-família; profissionais liberais; e grande parte do que o professor Jessé Souza chamou de "ralé

É o fim do Lulinha Paz e Amor?

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Fernando Haddad é o coordenador da campanha de governo da candidatura Lula em 2018. Em entrevista ao site do jornal Valor, falou um pouco sobre as propostas para o país e os caminhos jurídicos que o PT deve tomar para garantir que o ex-presidente possa sair candidato.
Controle das mídias Algumas dessas medidas, reveladas pelo ex- ministro da Educação, seriam facilmente identificadas como propostas de esquerda, embora Haddad, com todo o cuidado, tenha preferido classificá-las como "radicalmente liberais". Uma pequena concessão certamente calculada no intuito de não alarmar ainda mais as reacionárias classes-médias para um programa que elas classificariam facilmente, no seu entendimento torpe de política, como "bolivarianas".

Haddad prometeu focar em 4 pautas principais: econômica, social, política e ecológica. Dentro da discussão econômica e social está a prioridade de Lula, se eleito, atacar o oligopólio dos grandes meios de comunicação, principalmente a Globo.

De…

A diferença de ensino e educação no Brasil

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Poucas pessoas atentam para a diferença crucial que existe entre ensino e educação. Essa confusão interfere diretamente, no espectro geral, na qualidade da formação de cidadãos e na capacidade das pessoas saberem conviver num ambiente adequado de civilidade e cidadania.

Ensino é o que o Estado brasileiro e também algumas instituições particulares oferecem de maneira formal, através de saberes selecionados e organizados num currículo escolar que determina o mínimo que uma pessoa deve dominar em termos de conhecimento para poder fazer parte de uma sociedade.



Já a educação é todo o conhecimento circulante disponível que as pessoas podem e devem absorver para complementar a sua formação continuada. E quais são as fontes dessa educação? Vamos ver as mais importantes.

A primeira, e talvez a principal, é a família. Os pais — e também avós, tios, etc. — desde o nascimento dos seus filhos são encarregados de educá-los (muitas pessoas pensam que esse é o papel da escola), mostrar a eles o funcio…

Christopher Hitchens e o infame trotskismo

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Christopher Hitchens (1949-2011) era um escritor de colunas sobre variedades na esnobe revista Vanity Fair, quando começou a angariar fama na internet por conta de seus debates sobre religião em palestras e conferências gravadas em vídeo.

Concentrado na defesa do ateísmo, com um vasto cabedal cultural e uma inteligência mordaz, geralmente conseguia colocar todos os adversários na lona, e assim foi ganhando sua fama.

Eu, no entanto, só passei a conhecê-lo quando me deparei com seu maior best-seller numa feira de livros, em 2010: "Deus não é grande", uma obra que mistura religião, cultura e política de uma forma cativante, com uma especial crítica ao fundamentalismo islâmico.



Foi nesta ocasião que eu passei a acompanhar seu trabalho, muito mais pelo viés do ateísmo que compartilhamos do que pelas suas visões políticas, que já eram um tanto contraditórias há quase 10 anos.

Já então, Hitchens deixava claro que era um ex-militante de esquerda na juventude, mas que naquele momen…

"Lula do México" vence a eleição

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Em muitos aspectos, o México é um país parecido com o Brasil. Um país extremamente católico, com um povo supersticioso, com governantes que nos últimos 30 anos prometeram colocar o país no caminho do desenvolvimento se ele seguisse a cartilha do mercado, e que, obviamente, foi enganado, e que afunda em calamidades sociais provocadas pela extrema violência social e corrupção generalizada.
Povo mexicano elege candidato de esquerda pela primeira vez Neste cenário, não admira que o povo, cansado das promessas neoliberais que nunca se realizam, tenha escolhido por ampla maioria um candidato com ares de Salvador da Pátria, um herói que promete tirar o México do buraco que a especulação e o mercado financeiro o enfiaram. Andrés Manoel Lopes Obrador, do partido Morena, de esquerda, venceu a eleição com a maior votação da história mexicana.
Lopes Obrador, o "Lula mexicano" Alguns analistas brasileiros o tem chamado de "Lula mexicano". Talvez porque o Lula de 2002 tenha sido…

O dilema de Ciro Gomes

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Ciro Gomes vem tirando bom proveito da complexa conjuntura política que se apresenta ao eleitor neste ano. Talvez desde a campanha eleitoral de 1989 não vemos uma disputa tão pulverizada quanto esta que se apresenta a nós em outubro.

Ciro, de forma certamente calculada, vem se colocando clara e oportunamente como candidato de centro-esquerda. Parece ter encontrado ali um nicho com grande potencial de crescimento, cada vez que a direita atualmente no poder lança mão de seu impopular pacote de maldades em favor do mercado e que a candidatura de Lula vai ficando cada vez menos viável.

Não por acaso sua campanha vai ganhando corpo, como já admitem alguns grandes veículos de comunicação, atraindo partidos como o cobiçado PSB, prestes a selar aliança com o PDT de Ciro, bem como partidos de centro, capazes de lhe dar força política no Congresso e preciosos minutos a mais no tempo de TV da campanha eleitoral. No entanto, um dilema se apresenta ao candidato pedetista.

Partidos de direita que a…

Torcer ou não torcer para a seleção brasileira

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Para um brasileiro médio, pouco envolvido com as questões complexas que essa pergunta suscita, a resposta é óbvia: é claro que todo brasileiro deve torcer para a seleção do seu país. Porém, a coisa fica mais complicada quando você levanta algumas questões.

Eu, particularmente, deixei de torcer para a seleção verde e amarela depois da Copa de 94. Já naquela época, havia a polêmica do escrete canarinho ter cada vez menos jogadores atuando nos times nacionais. Esse fator provocava e provoca o distanciamento do torcedor com seus ídolos, que desfilam seus talentos para a alegria de outros povos no exterior.

Além disso, passamos a contar com mudanças no futebol proporcionadas por alterações na chamada lei do passe, por conta da Lei Pelé, que, ao fim e ao cabo, significou a instauração dos ideais neoliberais no futebol brasileiro, não obstante ter sido festejada na época por jogadores e especialistas como o "fim da escravidão" no futebol. Infelizmente, o que aconteceu de fato foi a…

Brasil e Argentina experimentam mais uma vez as agonias do neoliberalismo

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Brasil e Argentina vêm demonstrando muito claramente nos últimos meses aonde a crença cega no capitalismo de mercado desregulado pode levar. Aqui, depois de dois anos de governo pró-capital, tenta-se destruir quaisquer barreiras à rapina internacional de nossas riquezas. Isso sem falar na tentativa de acabar com a proteção das leis que dão conta dos direitos do trabalhador, entre outras medidas lesivas.

Na Argentina, a população experimenta a sensação de déjà vu, de regresso àquela época de neoliberalismo extremo com Menem e Cavallo, de meados dos anos 90.

A hipocrisia do atual governo Macri de bradar recuperar a economia do "kirchnerismo", acusado de corrupto e populista, entregando a Argentina nas mãos do mercado, deu justamente na crise cambial que vive agora o país mais uma vez, tendo que se ajoelhar humilhado perante o FMI em pedido de socorro financeiro.

Pedido esse que, como sabemos, só será atendido se o governo cumprir não um alívio e sim um aprofundamento nos pacot…

Por que abandonamos as redes sociais

Como aqueles poucos, porém, fiéis leitores puderam perceber, não estamos mais nas redes sociais. Esta decisão foi tomada depois de um tempo de reflexão, tendo em vista o conhecimento de algumas medidas tomadas pela maioria delas, com as quais não concordamos.

A principal, é claro, é a falta de transparência com relação aos algoritmos que determinam o que as pessoas podem ou não receber no seu perfil. Jamais concordamos com a matemática que diz que uma página no Facebook, como por exemplo a nossa, com modestos 2 mil curtidores (não importa a quantidade aqui e sim o exemplo) não tenha uma postagem visualizada por mais de 20 por cento dessas pessoas. Obviamente, isso é uma forma de induzir criadores a pagar para ter seu conteúdo divulgado devidamente. Eles têm esse direito, e nós temos o direito de discordar. Por isso saímos.

Além disso, há o fator sentimental. Sou blogueiro desde 2010, uma época em que a chamada blogosfera experimentava o seu auge, com muita audiência e interação, muito…

Lula não define seu herdeiro eleitoral e dificulda a vida das esquerdas em outubro

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A crise política que toma conta do país polarizou o debate e tirou do armário uma facção protofascista disposta a sabotar todas as regras para apagar do mapa tanto o PT quanto suas conquistas sociais no poder. Isso exigiu a reorganização das esquerdas para o enfrentamento da onda reacionária que coloca o Brasil numa estrada sem rumo, com o horizonte repleto de possibilidades nada otimistas.

O primeiro grande movimento de união das esquerdas foi dado recentemente no Rio, com manifestações em apoio a Lula, em defesa de sua candidatura, da democracia e da Constituição. Estavam presentes representantes de diversos partidos, desde o PCO até o PCB, demonstrando a intenção de um alinhamento de forças contra as iminentes ameaças às instituições democráticas.

Com a negação pelo Supremo Tribunal Federal do Habeas Corpus, o juiz Sérgio Moro não perdeu tempo, nem esperou esgotarem-se os recursos e decretou a imediata prisão de Lula.

Antes de se entregar, porém, numa estratégia que muitos consider…

A Ditadura Militar na raiz do desprezo pelos Direitos Humanos

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Não vou perder o nosso tempo aqui explicando para as pessoas como elas estão absolutamente enganadas, quando criticam aqueles que se dispõem a defender os pontos determinados pelas Organizações da Nações Unidas sobre os direitos humanos. Muita gente já fez isso com muita competência, sem no entanto conseguir diminuir significativamente a onda de raiva e preconceitos, totalmente injustificados contra "os direitos humanos" tratados como um sujeito de tanto que as pessoas mal sabem do que se trata.

No entanto, quero discutir por que o brasileiro médio é dado a ser crédulo em todo tipo de falácia mal feita, que cola como uma verdade absoluta no seu cérebro a ponto de pessoas perderem totalmente a sensibilidade humana. Pra isso quero discutir alguns tópicos de forma resumida.

Nem é preciso ir assim tão longe no tempo. Na época da ditadura militar. Oficialmente ela não existe mais. Entretanto, é possível farejar a sua essência no ar, aquilo que permanece de um momento de sectarism…

As relações promíscuas de Michel Temer no poder

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Michel Temer sempre foi um político de relações de bastidores na política, com bom trânsito entre os poderes da República. Até por isso, de forma lamentável no meu modo de entender, o PT o escolheu como vice-presidente na chapa com o (P)MDB, esperando que o velho político pudesse fazer as costuras da mal-fadada governabilidade: as alegadas necessárias "negociações" para a aprovação, por parte dos deputados, das pautas governistas, sabe-se lá em troca de que favores.

Mas foi quando arrebatou o poder beneficiando-se diretamente do golpe contra Dilma que Temer perdeu totalmente os limites da decência republicana. De forma totalmente descarada, ofereceu belos convescotes aos nobres deputados, como se fazia na época do Antigo Regime entre a nobreza, para persuadi-los a aprovar as draconianas reformas que o capital financeiro e o patronato aguardavam ansiosos. Enquanto isso, lá fora dos salões reais, ou melhor, presidenciais, a plebe aturdida com tamanha ousadia em protesto era ví…

Donald Trump protecionista e Banco Mundial liberal

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A maioria dos estadunidenses elegeu Donald Trump, entre outras coisas, pelo seu discurso protecionista. Parece que os norte-americanos não estavam muito satisfeitos e nem convictos da ideologia liberal, que prega que as barreiras tarifárias que dificultam a livre circulação de mercadorias sejam derrubadas (e que deveria incluir também a queda de patentes e livre circulação de mão-de-obra, mas essa parte eles não gostam de falar). Dito e feito. Na terra do capitalismo desenfreado, Trump instituiu barreiras contra o aço e alumínio importados, dificultando o comércio dessas commodities com os países produtores.

Mas a questão não é tanto essa, e sim o fato curioso de que, dias depois, o Banco Mundial, instituição sob influência direta estadunidense, ter sugerido ao Brasil a abertura de mercado para "aumentar a produtividade" e tirar "6 milhões de pessoas da pobreza". Como se o mercado livre mundial não fosse uma fábrica de pobreza e desigualdade em escala industrial, c…

Fim da alternância de poder na China causa críticas descabidas no Ocidente imperialista

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A mídia internacional vem fazendo um auê totalmente descabido a respeito da proposta do Partido Comunista da China de abolir o limite de 2 reeleições para presidente e vice-presidente daquele país. Militantes liberais chineses radicados nos EUA e a imprensa burguesa acusam o presidente Xi Jinping de dar "passos em direção à tirania".

Tal gritaria descabida não recebeu o reforço das vozes de muitos governantes do Ocidente, acusados de leniência ou desinformação por estes ativistas. O caso dos Estados Unidos é compreensível, pois historicamente os líderes da Casa Branca afinam diante de potências equivalentes, sendo, por outro lado, muito duros com países como Nicarágua ou Cuba. Os europeus, segundo os ativistas chineses pró-Ocidente, simplesmente não perceberam ainda os riscos para a "democracia".

Para ser sincero, um dos grandes méritos do governo chinês, ao longo do tempo, foi justamente ter emplacado o embuste da alternância de poder. Farsa porque é um dos atos p…

Religião também é alvo de crítica nas campeãs do Carnaval carioca

O momento político conturbado por que passa o Brasil ajudou a resgatar a verve crítica de uma manifestação popular naturalmente "subversiva", o Carnaval. Pelo menos nos desfiles das escolas de samba do Rio, os protestos contra a atual situação política dominaram os assuntos.

Muito contribuiu para isso a escolha de algumas escolas de samba do Grupo Especial, que levaram para a Sapucaí temas com crítica social. Os meios de comunicação e os foliões perceberam as nítidas referências à corrupção política, portanto nem vamos falar aqui tanto delas, mas do que passou despercebido, intencionalmente ou não: as alusões negativas à religião nos sambas-enredo da campeã e da vice do Carnaval: Beija-Flor e Paraíso do Tuiuti.

Não só a política está na raiz de nossa atual situação de desigualdade social, descaso com os mais pobres e violência. É difícil para muita gente reconhecer que a religião cristã contraditoriamente serviu aos ricos e dominantes, mesmo não sendo nenhuma surpresa para q…

O dilema de quem quer votar na esquerda nas eleições presidenciais

Sempre admirei a postura dos membros das escolas de samba do Rio de Janeiro. Independentemente de ganharem o Carnaval ou não, ficam felizes quando as suas agremiações fazem um bom papel na avenida e mandam o seu recado. Mas eu confesso que, em se tratando de política em ano eleitoral, a minha conduta é mais para o torcedor de futebol: quero que o meu time vença o campeonato, ou seja, que algum candidato de esquerda vença a eleição desse ano.

Guilherme Boulos quase certamente será o candidato do PSOL, enquanto que, pelo PDT vem Ciro Gomes. Não vejo nenhum outro candidato de esquerda que possa ser cogitado, mesmo que a Lula seja permitido se candidatar. O próprio PCdoB admitiu que a candidatura de Manuela D'Ávila tem por natureza ajudar a eleger deputados por causa da nova lei da cláusula de barreiras e, portanto, não pode ser considerada.

Tendo em vista essa situação, apresenta-se um dilema para quem pretende um dia ver um candidato verdadeiramente de esquerda no poder. Desde já, c…