Será o fim do capitalismo? Jovens americanos querem o socialismo no seu lugar



O capitalismo mundial está capengando para a morte. Desde a crise de 2008, muitos países ainda sofrem as consequências de um sistema onde o mercado e seus agentes transformam o universo financeiro em um cassino de orgias, onde um dinheiro volátil e sem lastro enriquece um pouco mais, da noite para o dia, diversos "players". No entanto, quando a banca quebra...

Lucros privados, prejuízos socializados

Somos nós, os que não somos convidados a jogar, a participar da festa e tirar proveiro dos lucros, que pagamos a conta, através dos nossos impostos ou às custas do nosso emprego. Muita gente no mundo já está de saco cheio desse destino. E começam a aparecer alternativas. Há quem vaticine a queda do capitalismo, não por conta de alguma revolução popular ou reformas de governo, mas por conta do seu próprio peso. Será como um hipertenso com obesidade mórbida morrer de overdose de hambúrguer do MacDonalds, uma imagem que vem a calhar ao capitalismo nos Estados Unidos.

Um desses profetas do fim do capitalismo é o autor inglês Paul Mason. Em seu livro recém-lançado Pós-Capitalismo, um guia para o nosso futuro¹, ele justamente não apenas indica que a crise de 2008 foi diferente de todas as outras, impossibilitando uma verdadeira recuperação do sistema como no passado, como já propõe ideias que possam substituir o velho capitalismo.

A informática vai matar o capitalismo

A tese central de Paul Mason é de que o avanço da tecnologia, em vez de servir ao capitalismo, vai destrui-lo, pois uma sociedade da informação traz em si todos os elementos para a superação de uma comunidade baseada no mercado. Com a livre informação, caem as bases do capitalismo, quais sejam: monopólios, bancos e governos tentando manter as coisas privadas, escassas e comerciais.


Mas... como todo indivíduo bem intencionado de esquerda que procura superar as mazelas do capitalismo corroborando as falhas teorias pós-modernas, Paul Mason peca em descartar os pressupostos do socialismo como alternativas a este modelo destrutivo financeiro. O próprio autor balança entre os elogios e às críticas ao socialismo, no entanto, sem deixar de mais uma vez alimentar as mentiras do Ocidente contra a época de Stalin, sem contextualizá-la, cometendo graves erros de anacronismo.

Segundo ele, ignorando as lutas de classe, a instrumentalização dos aparelhos de Estado ao dispor das elites, a necessária conscientização das classes trabalhadoras, ou seja, todo o aparato conceitual do marxismo, a transição do capitalismo para um outro modo "de alocar bens racionalmente até que se alcance o equilíbrio" é um desafio meramente técnico, não uma revolução. Ou seja, devemos supor que as grandes elites financeiras, os acionistas das grandes corporações mundiais e os banqueiros de Wall Street simplesmente vão se reunir em Davos e anunciar para o mundo que abrirão mão de todos os seus privilégios acumulados com suor e sangue dos trabalhadores, para defender um sistema mais justo e igualitário para todos... Tudo pacificamente, de cima pra baixo, num surto de piedade jamais visto entre as elites na história.

Tão em voga nesses dias pós-modernos, é falar em redes. Manuel Castells já havia falado sobre o poder em redes em seu livro O Poder da Comunicação, o qual traremos mais detalhadamente numa próxima resenha. Paul Mason propõe "soluções por meios de experimentos de pequena escala, modelos testados que possam ser ampliados em ações do Estado". Pensando de forma foucaultiana, com relação aos micropoderes, pensa em pequenas comunidades semi independentes ligadas em redes até uma instituição "central". É o fim de um poder "absoluto" do Estado malvadão e pesado.

Jovens estadunidenses surpreendem em pesquisa recente

Apesar de não levar em conta a opção do "velho" socialismo para a superação do capitalismo, não obstante ser Marx quem melhor sistematizou uma alternativa ainda no século XIX, uma recente pesquisa surpreendente coloca em xeque o suposto desprestígio do socialismo.

Segundo enquete da insuspeitíssima organização não-governamental Fundação da Memória das Vítimas do Comunismo, fundada pelo ex-secretário de Estado dos EUA Zbigniew Brzezinski, 44% dos jovens norte-americanos se manifestaram a favor do socialismo, enquanto o capitalismo foi apoiado por 42%...

É fato que aqui temos que fazer uma ressalva: 66 por cento não souberam dar uma definição precisa do socialismo, o que não nos causa nenhuma surpresa. Nos Estados Unidos, bastiões do neoliberalismo mundial, o socialismo é alvo de um anátema grosseiro, quase equiparado ao satanismo. Nas escolas, provavelmente o socialismo é tratado numa teia de desinformação, associado a mortes, escravidão, totalitarismos...

Nesse cenário de mentiras e propaganda difamatória plena, sem contrapontos, surpreende a ascensão de uma vaga ideia de justiça socialista no coração dos jovens; de que estão mentindo pra eles; que o verdadeiro mal do planeta é o sistema que eles vivem, o capitalista, como respondeu metade daqueles jovens pesquisados.

Quem poderia dizer que no coração no capitalismo mundial, com toda a propaganda ideológica massiva, começasse a surgir uma geração de jovens que apoiam o socialismo. Que ninguém tenha dúvidas que aqueles números seriam ainda maiores, se lhes fossem dados uma definição mais justa sobre o que é o socialismo.

Dessa forma, ao contrário do que pensa Paul Mason com suas redes pós-modernas de relações descentralizadas e utópicas, o socialismo é, sempre foi e continuará sendo a única verdadeira alternativa para superar o capitalismo e suas mazelas.
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1 MASON, Paul. Pós-Capitalismo - um guia para nosso futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2017

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