Compra de votos do Impeachment. A esquerda estava certa mas ninguém prestou atenção



É chato ter sempre razão, mas sempre em retrospectiva. Essa é a sina das esquerdas. Especialmente na questão do golpe contra Dilma. Que, aliás, depois da delação de Lúcio Funaro, ninguém pode contestar mais. Foi golpe sim. Como falávamos desde sempre, confrontando os teimosos, os desinformados e os "politizados" de última hora do nosso dia a dia que insistiam em ver ali um puro ato de correção política. Ingenuidade grave.

E o pior é que os indícios já estavam todos lá, desde sempre. Não precisava o operador financeiro assumir em depoimento juramentado na Lava Jato que repassou 1 milhão de Reais para que o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ídolo dos jovens ultrarreacionários de direita do Movimento Brasil Livre, comprasse os votos dos deputados em nome do Impeachment golpista.



Pedidos de Impeachment o presidente da Câmara tinha na gaveta como quem tem uma mão recheada de coringas no carteado, prontos para serem sacados no momento oportuno. E ele veio. Quando o PT anunciou que seus deputados votariam a favor da cassação de Cunha no Conselho de Ética.

Foi então que Cunha trouxe à baila aquela peça de ficção produzida por dois juristas de idade avançada e uma tresloucada que conseguiu a proeza de, pela primeira vez na história acadêmica desse país tirar a nota mínima num concurso para professora universitária. Janaína Paschoal, a própria, ainda receberia 45 mil Reais pela produção da fragilíssima e descabida tese das "pedaladas".

Mesmo tendo sido praticadas, as pedaladas, por mais de 20 governadores em seus Estados, incluindo o tucano Geraldo Alckmin em São Paulo e não ser passível de crime de responsabilidade, ou em outras palavras, não poder ser motivo de Impeachment de presidente da República, eis que os deputados foram lá, diante dos microfones e diante da nação, bradar a plenos pulmões o sim ao Impeachment, devido aos mais descabidos motivos. Todos sem relação com o "crime". Pela baixa popularidade da presidenta, pelo "caso de Pasadena" (!??!), pela "família", pelo simples motivo de varrer o PT do poder, e principalmente contra a corrupção, a maioria dos deputados, hoje sabe-se, com os bolsos cheios de dinheiro sujo e voto comprado, tiraram uma presidente da República do seu legítimo mandato.

Não há de surpreender ninguém. A elite, neste país, sempre foi suja e hipócrita. Pra não ir muito longe, basta lembrar Auro de Moura Andrade, filho de ricos fazendeiros de São Paulo, quando sentado na presidência do Congresso, declarou vaga a presidência da República, num ato inconstitucional, pois o presidente Jango estava em território nacional e jamais havia renunciado.

E agora, depois desta delação grave, em se comprovando os fatos, como fica a cara dos milhões de brasileiros, especialmente aquela massa ignara de imbecis da classe média que protestaram "contra a corrupção" com suas camisas da CBF (piada pronta), e que agora assistem a farsa dantesca que apoiaram e pela qual bateram panelas? Como ficam aqueles brasileiros do povão que caíram também no conto do vigário, acreditando piamente que todo o circo que a Globo divulgou era pelo seu bem?

Será que esse povo aprende de uma vez?

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