PT e PSDB abrem diálogo inédito. Com que intenções?

Fernando Henrique e Lula juntos

No próximo dia 18 de abril, por iniciativa de Márcio Pochmann, haverá um encontro entre representantes de dois dos principais partidos políticos do país. Pochmann é representante da Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores, e o encontro também contará com membros da Fundação Fernando Henrique Cardoso (FFHC) e Instituto Teotônio Vilela, ligados ao PSDB.

A princípio, o encontro tem por finalidade discutir os resultados de uma pesquisa qualitativa feita pela fundação entre ex-eleitores da sigla na periferia de São Paulo. Mas é muito provável que essa discussão seja pretexto para que o encontro resvale para assuntos da política nacional.

Como podemos entender essa aproximação de partidos “antagônicos”?

De um ponto de vista republicano, eu acredito que esse diálogo faça parte de uma iniciativa madura de duas entidades que representam as duas principais correntes políticas do país. Nos dias de hoje, não só de crise econômica, mas muito mais de risco de colapso das instituições políticas por pura falta de legitimidade governamental, a discussão dessas duas correntes sobre questões como "modernizar o Brasil" e "reforma política", como diz a matéria do Estadão, pode ser muito saudável para o momento conturbado do país. Um pouco de serenidade e moderação neste momento seriam imprescindíveis para dar um rumo a este país que parece perdido.

Por outro lado, me preocupa se, mais do que boas intenções republicanas e democráticas, esteja por trás disso uma forma de aliança politiqueira para manter a velha e viciada polarização entre PT e PSDB. Ambos os partidos estiveram no poder por mais de vinte anos consecutivos e deixaram os seus governos em baixa. É preciso pensar uma alternativa a essa incoerente polarização (que não seja um governo golpista e ilegítimo como o do PMDB atual), que, antes de mais nada, prejudica a própria democracia.  Se o encontro foi realmente com a intenção de manter esse tipo de predomínio entre os dois partidos na política nacional, sabe-se lá com que tipo de negociação (alívio nas delações contra Aécio em troca do fim das perseguições da Lava Jato contra Lula, por exemplo) eu lamento muito que venhamos a desperdiçar a chance de propor um projeto nacional em nome das mesquinharias de sempre.

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