Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

13 de novembro de 2016

O que Hitler, Trump e Bolsonaro têm e não têm em comum

Sem título

Desde a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas que o mundo o vem comparando com outro radical histórico da direita: Adolf Hitler. No Brasil, o cotejo ganha mais um membro: Jair Bolsonaro, o parlamentar com opiniões grosseiras contra homossexuais e mulheres. Esse tipo de relação procede?

Sim e não. Individualmente, cada um deles tem um histórico bem diferente, atuações diferentes e alcances diferentes. Mas cativam um público em comum.

O líder carismático que colocou o mundo à beira da loucura

Adolf Hitler era um militar ordinário que viveu numa época em que seu país fora destroçado por dois eventos concomitantes num período de poucos anos: o pós-Primeira Guerra Mundial em que saíram derrotados e a Crise de 29. O orgulho nacional alemão estava ferido e seu discurso radical contra as minorias encontrava ressonância numa camada social ampla que padecia com o desemprego e a inflação gritante, e que precisava se reerguer da crise a qualquer custo. Com uma oratória brilhante, um ideal baseado num mito de pureza de sangue alemão e outras fantasias esotéricas, Hitler chegou ao governo pelas vias legais numa ascensão meteórica. Já no poder, representou a última vez que um governo tentou impor o Imperialismo através da conquista militar de territórios.

A “América” em primeiro lugar

Donald Trump, o bem sucedido megaempresário estadunidense, angariou fama em programas de televisão. Embora a oratória não seja seu forte, a mensagem que transmitiu na campanha eleitoral deste ano foi bastante clara para que seus eleitores o elegessem presidente: ataques de xenofobia contra latinos e muçulmanos, crítica à globalização que tira empregos dos estadunidenses e que fecha fábricas no país pela concorrência com outras potências industriais, a promessa de manter a cultura das armas de fogo em vigor, e etc.. Tais promessas foram primeiramente direcionadas aos chamados WASP: White Anglo-Saxon Protestant (Anglo-saxões brancos e protestantes), a camada mais conservadora, machista, xenófoba e homofóbica da sociedade norte-americana.

Profissão: político

Já Bolsonaro… Bem… Bolsonaro…

Jair Messias Bolsonaro foi um capitão de Exército com uma carreira medíocre e controversa, cujo único destaque era a sua propensão a ameaçar com atentados à bomba a sociedade carioca. Tentou explodir quartéis e a adutora de Guandu, principal fornecedora de água para a cidade.

No final dos anos 80, descobriu que essa vida de militar não estava com nada e que a política era o meio mais fácil de fazer a vida. Desde 1991 é deputado federal, seis mandatos consecutivos sem que ninguém saiba exatamente que benefícios concretos trouxe para a cidade. Conseguiu emplacar seus 3 filhos jovens na carreira política para ganhar a vida fácil também. Seu apoio maciço no eleitorado se deve não a feitos políticos mas meramente a opiniões recheadas de alto preconceito que soam como música em ouvidos da direita, seja ela militar, civil ou religiosa.

Mas o que têm em comum?

Apesar de, como vimos, o trio ter históricos e características diferentes, eles conseguiram alcançar seus objetivos políticos de forma bastante similar: começaram falando para uma parcela restrita da sociedade, a extrema-direita. Eventuais crises econômicas no momento adequado fizeram os seus discursos ganharem reverberação em camadas maiores do eleitorado, especialmente nas classes médias, sempre as mais suscetíveis a radicalizar para a direita em momentos de crise. Como já dizia  o brilhante Bertold Brecht: “não há nada mais parecido com um fascista que um pequeno burguês assustado”.  

Com base em falácias irracionais que não podem ser comprovadas, ataques à honra alheia, pregações apocalípticas, discursos que evocam o medo e boataria constante, esses homens conseguiram alcançar seus objetivos com o apoio das camadas médias da sociedade, reacionárias em sua essência. Estes amam os Estados Unidos, fazem cursos de inglês, tiram férias em Nova Iorque, lancham em fast-foods, consomem todo tipo de porcaria enlatada made in USA, mas que na hora de impor seus medos e seus preconceitos à sociedade, se vestem de verde e amarelo e defendem golpes e políticos corruptos com o discurso da direita.

Aparentemente, esse é um fenômeno recorrente na história recente do mundo que a esquerda ainda não soube romper — ou sequer entender. Sempre que há uma crise econômica de grande vulto combinada (ou não) com uma crise de representatividade política, as classes burguesas se voltam para a extrema direita com consequências imprevisíveis. Como o capitalismo tem na sua essência exatamente as crises cíclicas, cada vez menos espaçadas no tempo entre uma e outra, isso explica outra frase bastante famosa do próprio Brecht: a cadela do fascismo está sempre no cio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leia nossos Termos de Uso