Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

24 de novembro de 2016

Caixa 2: Rodrigo Maia prepara terreno para a impunidade com freio na Lava Jato

Rodrigo Maia

Uma situação hipotética para vocês tomarem maior ciência do que, de fato, significa o crime de Caixa 2. Eu, Almir Albuquerque, resolvo ser candidato a deputado federal pelo PSOL. Além do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, mais conhecido como Fundo Partidário, eu só conto com parcas doações espontâneas de eleitores avulsos, pessoas físicas que se interessaram pelas minhas propostas. Com isso, eu consigo arrecadar, digamos, 100 mil Reais para a minha campanha, tudo devidamente registrado na Justiça Eleitoral. Chamemos essa prestação de contas de Caixa 1, legal e autorizada.

Outro candidato a deputado qualquer, vamos chamá-lo assim aleatoriamente de Eduardo Cunha, concorrendo por um partido maior e com mais votos na última eleição, além de ganhar já uma fatia maior deste mesmo Fundo, recebe “doações” por fora, de centenas e centenas de milhares de Reais (muitas vezes milhões), vindos de empresas privadas que também têm interesses nas propostas (simpáticas a este setor empresarial, mesmo que sejam lesivas ao cidadão) do candidato em questão. Por não haver nenhum tipo de controle sobre suas origens, as “doações” não têm limites e geralmente podem até ser fruto de lavagem de dinheiro. Esse é o Caixa 2, ilegal e totalmente desautorizado pela Justiça Eleitoral.

Quais as consequências?

É fácil percebê-las. Provavelmente, eu, candidato alinhado com os problemas diretos do eleitor, mas de um partido menor de esquerda sem nenhuma afinidade com os interesses empresariais, e, portanto, sem nenhum financiamento privado de grande vulto, não terei condições de competir com uma campanha desigual do meu adversário Cunha, perdendo para ele uma vaga no Congresso. Cunha receberá tanto dinheiro, mas tanto dinheiro, que será até capaz dele próprio financiar a campanha de outros candidatos, criando a sua própria bancada particular.

Uma vez eleito, este parlamentar, ciente do seu dever não para com o eleitor, mas para com a empresa que o financiou, fará de tudo em favor dela. Por exemplo: em 2014, o Senado aprovou anistia da multa de R$ 2 bilhões aos planos de Saúde, aplicada pela Agência Nacional de Saúde por abusos e descasos no atendimento médico. Por que os senadores, eleitos pelo povo, se alinharam aos interesses não do eleitor, como deveriam, mas empresariais e perdoaram a dívida? Será porque muitos deles receberam recursos de consórcios privados de saúde nas suas campanhas?

Tendo em vista a sanha dos investigadores da Lava Jato em cima de políticos que se elegeram com recursos indevidos em campanhas passadas, fonte de corrupção e lavagem de dinheiro, muitos parlamentares se movimentam para manobrar em favor da anistia aos crimes de Caixa 2. Crime? Há quem diga que nem sequer crime seja, como o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que afirmou na sessão de hoje, respondendo às críticas: “Não tem anistia para um crime que não existe”, já preparando o terreno para impunidade. Ontem (23/11) foi aprovado em comissão especial o relatório do pacote de medidas de combate à corrupção. Aproveitando a questão, alguns deputados sugeriram a inclusão de uma emenda marota que perdoaria todos os casos de Caixa 2 praticados antes da vigência da lei. No entanto, a tipificação dessa prática ilegal foi adiada para próxima terça-feira, talvez por conta da péssima repercussão gerada na opinião pública.

Nossos parlamentares estão com suas reputações achincalhadas na ótica da população, e não fazem nada para melhorar esse quadro. Manobrar de forma vil para burlar os delitos cometidos, promovendo a exculpação de crimes que, como vimos, têm desdobramentos graves, é mais um acinte cometido contra o eleitor. Cada vez mais, fica claro o erro cometido por alguns setores da população ao apoiar estes demagogos corruptos que se arvoram artífices da pureza na política, no ato do golpe contra o governo derrubado. São mil vezes pior.

Romero Jucá avisou, era preciso tirar a Dilma e barrar a Lava Jato. Cada vez mais a indicação do “profeta” Jucá se consolida diante dos nossos olhos. Podem investigar à vontade, pois se houve mesmo muitos crimes de Caixa 2, eles prescreverão no exato momento em que essa emenda iníqua da anistia entrar em vigor.

Até quando aguentaremos quietos esses escárnios?

Um comentário:

  1. Estaremos atentos, não vamos permitir que uma nação inteira seja derrotado por uma quadrilha de bandidos, mesmo sendo estes detentores do poder.
    Todo poder emana do povo, em seu nome será exercido!
    Essas serão as palavras de ordem a serem proferidas nas ruas!

    ResponderExcluir

Leia nossos Termos de Uso