Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

20 de outubro de 2016

Os capitalistas vão colocar o Brasil no abismo mais uma vez

Desregulamentação da economia

A história sempre se repete como farsa, já dizia Karl Marx. E os capitalistas são insistentes em repisar os próprios erros, repetindo as mesmas catástrofes econômicas, por pura ganância, jogando os trabalhadores e suas famílias em situações de flagelo e decadência. A foto acima, tirada em 2003, mostra John Gilleran empunhando a serra elétrica, responsável por regular a poupança e os empréstimos do Office of Thrift Supervision, uma agência federal dos Estados Unidos no Departamento do Tesouro; os três seguintes são lobistas dos bancos americanos e o último o diretor do Federal Deposit Insurance Corporation. A pilha de documentos que eles alegremente cortam e destroem representa a regulamentação financeira estatal que até então prevenia que o sistema financeiro americano pudesse transformar de vez a economia num cassino. Essas regulamentações, por exemplo, dificultavam o despejo de pessoas de suas casas por atraso de pagamento da hipoteca.

Quem deduziu que aquela desregulação dos bancos está na raiz da crise de 2008 dos subprimes, da bolha das hipotecas estadunidenses que representa a maior crise econômica mundial desde 1929 acertou:  com o fim das regras, o bancos induziram as pessoas a refinanciar as próprias casas, ocultando delas os juros progressivos que, em algum momento, não seriam mais capazes de pagar. As pessoas ficaram sem suas casas, mas os bancos ficaram com bilhões de dólares. Quando os proprietários tiveram que dar o calote e veio a crise, os banqueiros esqueceram das suas falácias de livre iniciativa, mercado livre e censura da interferência estatal para pedir, de pires na mão, um socorro financeiro ao governo —leia-se, do contribuinte estadunidense — da ordem de 800 bilhões de dólares. “Agora somos todos socialistas”, dizia cinicamente a revista conservadora Newsweek, ainda conseguindo acusar o governo de intervencionista em vez de criticar os banqueiros pela hipocrisia e por deixar a economia mundial na beira do abismo.

Desregulamentação, mercado livre, Estado Mínimo… Todas essas bandeiras neoliberais equivocadas que fracassam rotunda e seguidamente a cada ciclo do capitalismo mundial está de volta no Brasil. A foto do recém-eleito prefeito de São Paulo, João Dória, pelo PSDB, partido que abraça o neoliberalismo como causa de vida e seu recorrente gesto de tesoura de cortes nos gastos (sociais) do governo e nos impostos é sintomática. É o tipo de cantilena que cai bem no gosto das elites ricas e do sistema financeiro. É colocar a conta da crise nos pobres sem tocar nos privilégios dos ricos. Esse é o sistema capitalista, feito por capitalistas para capitalistas.

João Dória (à dir.) e seus asseclas com o gesto da tesoura da recessão

Mas o exemplo maior, sem dúvida, foi o afastamento do governo petista na base do golpe parlamentar para empurrar goela abaixo da nação o projeto neoliberal derrotado desde FHC, que o eleitorado majoritariamente rejeita há quatro eleições seguidas. Michel Temer e sua nefanda “Ponte para o Futuro”, um programa de governo que ressuscita monstrengos como pacotes de austeridade, com cortes em áreas sociais vitais, rebaixamento de salários dos trabalhadores e aposentados, desinvestimento em setores públicos como saúde e educação, controle obsessivo da inflação e taxas elevadas dos juros para favorecer investimentos privados, além de uma massiva privatização e entrega de riquezas naturais, é o pesadelo que está no nosso horizonte.

Todo esse entulho arcaico de medidas econômicas se resume na PEC 241, onde o governo propõe 20 anos sem aumentar gastos em setores importantes da administração pública além dos limites da inflação do ano anterior. Talvez seja a primeira vez que um executivo que precisa lutar com o parlamento por mais verbas, proponha inusitadamente, ele mesmo, a diminuição dos seus próprios recursos. Ora, com o governo e o Banco Central jogando todas as suas fichas no controle compulsivo da inflação a todo custo, com todos os danos que isso causa ao sistema econômico, parece óbvio que os investimentos, por mais que o PIB e a população cresçam, serão deficitários a cada ano que passe, aumentando cada vez mais a crise. É uma solução burra, mas não pensem que os capitalistas não sabem disso. Eles sabem que o arrocho vai recair sobre os trabalhadores, mas também sabem que a classe empresarial vai sair ganhando. Os sites e revistas especializadas também sabem disso, e não é difícil encontrar postagens na internet orientando a classe empresarial e rentista a ter oportunidades na crise em meio ao sofrimento e aumento do desemprego da classe trabalhadora.

Crse gera oportunidades para os ricos

Mais uma vez, estaremos nós, a classe trabalhadora, assalariada, a massa que compõe a força de trabalho que gera a riqueza desse país, a lutar pelo que é nosso. Lutar para espantar mais uma vez do poder essa classe de vampiros usurpadores, que tiveram a petulância de tomar o poder através de um golpe para implementar suas políticas econômicas, em total desapreço pela democracia.

Mas quem conhece a história do Brasil sabe que essa raça de almofadinhas privilegiados e acomodados é e sempre será golpista. Vamos lutar para que estes velhotes brancos de meia-idade que herdaram suas fortunas de seus avós não perpetuem esse legado de desigualdade que afronta o Brasil.

O povo vai às ruas contra esta PEC do fim do mundo e vai derrotar esse governo ilegítimo e plutocrático. Não vão nos empurrar goela abaixo uma recessão do qual não fomos culpados. Que os ricos paguem pela crise.

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