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Mostrando postagens de Outubro, 2016

Na hora da verdade, católicos e evangélicos esquecem Nossa Senhora e dão as mãos

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Neste segundo turno eleitoral na cidade do Rio de Janeiro, a religião acabou sendo o centro do debate político. Afinal de contas, um dos candidatos, o que acabou vencendo o pleito, tem forte ligação, inclusive familiar, com uma denominação evangélica de grande influência. Alguns podem ter sido surpreendidos com o fato do bispo “licenciado” da Igreja Universal, Marcelo Crivella, ter sido eleito numa cidade com fortes tradições católicas, tendo em vista a suposta rivalidade entre católicos e protestantes que vem desde a época que Martinho Lutero divulgou suas 95 teses, criando um racha definitivo no seio da cristandade. Além disso, em estudo divulgado pela revista Exame em 2013, a população católica ainda é mais do que o dobro da evangélica (51% a 23%), de modos que tornaria fácil a derrota do “adversário” evangélico. Afinal, existe o receio de que Marcelo Crivella possa usar da máquina do governo para promover ainda mais o crescimento da sua denominação evangélica em detrimento dos cat…

Crise dos poderes é bom para o Brasil

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Tudo começou quando um juizeco (nas palavras indignadas de Renan Calheiros) autorizou a Polícia Federal a fazer uma operação na casa do presidente do Senado e nas instalações da mesma. A Operação Metis resultou ainda na prisão de quatro policiais legislativos, acusados de obstruir as investigações da Lava Jato para proteger senadores e ex-senadores. Renan é investigado na Lava Jato, claro. A resposta indignada do presidente do Senado à operação resultou na réplica da presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, embora de forma indireta. Disse ela que toda vez que um juiz é agredido, ela também é agredida. O embate continuou com a tréplica do presidente do Senado, dizendo que cabia a Ministra do Supremo a crítica ao juiz que teria usurpado prerrogativas do STF. Provavelmente com medo da animosidade interferir negativamente nas suas acusações na Lava Jato perante o Supremo, Renan Calheiros pediu a intervenção do presidente ilegítimo. Este, com o novo hábito de resolver tudo com…

Os capitalistas vão colocar o Brasil no abismo mais uma vez

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A história sempre se repete como farsa, já dizia Karl Marx. E os capitalistas são insistentes em repisar os próprios erros, repetindo as mesmas catástrofes econômicas, por pura ganância, jogando os trabalhadores e suas famílias em situações de flagelo e decadência. A foto acima, tirada em 2003, mostra John Gilleran empunhando a serra elétrica, responsável por regular a poupança e os empréstimos do Office of Thrift Supervision, uma agência federal dos Estados Unidos no Departamento do Tesouro; os três seguintes são lobistas dos bancos americanos e o último o diretor do Federal Deposit Insurance Corporation. A pilha de documentos que eles alegremente cortam e destroem representa a regulamentação financeira estatal que até então prevenia que o sistema financeiro americano pudesse transformar de vez a economia num cassino. Essas regulamentações, por exemplo, dificultavam o despejo de pessoas de suas casas por atraso de pagamento da hipoteca. Quem deduziu que aquela desregulação dos bancos…

A radiografia do golpe

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Não conheço o trabalho de Jessé Souza há tanto tempo assim. Foi em 2011, na livraria de uma Universidade, que eu encontrei um livro cujo título me chamara a atenção: A Ralé Brasileira. O título já mostrava, de cara, o estilo provocador e direto que eu viria a conhecer e admirar mais tarde, lendo os seus livros. Em seu último trabalho, A radiografia do golpe, o professor potiguar da UFF faz uma análise precisa, não só conjuntural do golpe praticado contra a presidente Dilma Rousseff, mas também na longa duração, apresentando as características sociais do nosso país que levam a essas constantes infâmias históricas. O livro foi escrito em abril de 2016, momento em que o país assistia horrorizado àquela pantomima burlesca da votação do Impeachment na Câmara dos Deputados. Portanto, mesmo não sabendo ainda se Dilma seria absolvida no Senado, Jessé lançou o livro, já conhecendo as características dos nossos políticos. O livro, relativamente pequeno mas incisivo em todas as suas páginas, tra…

Acabaram os grandes eventos no Rio. As UPPs já podem acabar também

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Há quem ainda acredite nas boas intenções do ex-governador Sérgio Cabral e do secretário de segurança pública, Mariano Beltrame, quando implementaram, em 2008, com o apoio total da mídia e da iniciativa privada —Eike Batista chegou a ajudar financeiramente o projeto com R$ 20 milhões anuais — a primeira de muitas UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) que iriam ser instaladas em algumas regiões da cidade. Na época, as promessas eram de que junto com a força policial, subiriam também serviços públicos e assistência social, num projeto que, dessa maneira, só poderia ser de longo prazo. No entanto, a saída de José Mariano Beltrame da pasta da segurança antes delas completarem uma década é o primeiro indício de que o projeto, tal como sempre acusamos, será inexoravelmente interrompido, não obstante a cidade viva momentos de verdadeiro terror em termos de violência. UPP para quem?A primeira UPP foi no morro Dona Marta, em 2008. Serviu de propaganda para que a imprensa jogasse confete todo …

Saúde Pública e impostos: os ricos precisam pagar a conta, não os pobres

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Tempos atrás, eu publiquei que o Brasil, pela primeira vez, poderia ter imposto sobre fortunas para financiar a Saúde Pública. Incrivelmente, muita gente das classes populares não apoiou a medida. Como explicar esse paradoxo? As classes dominantes, aqueles que proporcionalmente menos pagam e os que mais reclamam, conseguiram criar uma visão tão negativa sobre uma das funções mais importantes do Estado, que até quem beneficiar-se-ia de melhores serviços financiados por tais recursos, reclamam. Como ter bons serviços sem impostos? Uma pesquisa do CNI/Ibope mostrou uma contradição na posição da população brasileira frente ao assunto. Por um lado, sessenta e um por cento (61%) dos entrevistados consideram com razão o Sistema Único de Saúde (SUS) ruim ou péssimo — e quem utiliza os hospitais públicos brasileiros (80% da população) sabe que eles têm razão; mas por outro, noventa e seis por cento (96%) são contra o aumento dos impostos para financiar a melhoria do setor. Oitenta e dois por c…

Política e Religião: por que foram separadas e por que devem continuar assim

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A ideia de laicidade, Estado laico, etc. é muito recente no Ocidente, e ainda mais no Brasil. Começou a ser praticada, de fato, no século XIX, depois de milênios em que tanto a política quanto a religião estavam fundidas numa coisa só. Para entender por que um grupo de intelectuais e filósofos europeus propôs a separação entre essas duas esferas no passado recente, precisamos entender como era então o mundo antes dessa ideia prevalecer. “Governo divino”Teocracia: assim é a definição grega para os Estados em que o poder advinha da chancela religiosa. Desde os primeiros reinos da Antiguidade na Mesopotâmia, o governante era considerado legítimo se os sacerdotes da religião oficial assim o agraciassem. Sendo tanto os religiosos do templo quanto a família do governante membros das altas castas da sociedade, membros da elite, é fácil compreender como a religião foi instrumentalizada para ocultar acordos políticos entre famílias poderosas e para o conformismo das massas. A Idade das Trevas:…

Eleições Municipais: no Rio, segundo turno divide o mapa eleitoral da cidade

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A apuração da eleição municipal na cidade do Rio de Janeiro chegou ao fim na noite deste domingo com confirmação de segundo turno e um fenômeno curioso: Marcelo Crivella, primeiro colocado com 27,7% dos votos, é um candidato nascido na alta sociedade do Leblon e criado em Copacabana, mas venceu nas áreas mais pobres e menos escolarizadas da cidade; Marcelo Freixo, por seu turno, com 18,2% da preferência, veio da periferia pobre de Niterói e venceu na maioria dos bairros ricos da zona sul e de classe média da zona norte do Rio. Ou seja, os de cima votaram no de baixo e os de baixo votaram no de cima. Dois candidatos sem grandes coligaçõesMarcelo Crivella teve pouco apoio político no primeiro turno. Sua coligação, ao contrário da surubática aliança de 15 partidos do PMDB, conta com três partidos pequenos: PRB-PTN-PR. Mas apesar de se dizer ex-bispo (está apenas licenciado, numa nítida tentativa de descolar a sua imagem da desgastada Igreja Universal, dirigida por seu tio Edir Macedo) re…