Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

29 de setembro de 2016

Será que nunca vão deixar o Brasil ser grande?

Brasil, grande, mas pequeno

Sim, em diversos aspectos, o nosso país é grande. Grande em território, em população, em riquezas naturais e em potencial. Ou seja, enquanto muitos países atingiram o ápice do seu desenvolvimento, nosso país não alcançou sequer a metade do caminho daquilo que ele poderia alcançar. Por que então o Brasil sempre patina e não se firma entre as grandes potências mundiais?

Persistente mentalidade vira-latas

Nosso país já nasceu dependente. As mesmas elites nacionais que tiraram o Brasil da colonização portuguesa se submeteram aos interesses da Inglaterra, a potência mundial da época. Ou seja, a Independência que foi alcançada na área política não acabou com a mentalidade colonial de suas cabeças. Nossas elites, então agricultoras, entraram no mercado mundial de forma subalterna como produtoras de matérias-primas (eu diria primárias, de tão rústicas). É sintomático que tais plantações, símbolo de nossa dependência, como a cana-de-açúcar, o algodão, o café, entre outras plantas, sejam ostentadas na bandeira de alguns Estados brasileiros.

Logo depois, por um breve período, estas classes dominantes queriam ser chiques como os franceses, e passaram a imitar sua cultura, sua arquitetura, cujo maior exemplo, no começo do século XX, é a chamada “"Belle Époque Tropical”.

Entretanto, a Segunda Guerra Mundial viu ascender uma nova potência no ocidente: os Estados Unidos da América. E aonde foram nossas elites, senão colocar-se de forma subalterna aos seus interesses? Muitos daqueles latifundiários, neste meado de século, já eram industriais ou ligados a estes, e os americanos souberam cooptar seus interesses através das velhas bandeiras “liberdade, democracia e livre iniciativa”. Injetaram aqui grandes somas de capitais e a influência e o cheirinho do dinheiro atraíram novos parceiros, que se colocam ao serviço das classes dominantes, seja na imprensa, seja no alto clero religioso, seja nas sempre cooptadas classes médias.

União de forças reacionárias contra um projeto nacional

Desde então, esta parceria vem servindo para barrar qualquer tentativa das classes populares e trabalhadoras de emplacar governos que promovam uma verdadeira reforma neste país. A famosa frase de Carlos Lacerda, um dos jornalistas mais parciais e golpistas que esse mundo já pariu, a respeito de Getúlio Vargas, bem pode servir para simbolizar tudo o que a direita pensa quando surge um bom pretendente ao cargo executivo nacional: “Não pode ser candidato. Se for, não pode ser eleito. Se eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”.

De lá pra cá, as classes dominantes brasileiras, alinhadas aos interesses imperialistas e com seus tentáculos na mídia e na religião, de fato foram capazes de tudo para que a mentalidade colonial deste país prevalecesse. Incriminaram políticos falsamente, fizeram campanhas sujas de difamação, desestabilizaram governos e por fim deram golpes de Estado. As justificativas, sempre das mais vazias e sem sustentação: desde subversão comunista, uma falácia importada dos Estados Unidos, até a sempre citada e pouco compreendida “corrupção”, esta prática que está na boca do povo sempre para incriminar um lado, o de governos minimamente progressistas e esquecer o outro, muito pior, dos empresários. 

E nisso, chegamos a uma farsa escandalosamente montada este ano, e no entanto disfarçada pela imprensa, para derrubar do poder uma presidente sem crime para implementar um pacote econômico neoliberal que foi rejeitado quatro vezes nas urnas. E isso quem assume é o próprio vice-presidente numa palestra nos Estados Unidos.

Mais um parceiro em cena contra o país

Assim, os 14 anos de governos progressistas, por mais crítica que tenhamos, chegaram ao fim. Tudo o que o Brasil conseguiu ser neste período, tudo o que experimentamos, o respeito internacional, a diplomacia relevante em assuntos decisivos para o mundo, a participação no seleto grupo dos 5 países do futuro organizados no grupo BRICS, a liderança brasileira na América Latina através do Mercosul, a ascensão econômica de grandes parcelas da pobreza nacional, a erradicação da fome, a riqueza do petróleo para financiar a nossa Educação, tudo isso vai por água abaixo por conta de um novo parceiro das elites (ela mesma da própria elite) que durante muito tempo silenciou sobre todos os principais acontecimentos e injustiças da nossa história: o judiciário. Com eles, todos os golpes, desmandos, abusos da democracia, ilegalidades, ganham ares de legitimidade. E tudo isso, tudo, para que os mesmos privilegiados, os descendentes da Casa Grande, possam manter seu status de favorecimento intocável. São os moradores das ilhas de prosperidade, egoisticamente isolados num oceano de pobreza, do qual eles se lixam. No entanto, hipocritamente, é no abrigo da bandeira nacional que eles se põem quando vão pras ruas reivindicar golpes e medidas fascistas.

Como acreditar neste sistema eleitoral burguês? Como pode um dia a esquerda chegar ao poder, transformar definitivamente o país, colocá-lo entre as grandes nações do mundo, se as nossas classes dominantes estão prontas a tudo para sabotar qualquer projeto nacional que arranhe seus interesses mesquinhos?

E tem quem ainda não saiba por que Josef Stalin teve que mandar tanta gente para a Sibéria para poder governar em paz na União Soviética.

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