8 de julho de 2016

Dois anos depois do 7 a 1, continuamos perdendo dentro e fora de campo

Há exatamente dois anos, os brasileiros assistiam, atônitos, o passeio dos alemães em cima da seleção brasileira de futebol: 7 a 1, num desastre só comparado com a perda da final da Copa de 50 no Maracanã.

Há um amigo que sempre diz que o futebol emula a vida, quer dizer, o mundo do futebol é um pequeno microcosmo que reproduz muitas características do macro, ou seja, da vida em si. Muitas vezes, é o futebol que influencia a nossa vida, como veremos.

Pobre futebol brasileiro

Na área do futebol, a mesma Rede Globo de Televisão, sócia e maior parceira da corrupta CBF, hipocritamente passou a clamar por mudanças no futebol brasileiro depois do desastre no Mineirão em 2014, como se não tivesse nada a ver com isso. As mesmas mudanças que os movimentos sociais já pediam muito antes da Copa no Brasil começar.

Durante o evento, porém, a emissora contribuiu para a desconcentração e o oba-oba, fazendo matérias exclusivas com os jogadores; colocando atores e figuras globais dentro da Granja Comary; eventos com patrocinadores; Luciano Huck chegando de helicóptero com os filhos durante os treinos, tudo em troca da alavancagem do apoio da população a uma seleção totalmente despreparada, tanto técnica, quanto psicologicamente.

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A Copa que derrubou o governo

Na área política, hoje podemos dizer que a derrocada do governo Dilma e a crise política que vivemos começou ali, não por causa do resultado, mas do proveito que setores mais reacionários tiraram da insatisfação popular.

Senão vejamos: antes da Copa, com o país esbanjando bilhões com empreiteiras e prefeituras enxotando de forma fascista populações inteiras de suas moradias, os legítimos movimentos sociais criticaram o governo federal, sua gastança e sua atitude. A resposta, em vez de diálogo e tentativa de solução — coisas que nunca foram o forte de Dilma Rousseff, convenhamos — foi polícia, repressão, bombas, mutilações, prisões e criminalizações de protestos.

Dilma vaiada na Copa do Mundo

E qual foi o resultado disso? Com as esquerdas neutralizadas e fora de combate, para o deleite, na época, de muitos militantes petistas que hoje encontram-se sem rumo na vida, abriu-se caminho para as classes médias mais reacionárias e os partidos de direita tomarem conta do cenário. Chegou-se ao ponto daqueles críticos bem intencionados, como nós, que queríamos uma mudança de postura do governo Dilma, estarem apanhando fora do estádio enquanto a presidenta era vaiada dentro pelos coxinhas golpistas que puderam pagar os exorbitantes e segregantes valores dos ingressos. Ali, naquele momento, a popularidade de Dilma caiu na proporção em que as classes médias botaram a cara na rua, tomando o lugar dos legítimos movimentos sociais.

Este ano, com o apoio destas mesmas classes médias reacionárias, não precisamos dizer o que aconteceu com o governo Dilma. Uma lição que o PT tomou amargamente por não ter ouvido a voz daqueles que seriam os seus apoiadores naturais, mas que ficaram com o sentimento de traição no peito. Isso quando não ficaram com sequelas pela ação violenta das polícias militares Brasil afora, apoiadas pelo então Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, que hoje, como advogado, se desdobra para salvar a pele da Dilma dos lobos no processo de Impeachment. A vida é irônica às vezes.

Futebol emula a vida: passos pra trás

Voltando ao futebol, depois do desastre, a promessa era mudar tudo. Mas, nossos velhos dirigentes, historicamente, seja na política, seja no futebol ou seja em qualquer área, tem pavor de “revoluções” e de mudanças bruscas. A única que conseguimos de relevância não fomos nós que fizemos, mas sim o FBI, que mandou prender o então presidente José Maria Marín e deixou o atual, Marco Polo Del Nero se borrando nas calças com medo de sair do país e ser preso, de tão envolvido em suspeitas de corrupção que está. Com isso, o presidente em exercício não tem legitimidade, é um interino chamado Coronel Nunes que não apita nada, não tem poder e não pode fazer as mudanças que o futebol brasileiro exige. Digamos que seja o Michel Temer da CBF…

Passados dois anos desde o fiasco dos 7 a 1, o Brasil foi eliminado precocemente de 2 Copas Américas, mandou embora o bravo Dunga, designado para ser o técnico da “mudança” (?!), e ostenta um embaraçoso e nada digno sexto lugar nas Eliminatórias (hoje estaria eliminado pela primeira vez da Copa do Mundo).

Tanto no futebol quanto na política, aquela Copa no Brasil nos trouxe um legado simplesmente lamentável dentro e fora de campo, pois nem a CBF nem o governo Dilma foram capazes de ouvir os verdadeiros apelos da população brasileira.

E agora vem aí as Olimpíadas… “Haja coração amigo”….

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