Temer corta verba de mídias progressistas. Se Dilma tivesse feito o mesmo com a Globo...

É bastante discutível até que ponto um governo interino, ou seja, que está de forma provisória no poder até que se tome uma decisão definitiva, pode tomar medidas consideradas radicais em relação ao governo anterior, que ainda tem a chance de voltar ao cargo. Deveria este governo Temer seguir em banho-maria, mantendo as políticas e as determinações do governo Dilma até que seja votado, definitivamente, o processo de Impeachment?
 
A verdade é que o governo Temer não está nem aí e age como se tivesse sido eleito de forma oficial, como se tivesse vencido um escrutínio nas urnas  — tal como a antiga sigla da direita UDN, o PMDB jamais governou o país ganhando uma eleição —, nomeando ministros, mudando os rumos das políticas do governo Dilma ao seu bel prazer.
 
Dentre tantas outras medidas já tomadas e outras ainda por tomar, algumas são nitidamente de caráter vingativo. O polêmico fechamento do Ministério da Cultura — suposto reduto de militantes progressistas —, sob justificativas inconvincentes não nos deixam mentir. Agora, mais recentemente, o site petista denuncia que o governo interino acaba de cortar verbas no total de 11 milhões de Reais destinados a blogs e sites "alternativos", ou seja, aqueles que de alguma forma, não fazem coro com a grande mídia capitalista e se opuseram ao golpe parlamentar.
 
O que dizer desta medida?
 
Alguns "democratas" diriam que em prol da liberdade de expressão e da pluralidade da comunicação, a medida é autoritária. No entanto, não é de me surpreender. Assim é a direita, assim são as forças oligárquicas e conservadoras no poder. Para esses setores, liberdade de expressão e mídia democrática são conceitos altamente maleáveis, manipulados de acordo com outros interesses. De certa maneira, podemos até dizer que existe uma coerência nesse ato. Ora, se esses sites de oposição querem criticar, atacar, e denunciar o governo, que façam, mas sem o apoio das verbas federais!!
 
Não era exatamente isso que exigíamos do PT enquanto esteve no governo, ou seja, que parasse de financiar as grandes mídias com verbas de patrocínio, as mesmas mídias que caíam de pau todos os dias em cima do governo?
 
Na mesma postagem que critica o corte de verbas de Temer aos blogs progressistas, vemos também o PT dizer, de forma "orgulhosa", como se isso fosse algum mérito, que durante o governo Dilma, "de 2003 a 2014, foram R$ 6,2 bilhões destinados à Globo (...). A "Folha de S.Paulo” ganhou R$ 14 milhões apenas em 2014. Já a revista “Veja”, por exemplo, recebeu R$ 19,9 milhões em 2014".
 
Ora, percebem o absurdo?? Em nome de uma falácia ("A distribuição dos valores comprova que a presidenta eleita não utilizava essas verbas para favorecer ou desfavorecer aliados, mas sim para divulgar temas de relevância entre públicos variados", dizem eles na postagem) o próprio governo Dilma alimentou o monstro que hoje veio a engoli-lo, ou seja, os grandes conglomerados de mídia, aquela famosa meia-dúzia de famílias que monopolizam o mercado de comunicações com seus ideais golpistas. Se tivesse feito como o Temer, hoje, quem sabe, poderia estar numa posição muito diferente da que se encontra.
 
É por isso que dizem que a esquerda, em certos aspectos, tem muito o que aprender com a direita. Com eles, o PT, infelizmente, parece que só aprendeu a praticar o mensalão. 

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