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Mostrando postagens de Março, 2016

Uma utopia: e se as Forças Armadas realmente defendessem a lei e a ordem agora?

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Está lá na Constituição Federal de 88, em vigor atualmente, no seu artigo 142, Capítulo II, “Das Forças Armadas” sobre as prerrogativas que cabem aos militares nas questões internas e externas: As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. (grifo meu).Os militares lutaram por esta prerrogativa na Constituinte que, na verdade, é de polícia, qual seja, a defesa da lei e da ordem interna. Em grande parte do mundo, as Forças Armadas são a força de reserva das polícias em questões internas, e não o contrário, como historicamente acontece no Brasil. Saiba mais:Garantir a “lei e a ordem”, papel das Forças Armadas?São os militares das FF.AA., portanto, que decidem quem e quand…

“Guerra Híbrida”: a crise brasileira num contexto mais amplo

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Por estarmos direta e emocionalmente envolvidos com a crise político-econômica que se instalou no Brasil, às vezes fica difícil expandir o olhar, tirar o foco das coisas imediatas do noticiário e focalizar o problema dentro de um contexto maior, inseri-lo numa longa duração, conectando-o com outros fatos determinantes da conjuntura internacional. Mas sem esse olhar mais afastado, dificilmente entenderemos os interesses que estão por trás desses transtornos por que temos passado no Brasil. Com a ajuda de especialistas e analistas políticos como Pepe Escobar, que escreve para grandes portais de internet, podemos chegar a uma explicação convincente. Muitos de nós já estamos bastante familiarizados com o conceito de revolução colorida, que se iniciou nos anos 2000 nos países recém-independentes que faziam parte da antiga União Soviética, e que tiveram crises políticas que favoreceram o estabelecimento de governos pró-Ocidente — leia-se, pró-Estados Unidos — com o apoio dos serviços secret…

O Economicismo na análise social do Brasil

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Nesta última postagem da série que vem analisando, até aqui, o último livro publicado pelo sociólogo brasileiro Jessé Souza, A Tolice da Inteligência Brasileira, vamos analisar uma das vertentes que o autor critica em sua publicação, juntamente com o culturalismo conservador, por não contribuir com um melhor entendimento sobre as questões mais profundas dos problemas brasileiros: o economicismo. O economicismo de cunho marxistaSegundo Jessé, “o economicismo é a crença explícita ou implícita de que o comportamento humano em sociedade é explicado unicamente por estímulos econômicos” (p.109, grifo meu). Segundo o sociólogo de vertente weberiana, tanto as correntes liberais quanto as marxistas de cientistas sociais e economistas ajudam a disseminar essa falsa ideia no senso comum, ajudando a ocultar outros fatores mais decisivos na explicação dos problemas sociais. O autor analisa, de forma mais contundente, o trabalho de dois autores marxistas: Francisco de Oliveira e seu livro Crítica à…

Aécio citado mais uma vez na lava jato. Imprensa abafa.

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O juiz Sérgio Moro continua vazando nomes para a imprensa, numa relação estranhamente simbiótica: a imprensa alimenta o seu ego todos os dias na TV, e o juiz alimenta os noticiários com fatos novos a cada dia. Dessa vez, Moro soltou os nomes de nada menos do que 200 políticos que receberam dinheiro da empreiteira Odebrecht. A lista faz referência a peixinhos pequenos até grandes tubarões, como José Sarney, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, Lindberg Farias, Renan Calheiros (esse está em todas…) e… Aécio Neves. Este é, sem dúvida, uma das estrelas da Lava Jato. Seu nome já apareceu em diversas listas e delações nestes dois anos de investigações.Embora os nomes nas listas de doações da empreiteira não representem um crime em si, haja vista que a malfadada doação empresarial de campanha continua em pleno vigor, a Polícia Federal pretende fazer o cruzamento de dados para saber se todas as doações foram declaradas, ou foram parar no caixa-dois de campanha dos políticos do Congresso Nacional. De …

Faoro, DaMatta e as ideias-força que impregnam o senso comum brasileiro

Nesta terceira postagem sobre a obra de Jessé Souza até aqui analisada, vamos discutir a influência do pensamento liberal-conservador de Sérgio Buarque de Hollanda em pensadores de grande prestígio que se inspiram em seu trabalho, reforçando as falácias que perduram como verdades científicas no imaginário brasileiro: a do historiador Raymundo Faoro e do antropólogo Roberto DaMatta. Veja também:A ciência brasileira a serviço das desigualdades Sérgio Buarque e os Estados Unidos idealizados como o paraíso na Terra Raymundo Faoro e o patrimonialismo“Se Buarque é o filósofo do liberalismo conservador brasileiro […] Raymundo Faoro é seu ‘historiador’ oficial” (Jessé Souza)Jessé Souza afirma em seu livro até aqui analisado, A Tolice da Inteligência Brasileira, que a tese da obra de Raymundo Faoro, Os Donos do Poder, é bastante clara desde o início: reforçar o caráter patrimonialista do Estado e, por extensão, de toda a sociedade brasileira. Essa característica, supostamente exclusivamente no…

O Golpe que se repete como farsa: depois da marcha com deus, pela família, vem aí o parlamentarismo 2.0

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O país vivia uma crise institucional bastante grave naqueles meses de 1961: Jânio Quadros, alegando a interferência de “forças terríveis” que pressionavam o seu governo, renunciou. A Constituição determinava a posse do vice-presidente. O problema que esse era então o indesejável ex-Ministro do Trabalho e herdeiro político do não menos indesejado Getúlio Vargas: João Goulart, o Jango. O vice-presidente encontrava-se na China, em visita oficial. Enquanto não voltava da longa viagem, golpistas e antipatizantes de Jango nas Forças Armadas quiseram impedi-lo de assumir. Com pífias acusações baseadas em fantasias da Guerra Fria, os Ministros das Três Forças Armadas lançaram um manifesto que colocava em risco a posse legal do vice-presidente. Nessa ocasião, entra em cena o então jovem governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, cunhado de Jango, que lançou através do rádio a Cadeia da Legalidade, um movimento que convocava a nação a defender a Constituição da ameaça golpista, bem como a…

Sérgio Buarque e os Estados Unidos idealizados como o paraíso na Terra

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Dando sequência à resenha do livro de Jessé Souza, A Tolice da Inteligência Brasileira, que começou em A ciência brasileira a serviço das desigualdades, vamos falar agora do tipo colonizado e conservador de liberalismo que surgiu no país principalmente na esteira das ideias de Sérgio Buarque de Holanda, o pensador que conta com o prestígio em todos os espectros políticos do país.Segundo Jessé Souza em seu livro, o aspecto decisivo comum a toda tradição liberal brasileira é um tipo de encanto por uma sociedade idealizada como a perfeição na Terra: os Estados Unidos. Esse país sempre representou uma espécie de parâmetro para os liberais brasileiros, assim como a aristocracia tinha na França o seu modelo ideal. Sérgio Buarque constrói a dicotomia definitiva entre o homem cordialbrasileiro e todos os seus defeitos, como sua emotividade e pré-racionalidade que guiam seu comportamento e o protestante ascético norte-americano, referência de tudo o que é positivo, como a racionalidade, o sens…

A ciência brasileira a serviço das desigualdades

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Eu demorei a conhecer o trabalho do sociólogo Jessé Souza. Foi somente em julho de 2013 que eu me deparei com uma publicação sua: A Ralé Brasileira. Foi amor à primeira vista, e de lá pra cá eu venho acompanhando mais de perto a produção deste acadêmico crítico e mordaz das injustiças sociais brasileiras*. Por isso mesmo, seu mais novo trabalho, intitulado A Tolice da Inteligência Brasileira, servirá de base para comentarmos agora e em outras postagens como a intelectualidade brasileira, em vez de criticar o senso comum que oculta a razão da imensa desigualdade social do país, ajuda a reforçá-la, com teorias falsas que demonstram a síndrome de vira-latas de nossa elite pensante.

Segundo Jessé Souza, as ideias do senso comum não brotam do nada; elas são pensadas por grandes autores até ganharem as ruas, as universidades, as conversas de botequim e o bate-papo na fila do banco. Elas ocultam e distorcem a realidade, selecionando o que é legítimo e o que não é legítimo pensar. Isso porque…

Dois cenários possíveis: ou acabam com o Lula, ou o fortalecem ainda mais para 2018

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Lula foi hoje depor de forma “coercitiva” na Polícia Federal sobre algumas das acusações que recaem sobre ele na Operação Lava Jato, com base em depoimento do senador Delcídio Amaral, preso, que lançou mão da delação premiada para denunciar o ex-presidente, numa acusação imoralmente vazada para a imprensa. O artifício da condução coercitiva é utilizado quando o depoente é intimado mas se recusa a comparecer no depoimento. Lula já tinha dado outros três depoimentos antes na Polícia Federal, nunca se negando a comparecer. Mas dessa vez, por ordens do juiz Sérgio Moro, sob a alegação que de se queria evitar exacerbações de manifestantes, tanto contra quanto a favor do ex-presidente, Lula foi depor “na marra”, um prato cheio para as Organizações Globo, que sutilmente já tratam Lula como condenado em seus canais. Não se trata de defender aqui o ex-presidente. Lula é vítima de seu próprio engano político, quando achou que, em vez de meramente tolerado, sentaria-se à mesa dos poderosos como …