Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

11 de fevereiro de 2016

A maior crise da esquerda da história: nunca estivemos tão fracos e desunidos

CismaComunistaBons tempos aqueles em que o Brasil tinha nomes de peso representando a esquerda, seja dentro da política institucional, seja fora dela. Seria cansativo enumerar os diversos nomes de políticos moderados, reformistas ou revolucionários que durante décadas representaram as esperanças do povo trabalhador nesse país. Ficaremos apenas com três, em três momentos diferentes – e também concomitantes, em alguns períodos –, como Luiz Carlos Prestes, do PCB, João Goulart, pelo antigo e então digno PTB, e Leonel Brizola, pelo também saudoso PDT.

Hoje, o partido que se dizia de esquerda e que governa o país nos últimos 14 anos sofre uma crise de identidade e legitimidade. Há muito tempo se deixou corromper pelas práticas sujas dos seus antecessores, sendo bombardeado constantemente com ameaças de prisão e Impeachment, levando com isso a credibilidade de toda a esquerda para o ralo. Também o partido legitimamente de esquerda que possui a maior representatividade na política institucional, o PSOL, é incapaz de lançar um nome de peso no cenário nacional para angariar as insatisfações com os rumos da política e da economia nacionais, como tem sido nos Estados Unidos, com o candidato democrata Bernie Sanders, que surgiu como um fenômeno da política local apenas por levantar algumas meras bandeiras progressistas. Mas era exatamente o que uma enorme parcela da população estava esperando ouvir.

Uma esquerda festiva

O pior, no nosso cenário nacional, acontece fora da política institucional. Bem ao gosto de novas ondas teóricas, denominadas genericamente de pós-modernas, grupos tradicionalmente acolhidos nas esquerdas passaram a levantar pautas e reivindicações exclusivas, afastando-se cada vez mais do foco na luta contra o sistema burguês-capitalista como um todo. Movimentos negros, movimentos “homoafetivos” e, principalmente, as feministas, conseguiram dividir, subdividir e microdividir suas lutas ao nível subatômico, a ponto de hoje vermos negros contra negros, gays contra gays e mulheres contra mulheres, totalmente perdidos em querelas insignificantes, terminologias que nascem sabe-se lá de onde, como sororidade, cis, e outras superficialidades, enquanto que o verdadeiro inimigo, a direita conservadora e reacionária, se organiza, se une e toma conta dos espaços do poder, deixando esses grupos falando sozinhos entre si.

Comunistas moralistas?

Mas o recente fenômeno mais lamentável de tudo isso é o surgimento de grupos de esquerda mais ortodoxos, mais fiéis aos ditames da teoria marxista, que começam a ter preconceitos ressentidos contra esses grupos, a ponto de aparecer um novo tipo de militante da esquerda combativa com críticas a esses movimentos de minorias, que o coloca quase lado a lado dos burgueses defensores da moral e da família tradicional. Pelo menos em redes sociais e comunidades de internet, as críticas aos ataques de purpurina, às oficinas de siririca, ao uso de drogas são tão moralistas, machistas e homofóbicas que lembram os fãs de Bolsonaro. Como chegamos a esse ponto?

Certamente as esquerdas brasileiras estão na beira do precipício. Talvez seja a maior crise da história. A única forma de podermos ter esperança, é que essa moda, como toda moda, canse, e passe, e essas pessoas então amadureçam, e se voltem para os teóricos clássicos das esquerdas. Que possam compreender que divididos, somos fracos. Precisamos de todos, cada indivíduo com alguma consciência progressista na cabeça, para tentar mudar esse panorama sombrio de conservadorismo e superstição que tomou conta do país. Assumir as nossas culpas e erros, e começar de novo.

Lula, a esperança em 2018. Será?

Se Lula fosse o que seus persistentes defensores pensam que ele é, já estaria articulando com as esquerdas um governo pra entrar para a história em 2018. Tal como Getúlio Vargas nos anos 50, uma guinada para a esquerda no segundo governo, para enfrentar os poderosos e liderar uma mudança radical nesse país. Mas precisamos saber se ele, Lula, vai sobreviver aos ataques daqueles parasitas da política, do mercado e das mídias, os mesmos inimigos que fizeram Getúlio se matar, e que o próprio Lula ajudou a alimentar, os mesmos que agora querem sabotar a sua candidatura a todo custo.

Sem um líder, alguém capaz de dizer às massas o que precisa ser dito, um Bernie Sanders e seu discurso honesto e coerente, desunidos e brigando entre nós, não vamos vencer as forças conservadoras que dominaram o cenário nacional. Se Lula cumprir esse papel, além de resgatar as esquerdas que ele ajudou a destruir, pode voltar a figurar na galeria dos maiores líderes de esquerda desse país, ao lado de Prestes, Jango e Brizola. Mas alguém acredita nisso?

3 comentários:

  1. “Brizola sempre foi uma das mais virulentas vozes contrárias ao processo de desestatização. Em abril de 1997, chegou a escrever no Jornal do Comércio:

    "A privatização da Vale é um ato insano e injustificável; eu desconfio da inteireza mental do presidente Fernando Henrique".

    O discurso de Brizola contra o suposto “entreguismo” sempre foi carregado de xenofobia, como se o comércio mundial fosse apenas uma batalha de estrangeiros contra brasileiros.
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    Brizola foi mais um desses políticos brasileiros que queriam o Estado máximo e naturalmente sob seu controle.

    Qualquer um que propusesse privatizar uma empresa estatal era chamado de vendilhão da pátria.
    Para um liberal como eu Brizola foi mais um dos inúmeros tumores malignos que apareceram na política brasileira.

    Brizola contribuiu muito para difundir no Brasil essa cultura de ódio contra a empresa privada.

    Outro caco que ele contribuiu muito para consolidar em nossa cultura é aquele pensamento que absolutamente todo ser humano é puro e bom, se ele faz algo mau como matar ou roubar é a sociedade que de alguma forma falhou com ele.
    Para Brizola os traficantes dos morros do Rio não eram bandidos eram líderes comunitários.

    Claro que Brizola não desenvolveu essa linha de raciocínio, ele apenas estava sintonizado com esquerdistas do mundo inteiro.
    Leonel Brizola tinha fama de bom orador e até era, mas lembre-se que esquerdistas falam o que 95% da população quer ouvir, que podemos viver um paraíso aqui na Terra, basta deixarmos tudo por conta do Estado e tudo será provido.
    Os administradores marxistas são tão eficientes que todos teremos uma ótima qualidade de vida.

    Se você comparar o Marxismo com as promessas de muitas religiões perceberá muita semelhança.

    A grande diferença é que as religiões prometem um paraíso após a morte e os marxistas um paraíso em vida terrena.

    No Comunismo puro proposto por Marx a concentração de poder nas mãos do Estado era apenas um estágio de passagem, no final viveríamos em uma paz e harmonia tão grande que nem haveria necessidade de Governo ou Estado.
    Afinal absolutamente todo homem é puro e bom, temos que voltar a nossa essência que existia antes da propriedade privada e do capital... acredite quem quiser.

    No marxismo é proibido dizer tenha fé porque fé e muito ligado a religião e para marxistas religião é o ópio do povo; junto com o capital e a propriedade privada a religião nos distância da nossa essência pura e boa.

    Aqui chegamos em um ponto fascinante.
    Vamos usar nossa amiga dialética.

    E se todos os humanos não forem essencialmente puros e bons?

    Nem estou falando de assassinos e assaltantes.
    No marxismo você querer ter LUCRO ou ser proprietário de alguma coisa não é bom.
    O ser humano puro e bom vive em prol da coletividade, não tem AMBIÇÃO de ter ou ser mais que ninguém.

    http://filosofiamatematicablogger.blogspot.com.br/2015/02/brizola.html
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    1. Então de acordo com esse raciocínio, está justificada toda a carnificina que a humanidade causou, segundo esse raciocínio, a humanidade é naturalmente má, e não ha nada que possa mudar essa condição entre os humanos.

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  2. Brizola estava certo. Só quem é ignorante da história do processo da Vale pode dizer outra coisa. Não tem a ver com xenofobia, e sim apenas não ser otário.

    Estado máximo não é o oposto de estado mínimo. Quem é contra o Estado mínimo neoliberal é a favor do Estado, e não de "Estado máximo", termo que nem sequer existe em nenhuma teoria.

    Liberais otários como você fizeram como com a burguesia em 64, ficaram contra as denúncias que Brizola fazia, e nos brindaram com 21 anos de uma ditadura. Por causa do seu liberalismo de merda, só conseguimos autoritarismo.

    Vou ignorar suas menções ao marxismo, porque nitidamente você não leu um livro marxista e não tem ideia do que está falando. Só repete o que te dão na boquinha pra você engolir.

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