A maior crise da esquerda da história: nunca estivemos tão fracos e desunidos

Bons tempos aqueles em que o Brasil tinha nomes de peso representando a esquerda, seja dentro da política institucional, seja fora dela. Ser...

CismaComunistaBons tempos aqueles em que o Brasil tinha nomes de peso representando a esquerda, seja dentro da política institucional, seja fora dela. Seria cansativo enumerar os diversos nomes de políticos moderados, reformistas ou revolucionários que durante décadas representaram as esperanças do povo trabalhador nesse país. Ficaremos apenas com três, em três momentos diferentes – e também concomitantes, em alguns períodos –, como Luiz Carlos Prestes, do PCB, João Goulart, pelo antigo e então digno PTB, e Leonel Brizola, pelo também saudoso PDT.

Hoje, o partido que se dizia de esquerda e que governa o país nos últimos 14 anos sofre uma crise de identidade e legitimidade. Há muito tempo se deixou corromper pelas práticas sujas dos seus antecessores, sendo bombardeado constantemente com ameaças de prisão e Impeachment, levando com isso a credibilidade de toda a esquerda para o ralo. Também o partido legitimamente de esquerda que possui a maior representatividade na política institucional, o PSOL, é incapaz de lançar um nome de peso no cenário nacional para angariar as insatisfações com os rumos da política e da economia nacionais, como tem sido nos Estados Unidos, com o candidato democrata Bernie Sanders, que surgiu como um fenômeno da política local apenas por levantar algumas meras bandeiras progressistas. Mas era exatamente o que uma enorme parcela da população estava esperando ouvir.

Uma esquerda festiva

O pior, no nosso cenário nacional, acontece fora da política institucional. Bem ao gosto de novas ondas teóricas, denominadas genericamente de pós-modernas, grupos tradicionalmente acolhidos nas esquerdas passaram a levantar pautas e reivindicações exclusivas, afastando-se cada vez mais do foco na luta contra o sistema burguês-capitalista como um todo. Movimentos negros, movimentos “homoafetivos” e, principalmente, as feministas, conseguiram dividir, subdividir e microdividir suas lutas ao nível subatômico, a ponto de hoje vermos negros contra negros, gays contra gays e mulheres contra mulheres, totalmente perdidos em querelas insignificantes, terminologias que nascem sabe-se lá de onde, como sororidade, cis, e outras superficialidades, enquanto que o verdadeiro inimigo, a direita conservadora e reacionária, se organiza, se une e toma conta dos espaços do poder, deixando esses grupos falando sozinhos entre si.

Comunistas moralistas?

Mas o recente fenômeno mais lamentável de tudo isso é o surgimento de grupos de esquerda mais ortodoxos, mais fiéis aos ditames da teoria marxista, que começam a ter preconceitos ressentidos contra esses grupos, a ponto de aparecer um novo tipo de militante da esquerda combativa com críticas a esses movimentos de minorias, que o coloca quase lado a lado dos burgueses defensores da moral e da família tradicional. Pelo menos em redes sociais e comunidades de internet, as críticas aos ataques de purpurina, às oficinas de siririca, ao uso de drogas são tão moralistas, machistas e homofóbicas que lembram os fãs de Bolsonaro. Como chegamos a esse ponto?

Certamente as esquerdas brasileiras estão na beira do precipício. Talvez seja a maior crise da história. A única forma de podermos ter esperança, é que essa moda, como toda moda, canse, e passe, e essas pessoas então amadureçam, e se voltem para os teóricos clássicos das esquerdas. Que possam compreender que divididos, somos fracos. Precisamos de todos, cada indivíduo com alguma consciência progressista na cabeça, para tentar mudar esse panorama sombrio de conservadorismo e superstição que tomou conta do país. Assumir as nossas culpas e erros, e começar de novo.

Lula, a esperança em 2018. Será?

Se Lula fosse o que seus persistentes defensores pensam que ele é, já estaria articulando com as esquerdas um governo pra entrar para a história em 2018. Tal como Getúlio Vargas nos anos 50, uma guinada para a esquerda no segundo governo, para enfrentar os poderosos e liderar uma mudança radical nesse país. Mas precisamos saber se ele, Lula, vai sobreviver aos ataques daqueles parasitas da política, do mercado e das mídias, os mesmos inimigos que fizeram Getúlio se matar, e que o próprio Lula ajudou a alimentar, os mesmos que agora querem sabotar a sua candidatura a todo custo.

Sem um líder, alguém capaz de dizer às massas o que precisa ser dito, um Bernie Sanders e seu discurso honesto e coerente, desunidos e brigando entre nós, não vamos vencer as forças conservadoras que dominaram o cenário nacional. Se Lula cumprir esse papel, além de resgatar as esquerdas que ele ajudou a destruir, pode voltar a figurar na galeria dos maiores líderes de esquerda desse país, ao lado de Prestes, Jango e Brizola. Mas alguém acredita nisso?

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A maior crise da esquerda da história: nunca estivemos tão fracos e desunidos
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